Colocando os pingos nos “is”

Comunicação assertiva e coragem para falar com clareza

A vida não vem com um manual de instruções. Aprendemos enquanto vivemos, por meio das experiências, das escolhas, dos erros e dos acertos. Nesse processo, também precisamos aprender a conversar, expressar sentimentos, estabelecer limites e resolver conflitos.

Nem sempre conseguimos fazer isso com facilidade. Algumas pessoas se calam para evitar desentendimentos. Outras acumulam ressentimentos até explodirem. Há também quem recorra a indiretas, ironias e afastamentos esperando que o outro perceba o que aconteceu.

É nesse contexto que surge a necessidade de “colocar os pingos nos is”: esclarecer o que ficou confuso, dizer o que precisa ser dito e enfrentar conversas importantes com maturidade e respeito.

Essa capacidade está relacionada à comunicação assertiva.

O que é comunicação assertiva?

Comunicação assertiva é a habilidade de expressar pensamentos, sentimentos, necessidades e limites de maneira clara, direta e respeitosa.

Ser assertivo significa reconhecer que aquilo que sentimos e pensamos importa, mas que o outro também possui sentimentos, direitos, opiniões e limites.

Não se trata de falar tudo o que vem à mente, impor a própria vontade ou usar a sinceridade como justificativa para ferir alguém. A assertividade procura equilibrar honestidade e respeito.

Uma pessoa assertiva consegue dizer:

  • “Não concordo com essa decisão.”
  • “Esse comentário me deixou desconfortável.”
  • “Não posso assumir essa responsabilidade agora.”
  • “Preciso que você converse comigo sem gritar.”
  • “Gostaria de explicar como me senti naquela situação.”
  • “Compreendo sua opinião, mas penso de outra maneira.”

A comunicação assertiva não garante que o outro concordará conosco. Ela apenas permite que nossa posição seja apresentada com clareza e dignidade.

Comunicação passiva, agressiva e assertiva

É possível reconhecer diferentes maneiras de reagir diante de um conflito.

Comunicação passiva

A pessoa evita expressar o que pensa ou sente. Concorda quando gostaria de recusar, aceita responsabilidades excessivas e permite que seus limites sejam ultrapassados para não desagradar.

Ela pode dizer:

“Tudo bem, eu faço.”

Por dentro, no entanto, sente-se cansada, desrespeitada ou ressentida.

A passividade pode parecer uma forma de manter a paz, mas frequentemente produz conflitos internos. Quando alguém se silencia repetidamente, suas necessidades permanecem ignoradas e o ressentimento pode aumentar.

Comunicação agressiva

A pessoa expressa sua opinião desrespeitando, intimidando ou desvalorizando o outro. Pode gritar, acusar, ameaçar, interromper ou tentar controlar a situação.

Ela pode dizer:

“Você nunca faz nada direito. É sempre a mesma coisa!”

A agressividade até pode produzir obediência momentânea, mas enfraquece a confiança, provoca medo e prejudica os relacionamentos.

Comunicação passivo-agressiva

A pessoa não fala diretamente sobre o problema, mas manifesta sua insatisfação por meio de ironias, silêncio punitivo, atrasos intencionais, indiretas ou comportamentos de vingança.

Ela afirma que está tudo bem, embora demonstre o contrário em suas atitudes.

Comunicação assertiva

A pessoa apresenta o problema de maneira clara, sem atacar a identidade do outro:

“Quando essa tarefa fica apenas sob minha responsabilidade, sinto-me sobrecarregada. Precisamos dividir o trabalho de outra forma.”

A mensagem possui firmeza, mas não humilha. Ela descreve a situação, apresenta o sentimento ou a necessidade e propõe uma mudança possível.

Por que é tão difícil dizer o que sentimos?

Muitas pessoas aprenderam desde cedo que discordar era falta de educação, que dizer “não” era egoísmo ou que demonstrar sentimentos era sinal de fraqueza.

Algumas cresceram em ambientes nos quais suas opiniões não eram ouvidas. Outras perceberam que se calar era a melhor forma de evitar críticas, rejeição, castigos ou conflitos.

Com o tempo, esse silêncio pode se transformar em um padrão. A pessoa adulta continua dizendo “sim” quando gostaria de recusar, pede desculpas por ter necessidades e sente culpa ao estabelecer limites.

Também existe o medo de perder relacionamentos. Por isso, algumas pessoas toleram situações desconfortáveis acreditando que, se forem honestas, serão abandonadas.

Aprender a se comunicar de forma assertiva exige compreender que um relacionamento saudável precisa comportar diferenças, perguntas, recusas e conversas difíceis.

Colocar os pingos nos “is” não é procurar briga

Esclarecer uma situação não significa transformar qualquer incômodo em confronto.

Antes de iniciar uma conversa, é importante refletir:

  • O que realmente aconteceu?
  • Estou reagindo ao fato atual ou a experiências antigas?
  • O que senti?
  • Do que preciso?
  • Qual mudança gostaria de solicitar?
  • Este é o momento adequado para conversar?
  • Estou preparada para ouvir a versão do outro?
  • Meu objetivo é resolver o problema ou apenas provar que estou certa?

Quando entramos em uma conversa apenas para vencer, dificilmente construímos entendimento. A assertividade não busca derrotar o outro, mas criar condições para que as pessoas envolvidas possam compreender o problema e procurar uma solução.

Como falar com mais clareza

Uma forma simples de organizar a conversa é separar quatro elementos:

1. Descreva a situação

Fale sobre o comportamento específico, evitando generalizações.

Em vez de:

“Você nunca me respeita.”

Experimente:

“Ontem, enquanto eu falava, você me interrompeu três vezes.”

Expressões como “você sempre” e “você nunca” costumam provocar defesa e desviam a conversa do episódio que precisa ser resolvido.

2. Expresse como você se sentiu

Fale em primeira pessoa, assumindo seus sentimentos.

“Eu me senti desconsiderada.”

Isso costuma ser mais produtivo do que:

“Você me fez passar vergonha porque é uma pessoa insensível.”

Sentimentos ajudam a explicar o impacto da situação. Acusações atacam a identidade do outro e aumentam a possibilidade de conflito.

3. Apresente sua necessidade ou seu limite

“Preciso conseguir concluir o que estou dizendo antes de ouvir sua resposta.”

Um limite não é uma tentativa de controlar todas as escolhas do outro. É a definição do que você aceita, do que não aceita e de como agirá para se proteger.

4. Faça um pedido claro

“Na próxima conversa, gostaria que você esperasse eu terminar antes de responder.”

Pedidos vagos produzem resultados vagos. Dizer apenas “quero que você mude” não explica qual comportamento precisa ser diferente.

Aprender a dizer “não”

Dizer “não” é uma das maiores dificuldades para quem teme desagradar.

Muitas pessoas criam longas justificativas porque sentem que precisam convencer o outro de que possuem um motivo legítimo para recusar. Entretanto, uma explicação curta pode ser suficiente:

  • “Não poderei participar.”
  • “Não consigo assumir essa tarefa agora.”
  • “Agradeço o convite, mas não estarei disponível.”
  • “Não me sinto confortável com isso.”
  • “Preciso pensar antes de responder.”
  • “Dessa forma, não posso continuar a conversa.”

Ser assertivo não significa ser frio. É possível recusar com gentileza sem abandonar o próprio limite.

O outro pode ficar frustrado, mas a frustração de alguém não significa necessariamente que você fez algo errado.

O tom também comunica

As palavras são importantes, mas o modo como são pronunciadas também transmite uma mensagem.

Para uma comunicação mais assertiva, procure:

  • Falar em tom firme e calmo
  • Manter uma postura aberta
  • Não gritar nem sussurrar de maneira insegura
  • Evitar ironias
  • Não interromper continuamente
  • Olhar para a pessoa sem encará-la de forma intimidante
  • Escutar antes de preparar a resposta
  • Pedir uma pausa quando as emoções estiverem muito intensas

Se a raiva estiver dominando a conversa, pode ser melhor dizer:

“Estou muito alterada neste momento. Preciso de um tempo para me acalmar e podemos retomar esse assunto mais tarde.”

Pausar não é fugir quando existe o compromisso real de retomar a conversa.

Escutar também faz parte da assertividade

Comunicação assertiva não é apenas aprender a falar. É também desenvolver a capacidade de ouvir sem interromper, ridicularizar ou invalidar.

Escutar não significa concordar. Significa tentar compreender o que o outro está dizendo antes de responder.

Podemos demonstrar essa escuta com frases como:

  • “Quero entender melhor o que você quis dizer.”
  • “Então você se sentiu desconsiderado naquela situação?”
  • “Compreendo que tenha sido difícil para você.”
  • “Eu vejo de outra forma, mas quero ouvir sua explicação.”
  • “O que você precisa neste momento?”

É possível reconhecer o sentimento do outro sem assumir uma culpa que não nos pertence ou concordar com uma acusação injusta.

Quando a pessoa não respeita o limite

Nem toda conversa terá um resultado satisfatório. Algumas pessoas não aceitam limites, recusam-se a ouvir, distorcem os fatos ou respondem com agressividade.

Nesses casos, pode ser necessário repetir a mensagem com calma:

“Compreendo que você esteja insatisfeito, mas minha decisão permanece a mesma.”

Isso é diferente de entrar em uma discussão interminável. Você não precisa apresentar novas justificativas cada vez que alguém se recusa a aceitar sua resposta.

Também é possível encerrar a conversa:

“Não continuarei falando enquanto houver insultos. Podemos conversar quando estivermos mais calmos.”

Em situações de violência, ameaça, coerção ou abuso, comunicar-se melhor pode não ser suficiente para produzir segurança. A prioridade deve ser procurar proteção e apoio de pessoas ou serviços capacitados. A vítima nunca deve ser responsabilizada por não ter conseguido dialogar com alguém que escolheu agir de forma violenta.

Assertividade se aprende

Ninguém precisa nascer sabendo se comunicar perfeitamente. A assertividade é uma habilidade que pode ser construída com prática.

Comece em situações menores. Expresse uma preferência, recuse um pedido simples ou peça que alguém corrija uma informação. Observe como você se sente antes, durante e depois.

Também pode ajudar escrever o que deseja dizer e ensaiar a conversa. Isso não torna a fala artificial. Apenas organiza os pensamentos e diminui a possibilidade de se perder diante da ansiedade.

Com o tempo, torna-se mais fácil reconhecer os próprios sentimentos, expressar necessidades e manter limites sem culpa.

Se o medo, a ansiedade, a raiva ou experiências traumáticas dificultarem muito esse processo, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender os padrões de comunicação e desenvolver novas formas de se relacionar.

Uma conversa honesta pode reorganizar relações

Há palavras que precisam ser ditas, pedidos que precisam ser feitos e situações que necessitam de esclarecimento. O silêncio pode evitar um desconforto imediato, mas também pode prolongar dores, alimentar mal-entendidos e manter relações desequilibradas.

Colocar os pingos nos “is” exige coragem. Não a coragem de ferir ou confrontar por impulso, mas a de ser honesto sem abandonar o respeito.

Comunicar-se com assertividade é reconhecer que nossa voz possui valor, sem esquecer que o outro também merece ser ouvido. É aprender que firmeza não precisa ser agressividade, que gentileza não precisa ser submissão e que dizer “não” também pode ser uma forma de cuidado.

A vida não vem com um manual de instruções. Mas podemos aprender, a cada conversa, a construir relações mais claras, maduras e verdadeiras.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Mayo Clinic — comunicação assertiva, NHS Cumbria — estilos de comunicação e Cambridge University Hospitals — comunicação assertiva.

A Mulher que Estou Construindo

A mulher que vejo no espelho

Autoimagem, peso, padrões de beleza e relação com o corpo

Frase para reflexão:

“O espelho mostra meu corpo, mas nem sempre revela a maneira justa de enxergá-lo.”

Olhar-se no espelho deveria ser um encontro simples com a própria imagem. Entretanto, para muitas mulheres, esse momento se transforma em uma avaliação silenciosa.

Os olhos percorrem o corpo procurando aquilo que precisa ser diminuído, escondido, corrigido ou eliminado. A barriga parece maior do que deveria. O rosto apresenta marcas que antes não existiam. O cabelo mudou. A roupa já não veste da mesma maneira. O número mostrado pela balança começa a interferir no humor, na autoestima e na maneira de viver o restante do dia.

Poucas mulheres foram ensinadas a olhar para o próprio corpo com neutralidade e respeito. Desde cedo, muitas aprenderam que sua aparência seria observada, comparada e julgada. Antes mesmo de compreenderem plenamente quem eram, já sabiam quais partes de si deveriam amar e quais deveriam rejeitar.

Assim, o espelho deixou de ser apenas um objeto. Tornou-se o lugar onde diferentes vozes se encontram: as críticas recebidas na infância, os padrões apresentados pela sociedade, as comparações feitas ao longo da vida e as próprias exigências internas.

Nem sempre vemos somente o corpo que está diante de nós. Muitas vezes, vemos tudo o que aprendemos a pensar sobre ele.

A autoimagem não nasce diante do espelho

A autoimagem é a representação que construímos sobre nossa aparência e nosso corpo. Ela não se limita ao que realmente vemos. Também envolve pensamentos, sentimentos, lembranças, comparações e significados.

Duas mulheres com características físicas semelhantes podem sentir-se completamente diferentes em relação ao próprio corpo. Uma pode enxergá-lo com respeito, enquanto a outra experimenta vergonha e rejeição.

Isso acontece porque a relação com o corpo é influenciada por experiências pessoais.

Uma menina que ouviu comentários frequentes sobre o peso pode crescer excessivamente atenta a qualquer mudança corporal. Outra, comparada constantemente com uma irmã, pode acreditar que sempre lhe falta alguma coisa. Uma adolescente ridicularizada por suas características físicas talvez continue se sentindo observada mesmo muitos anos depois.

Há também aquelas que receberam elogios quase exclusivamente por serem bonitas ou magras. Embora pareçam positivos, esses elogios podem ensinar que a aparência é a parte mais importante de sua identidade. Quando o corpo muda, a mulher pode sentir que está perdendo não apenas uma característica física, mas também seu valor e sua capacidade de ser amada.

A autoimagem é construída nos relacionamentos. Por isso, reconstruí-la também exige examinar as mensagens que aprendemos a repetir para nós mesmas.

Quando o peso se transforma em identidade

O peso é uma medida corporal. Ele pode variar por diferentes motivos e, isoladamente, não descreve toda a condição de saúde de uma pessoa. Entretanto, muitas mulheres aprenderam a tratá-lo como uma espécie de julgamento sobre quem são.

A balança deixa de apresentar apenas um número e passa a determinar se o dia começará com satisfação ou culpa.

Quando o número diminui, a mulher sente que foi disciplinada, forte e merecedora de reconhecimento. Quando aumenta, pode se considerar fracassada, descontrolada ou incapaz. Seu valor emocional passa a oscilar junto com o peso.

Essa associação é perigosa porque transforma o cuidado com o corpo em punição.

Comer deixa de ser uma necessidade humana e se torna uma prova moral. Alguns alimentos são tratados como recompensa, enquanto outros provocam vergonha. A mulher acredita que precisa compensar aquilo que comeu, castigar-se por não ter seguido um plano ou privar-se de refeições para recuperar a sensação de controle.

Entretanto, o corpo não é um boletim de comportamento.

Uma mudança na balança não determina caráter, competência, inteligência, beleza ou dignidade. Também não apaga os cuidados que uma pessoa vem construindo. O peso corporal pode apresentar variações relacionadas à alimentação, hidratação, funcionamento intestinal, ciclo hormonal, medicamentos, sono e outros fatores.

Por isso, uma medida isolada não deveria receber o poder de definir como alguém se sentirá consigo mesma.

Cuidar da saúde pode envolver mudanças de hábitos e acompanhamento profissional. Mas esse cuidado não precisa nascer do ódio pelo corpo. É possível desejar mudanças sem se humilhar durante o processo.

O corpo ideal que nunca permanece igual

Os padrões de beleza não são verdades naturais e imutáveis. Eles variam entre épocas, culturas e grupos sociais. Características admiradas em determinado período podem ser rejeitadas em outro.

Apesar disso, cada padrão costuma ser apresentado como se fosse a única forma correta de beleza.

Durante anos, muitas mulheres foram pressionadas a possuir um corpo extremamente magro. Em outros momentos, passaram a ser cobradas por curvas específicas, barriga plana, cintura fina, pele sem marcas e aparência jovem. O padrão muda, mas a sensação de insuficiência permanece.

Mesmo quando uma mulher consegue se aproximar de determinado ideal, surge uma nova exigência. Não basta emagrecer. É necessário ter músculos, eliminar marcas, evitar rugas e parecer jovem sem demonstrar esforço.

Trata-se de uma meta que se desloca continuamente.

Além disso, grande parte das imagens utilizadas como referência passa por seleção, iluminação, poses, maquiagem, procedimentos e edição. A mulher compara seu corpo cotidiano, visto em diferentes ângulos e condições, com uma imagem cuidadosamente produzida.

Essa comparação nunca acontece em igualdade de condições.

O problema não está em apreciar a beleza de outra pessoa. Começa quando a existência dela é utilizada como prova de que há algo errado conosco.

A comparação apaga a própria história

Comparar-se parece uma maneira de descobrir se estamos bem, mas frequentemente produz o efeito contrário. Quanto mais a mulher observa outras pessoas para medir o próprio valor, mais se distancia de sua história, de suas características e de suas necessidades.

Ela vê o resultado visível da outra, mas não conhece completamente sua genética, rotina, saúde, recursos financeiros, tratamentos, sofrimentos ou inseguranças.

A comparação seleciona apenas aquilo que parece confirmar nossa insuficiência.

Quando estamos insatisfeitas com o corpo, nossa atenção se volta para mulheres que possuem exatamente as características que gostaríamos de ter. Não percebemos a diversidade ao redor. Também ignoramos aquilo que existe de singular em nós.

A comparação transforma o corpo em uma competição na qual sempre haverá alguém mais jovem, mais magra, mais alta, mais musculosa ou mais próxima do padrão vigente.

Mas a vida não deveria ser uma disputa permanente por aprovação estética.

Você não precisa ser a mulher mais bonita de um ambiente para ter o direito de estar nele. Não precisa esperar emagrecer para aparecer nas fotografias, comprar uma roupa confortável, ir à praia, encontrar pessoas ou participar de momentos importantes.

Adiar a vida até alcançar determinado corpo pode fazer com que anos inteiros sejam vividos pela metade.

O corpo que muda também conta uma história

O corpo feminino não permanece igual ao longo da vida.

Ele atravessa a infância, a puberdade, a vida adulta e o envelhecimento. Pode passar por gravidez, parto, amamentação, doenças, tratamentos, alterações hormonais e menopausa. Também responde ao estresse, à qualidade do sono, à rotina e às condições emocionais.

Esperar que o corpo de uma mulher madura seja idêntico ao de sua juventude é ignorar tudo o que ela viveu.

As marcas, dobras, cicatrizes, mudanças de textura e alterações na distribuição de gordura não representam necessariamente descuido. Muitas vezes, são sinais de um organismo vivo atravessando o tempo.

Isso não significa que a mulher seja obrigada a gostar de todas as mudanças. Algumas podem provocar estranhamento, tristeza ou dificuldade de adaptação. Esses sentimentos merecem ser acolhidos, não ridicularizados.

Aceitar a realidade do corpo não significa desistir de cuidar dele. Significa partir de uma relação mais honesta e menos violenta.

Posso desejar fortalecer meu corpo sem desprezá-lo por ainda não estar como gostaria.

Posso buscar orientação profissional sem transformar cada consulta em um julgamento.

Posso mudar meus hábitos sem acreditar que preciso me odiar para conseguir mudar.

Quando o espelho se torna um tribunal

Algumas mulheres não se olham no espelho. Outras se observam repetidamente, procurando imperfeições e verificando se algo mudou. Apesar de parecerem atitudes opostas, ambas podem revelar sofrimento em relação à autoimagem.

Quando o espelho funciona como um tribunal, a mulher é simultaneamente acusada e juíza. Ela se examina utilizando critérios rígidos que, muitas vezes, jamais aplicaria a alguém que ama.

Pode olhar para uma amiga e perceber sua beleza por inteiro. Enxerga seu sorriso, sua presença, sua história e seu modo de tratar as pessoas. Mas, ao olhar para si, reduz toda a identidade a uma parte do corpo que não aprecia.

Essa redução é injusta.

Você não é apenas aquilo que consegue enxergar em um momento de insatisfação. Seu corpo faz parte de sua identidade, mas não contém tudo o que você é.

Existe uma mulher completa diante do espelho. Uma mulher que pensa, sente, trabalha, aprende, enfrenta dificuldades, constrói vínculos, desenvolve habilidades e carrega uma história que nenhum reflexo consegue mostrar por inteiro.

Autoestima não é sentir-se bonita todos os dias

A autoestima não pode depender de acordar diariamente satisfeita com a aparência. Isso seria impossível, porque nossa percepção muda conforme o humor, o cansaço, as circunstâncias e a maneira como estamos emocionalmente.

Existirão dias em que você gostará mais do que vê e outros em que se sentirá desconfortável. Uma relação saudável com o corpo não exige satisfação permanente.

A mudança começa quando um dia de insatisfação não se transforma em autorização para se agredir.

Você pode não gostar de determinada característica e ainda assim recusar-se a humilhar a si mesma. Pode sentir desconforto com uma roupa sem concluir que seu corpo inteiro está errado. Pode reconhecer que ganhou peso sem transformar essa constatação em sentença sobre seu valor.

Talvez o primeiro passo não seja amar completamente o corpo, mas desenvolver respeito por ele.

O amor pode parecer distante quando a rejeição foi cultivada durante muitos anos. O respeito, entretanto, pode começar com atitudes concretas: alimentar-se adequadamente, descansar, movimentar-se de maneira possível, usar roupas confortáveis, procurar cuidados de saúde e interromper insultos dirigidos a si mesma.

O corpo não precisa ser amado para merecer cuidado

Existe uma pressão contemporânea para que todas as mulheres declarem amar cada parte do corpo. Embora a intenção possa ser positiva, essa exigência também pode gerar culpa.

Nem sempre conseguimos amar aquilo que aprendemos a rejeitar.

Por isso, uma alternativa mais realista é a neutralidade corporal: compreender que o corpo não precisa agradar esteticamente em todos os momentos para ser tratado com dignidade.

Em vez de perguntar apenas “Como meu corpo parece?”, podemos começar a perguntar:

“O que meu corpo precisa hoje?”

“Como ele está se sentindo?”

“Tenho oferecido descanso, alimento, movimento e cuidado?”

“Estou respeitando seus limites?”

“Que experiências ele me permite viver?”

Essa mudança retira o corpo da condição de objeto a ser observado e o reconhece como parte viva de nossa existência.

Seu corpo permite que você caminhe, abrace, trabalhe, aprenda, descanse, perceba o mundo e esteja presente na vida das pessoas. Mesmo quando enfrenta limitações, continua merecendo respeito e cuidado.

Cuidar não é castigar

Uma relação mais saudável com o corpo muda a motivação do cuidado.

O movimento deixa de ser punição pelo que foi comido e pode se tornar uma forma de fortalecer o organismo, aliviar tensões e ampliar o bem-estar. A alimentação deixa de ser uma guerra entre proibição e culpa e passa a ser compreendida como nutrição, prazer, cultura e convivência.

Descansar deixa de ser preguiça. Procurar ajuda deixa de ser fracasso. Vestir uma roupa adequada ao corpo atual deixa de representar desistência.

Cuidar do corpo é diferente de tentar dominá-lo.

Quando todo cuidado é guiado pelo medo de engordar, envelhecer ou deixar de ser desejada, o corpo permanece sob ameaça. Quando o cuidado nasce do respeito, torna-se mais possível construir hábitos sustentáveis, flexíveis e compatíveis com a vida real.

Se pensamentos sobre peso, alimentação ou aparência ocupam grande parte do dia, provocam culpa intensa, levam a restrições severas, episódios de perda de controle ou comportamentos compensatórios, é importante procurar apoio profissional. Não é necessário esperar que o sofrimento se torne insuportável para pedir ajuda.

A mulher inteira diante do espelho

Talvez você ainda não consiga olhar para o espelho e gostar de tudo o que vê. A proposta não é forçar uma admiração que ainda não existe.

Comece reconhecendo a mulher inteira.

Olhe além do peso, das marcas e das medidas. Observe a pessoa que atravessou situações difíceis, sustentou responsabilidades, aprendeu, recomeçou e continua se construindo.

Seu corpo não precisa ser um projeto eternamente inacabado. Ele pode ser o lugar onde sua vida acontece agora.

A mulher que você vê no espelho não precisa ser comparada com a menina que foi, com a mulher que gostaria de ter sido ou com as imagens que aparecem nas redes sociais.

Ela precisa ser encontrada.

Talvez, durante muito tempo, você tenha olhado para si procurando defeitos. Agora pode aprender a olhar procurando verdade.

A verdade é que seu corpo mudou.

A verdade é que você pode desejar cuidar melhor dele.

A verdade também é que nenhuma mudança corporal aumentará ou diminuirá sua dignidade.

Você não precisa escolher entre se aceitar e cuidar da saúde. Pode fazer as duas coisas. A aceitação não impede a mudança. Ela apenas recusa a violência como caminho para alcançá-la.

Para refletir

  • O que costumo procurar primeiro quando me olho no espelho?
  • Minha percepção do corpo muda de acordo com o número apresentado pela balança?
  • Quais comentários sobre minha aparência ainda permanecem em minha memória?
  • Com quem costumo me comparar?
  • O que tenho deixado de viver por não me sentir satisfeita com meu corpo?
  • Eu trataria outra mulher da maneira como trato a mim mesma?
  • Meus cuidados são motivados pelo respeito ou pela rejeição?
  • O que meu corpo representa para mim além da aparência?
  • Que parte da minha história corporal ainda precisa ser acolhida?
  • Como desejo me sentir em relação ao meu corpo, mesmo que ele não mude?

Exercício terapêutico: as vozes diante do espelho

Divida uma folha em três partes.

Na primeira, escreva:

O que disseram sobre meu corpo

Registre comentários, comparações e mensagens que marcaram sua autoimagem.

Na segunda, escreva:

O que aprendi a dizer para mim mesma

Observe quais dessas mensagens se transformaram em sua própria voz interna.

Na terceira, escreva:

Como escolho me tratar a partir de agora

Transforme cada crítica em uma afirmação mais justa e respeitosa.

Mensagem recebida: “Você precisa emagrecer para ficar bonita.”
Nova construção: “Meu valor e meu direito de viver plenamente não dependem de determinado peso.”

Mensagem recebida: “Seu corpo não é como era antes.”
Nova construção: “Meu corpo mudou porque minha vida também mudou. Ele continua merecendo cuidado.”

Mensagem recebida: “Você não deveria usar essa roupa.”
Nova construção: “Tenho o direito de usar roupas adequadas, confortáveis e que expressem quem sou.”

Exercício do espelho: enxergar a mulher inteira

Fique diante do espelho por alguns minutos. Em vez de procurar aquilo que deseja mudar, observe sua imagem sem fazer julgamentos imediatos.

Respire devagar e diga:

  • Este é o meu corpo hoje.
  • Ele carrega partes da minha história.
  • Nem sempre preciso gostar de tudo para tratá-lo com respeito.
  • Meu peso não resume quem sou.
  • Posso cuidar de mim sem me maltratar.
  • Tenho o direito de viver enquanto continuo me construindo.

Se esse exercício provocar sofrimento intenso, interrompa-o. Comece escrevendo as frases em um papel e retome o contato com o espelho gradualmente, respeitando seus limites.

Inventário para além da aparência

Escreva dez características suas que não estejam relacionadas ao corpo.

Você pode incluir:

  • valores;
  • habilidades;
  • conhecimentos;
  • atitudes;
  • formas de cuidar;
  • desafios que superou;
  • qualidades que desenvolveu;
  • aspectos de sua personalidade;
  • sonhos e interesses;
  • contribuições que oferece às pessoas.

Depois, complete:

Quando não reduzo minha identidade à aparência, reconheço que sou uma mulher que…

Um pequeno passo para esta semana

Escolha uma atitude de respeito ao corpo:

  • reduzir a frequência com que se pesa;
  • deixar de seguir um perfil que estimula comparação;
  • utilizar uma roupa adequada ao corpo atual;
  • fazer uma refeição sem classificá-la como culpa ou recompensa;
  • movimentar-se de uma forma que não pareça punição;
  • marcar um cuidado de saúde que vem sendo adiado;
  • descansar quando perceber cansaço;
  • interromper um comentário ofensivo sobre si mesma;
  • participar de uma fotografia sem tentar esconder o corpo;
  • agradecer ao corpo por algo que ele lhe permitiu viver.

Escolha uma ação possível e observe como se sente ao realizá-la.

Mensagem para guardar

O espelho pode mostrar meu corpo, mas não possui autoridade para determinar o meu valor. Posso cuidar da mulher que vejo sem transformá-la em inimiga.

Profa. Fran Narnib

Aprendendo Ciências de forma divertida: recursos digitais que realmente ajudam na aprendizagem

Ciências e Biologia estão entre as minhas áreas preferidas. Estudar células, organismos, plantas, animais, corpo humano, ambiente e Universo é descobrir um pouco mais sobre a vida e sobre o mundo do qual fazemos parte.

Entretanto, alguns conteúdos podem parecer abstratos quando são apresentados apenas por meio de textos, nomes e definições. Como imaginar o funcionamento de uma célula, visualizar uma molécula em três dimensões ou compreender as relações existentes em um ecossistema?

Os recursos digitais podem ajudar nessa tarefa. Simulações, jogos, modelos tridimensionais e plataformas de ciência cidadã possibilitam observar fenômenos, testar hipóteses e interagir com representações que seriam difíceis de levar para a sala de aula.

Mas é importante lembrar: tecnologia, sozinha, não garante aprendizagem. O aplicativo precisa estar relacionado a um objetivo pedagógico e ser acompanhado por perguntas, investigação, discussão e orientação do professor.

A tecnologia substitui o laboratório?

Não completamente.

Simulações digitais são especialmente úteis quando a escola não dispõe de laboratório, quando a experiência envolve riscos ou quando o fenômeno acontece em uma escala muito pequena, muito grande, muito rápida ou muito lenta para ser observado diretamente.

Elas podem permitir que os estudantes:

  • Testem diferentes variáveis
  • Repitam uma experiência
  • Observem estruturas microscópicas
  • Manipulem modelos tridimensionais
  • Simulem fenômenos naturais
  • Analisem dados
  • Cometam erros sem se expor a riscos
  • Desenvolvam hipóteses e previsões

Entretanto, esses recursos não substituem integralmente a manipulação de materiais, o uso de instrumentos, a observação direta, o contato com a natureza e a aprendizagem das normas de biossegurança.

O melhor caminho é integrar atividades digitais, práticas, leituras, investigação e diálogo.

Recursos digitais para ensinar e aprender Ciências

A seguir, apresento plataformas que podem ser utilizadas por professores, estudantes e pessoas interessadas em aprender Ciências e Biologia. Alguns recursos estão em inglês, mas o navegador pode auxiliar na tradução das páginas.

Como aplicativos e sites podem modificar suas condições de acesso, recomenda-se conferir as informações e testar todas as atividades antes de utilizá-las em aula.

1. PhET Interactive Simulations

Desenvolvido pela Universidade do Colorado Boulder, o PhET reúne simulações interativas de Física, Química, Matemática, Ciências da Terra e Biologia.

As atividades permitem modificar variáveis e observar imediatamente as consequências. Em uma simulação sobre seleção natural, por exemplo, os estudantes podem alterar características dos organismos e condições ambientais para investigar como esses fatores influenciam uma população.

Indicado para: anos finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Superior.

Idioma: muitas simulações estão disponíveis em português.

Acesso: gratuito pelo navegador. Algumas simulações também podem funcionar sem conexão depois de baixadas.

Sugestão de atividade: antes de usar a simulação, peça aos estudantes que façam uma previsão. Depois, comparem o resultado observado com a hipótese inicial.

Acesse: PhET Interactive Simulations

2. HHMI BioInteractive

O HHMI BioInteractive é uma plataforma produzida pelo Howard Hughes Medical Institute. Ela reúne animações, vídeos, estudos de caso, atividades investigativas, recursos interativos e materiais para professores.

Os conteúdos abordam genética, evolução, ecologia, biodiversidade, saúde, biologia celular e molecular.

Indicado para: Ensino Médio, cursos técnicos e Ensino Superior.

Idioma: a maior parte do conteúdo está em inglês, mas alguns materiais possuem versões ou legendas em espanhol.

Acesso: gratuito.

Sugestão de atividade: utilize um estudo de caso para apresentar um problema real e peça aos estudantes que interpretem as evidências antes de conhecerem as conclusões dos pesquisadores.

Acesse: HHMI BioInteractive

3. Ask A Biologist

Desenvolvida pela Universidade Estadual do Arizona, a plataforma Ask A Biologist oferece textos, jogos, atividades, vídeos, podcasts e simulações sobre diferentes temas da Biologia.

Entre os recursos disponíveis estão visualizadores de células, atividades sobre ossos, genética, ecossistemas, animais e funcionamento do organismo.

Indicado para: Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Idioma: principalmente inglês. Alguns materiais possuem versões em espanhol.

Acesso: gratuito pelo navegador.

Sugestão de atividade: no jogo sobre partes da célula, os estudantes podem identificar as estruturas e, depois, elaborar uma comparação entre a célula e uma cidade ou uma escola, relacionando cada organela a uma função.

Acesse: Ask A Biologist — jogos e simulações

4. Pl@ntNet

O Pl@ntNet auxilia na identificação de plantas por meio de fotografias. O usuário registra folhas, flores, frutos, cascas ou outras estruturas, e o sistema apresenta espécies visualmente semelhantes.

A plataforma também funciona como um projeto de ciência cidadã, reunindo observações que podem contribuir para o conhecimento sobre a biodiversidade.

Indicado para: Ensino Fundamental, Ensino Médio e projetos de educação ambiental.

Idioma: disponível em português.

Acesso: possui aplicativo e versão para navegador.

Sugestão de atividade: organize um levantamento das plantas existentes na escola ou na comunidade. Os estudantes podem fotografá-las, registrar suas características e comparar as sugestões apresentadas pelo aplicativo.

Atenção: o resultado é uma sugestão e pode estar incorreto. A identificação deve ser confirmada com outras fontes ou por especialistas. Nunca utilize apenas um aplicativo para decidir se uma planta é comestível, medicinal ou segura.

Acesse: Pl@ntNet

5. Map of Life

O Map of Life reúne dados sobre a distribuição de espécies em diferentes regiões do planeta. A plataforma permite explorar mapas, consultar registros e conhecer melhor a biodiversidade.

Pode ser utilizada para trabalhar biomas, conservação, distribuição geográfica, espécies ameaçadas e relações entre organismos e ambiente.

Indicado para: anos finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Superior.

Idioma: principalmente inglês.

Acesso: plataforma on-line e recursos para dispositivos móveis.

Sugestão de atividade: escolha uma espécie nativa e investigue onde ela ocorre. Em seguida, analise quais mudanças ambientais podem ameaçar sua sobrevivência.

Acesse: Map of Life

6. Neuronify

O Neuronify é um simulador desenvolvido para ajudar na compreensão do comportamento dos neurônios e das redes neurais.

Nele, é possível criar conexões, modificar estímulos e observar como alterações em células individuais influenciam a atividade de uma rede.

Indicado para: Ensino Médio, cursos técnicos e Ensino Superior.

Idioma: inglês.

Acesso: disponível para diferentes sistemas e também em versão on-line.

Sugestão de atividade: construa uma rede simples com neurônios excitatórios e inibitórios. Depois, modifique as conexões e registre como o comportamento da rede se altera.

Atenção: o simulador utiliza modelos matemáticos simplificados. Ele ajuda a compreender alguns princípios, mas não reproduz toda a complexidade do sistema nervoso humano.

Acesse: Neuronify

7. MolView

O MolView permite pesquisar, construir e visualizar moléculas em duas e três dimensões. É possível girar as estruturas, observar ligações químicas e consultar diferentes bases de dados.

Embora esteja muito relacionado à Química, também pode auxiliar no ensino de Bioquímica e Biologia Molecular.

Indicado para: Ensino Médio, cursos técnicos e Ensino Superior.

Idioma: inglês.

Acesso: gratuito pelo navegador.

Sugestão de atividade: compare as estruturas tridimensionais da água, da glicose, de um aminoácido e da cafeína. Peça aos estudantes que observem o número de átomos, os elementos presentes e as diferenças entre as moléculas.

Acesse: MolView

8. Stellarium

O Stellarium transforma o computador ou o celular em um planetário. Ele permite observar estrelas, planetas, constelações e outros corpos celestes de acordo com a localização, a data e o horário escolhidos.

É uma ferramenta interessante para trabalhar astronomia, movimentos aparentes do céu, fases da Lua e orientação.

Indicado para: Ensino Fundamental, Ensino Médio e público em geral.

Idioma: disponível em português.

Acesso: possui versão para computador, navegador e dispositivos móveis. As condições de gratuidade podem variar entre as versões.

Sugestão de atividade: peça aos estudantes que observem o céu virtual no mesmo horário durante diferentes meses e registrem quais mudanças aparecem na posição das constelações e dos planetas.

Acesse: Stellarium

Antes de utilizar um aplicativo com os estudantes

Nem todo recurso que parece educativo possui conteúdo confiável ou foi desenvolvido com finalidade pedagógica. Antes de levar uma plataforma para a turma, o professor deve observar:

  • Quem desenvolveu o recurso
  • Se as informações possuem fundamento científico
  • Para qual idade ele é indicado
  • Se exige cadastro
  • Quais dados pessoais são coletados
  • Se apresenta anúncios ou compras internas
  • Se funciona nos aparelhos disponíveis
  • Se exige conexão permanente com a internet
  • Se possui recursos de acessibilidade
  • Se há alternativa para quem não possui celular ou computador

Quando os estudantes são crianças ou adolescentes, o cuidado com privacidade e proteção de dados deve ser ainda maior. Não é adequado solicitar que criem contas pessoais sem verificar as regras da escola e as condições de uso da plataforma.

Como transformar um jogo em aprendizagem?

Entregar um aplicativo aos estudantes sem orientação pode gerar entretenimento, mas não necessariamente conhecimento.

Para aproveitar melhor um recurso digital, o professor pode organizar a atividade em quatro momentos:

1. Apresentar uma pergunta

Comece com um problema que desperte a curiosidade. Por exemplo: “O que aconteceria com uma população de coelhos se o ambiente mudasse de cor?”

2. Registrar uma hipótese

Antes de iniciar a simulação, peça aos estudantes que escrevam o que acreditam que acontecerá e expliquem o motivo.

3. Explorar e coletar informações

Durante a atividade, os estudantes devem observar, comparar, registrar resultados e modificar uma variável de cada vez.

4. Discutir os resultados

Ao final, compare as hipóteses com os resultados. Pergunte o que foi descoberto, quais dúvidas permaneceram e quais limitações existem no modelo utilizado.

Essa sequência transforma a tecnologia em instrumento de investigação, e não apenas em uma distração colorida.

E quando não há internet ou celular?

Ensinar Ciências de forma interessante não depende exclusivamente de tecnologia.

É possível desenvolver atividades com materiais simples, como:

  • Construção de modelos celulares
  • Observação de folhas, sementes e insetos
  • Produção de terrários
  • Jogos de cartas sobre cadeias alimentares
  • Experimentos com água, luz, solo e germinação
  • Modelos do sistema respiratório
  • Coleções de imagens
  • Histórias investigativas
  • Debates e resolução de problemas
  • Observação do céu
  • Mapas conceituais

Também é possível projetar uma simulação para toda a turma ou organizar atividades em grupos, evitando excluir quem não possui dispositivo próprio.

Aprender Ciências é aprender a investigar

Os recursos digitais podem tornar visível o que antes parecia distante ou abstrato. Entretanto, seu maior valor não está apenas nas animações ou nas imagens tridimensionais, mas nas perguntas que ajudam a construir.

Aprender Ciências não é decorar uma lista de nomes. É observar, formular hipóteses, procurar evidências, reconhecer erros, comparar explicações e compreender que o conhecimento científico está sempre sendo construído e aperfeiçoado.

Quando utilizada com propósito, a tecnologia pode transformar a curiosidade em investigação e aproximar os estudantes da ciência de maneira crítica, participativa e verdadeiramente significativa.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: PhET Interactive Simulations, HHMI BioInteractive, Ask A Biologist, Pl@ntNet, Neuronify e MolView.

Suor nas axilas: por que o mau cheiro acontece e como combatê-lo?

“Suar é uma função natural do organismo. O problema não é o suor, mas o que acontece quando ele encontra as bactérias presentes na pele.”

Você sua muito? Entenda o que acontece

Suar faz parte do funcionamento normal do corpo. No entanto, muitas pessoas se perguntam por que algumas transpiram mais do que outras ou por que o suor das axilas apresenta um odor característico, enquanto em outras regiões isso não acontece.

A boa notícia é que o suor, por si só, não possui cheiro. O famoso “cecê”, conhecido cientificamente como bromidrose, surge quando bactérias naturalmente presentes na pele degradam substâncias encontradas no suor, especialmente aquele produzido pelas glândulas apócrinas.

Compreender esse mecanismo é o primeiro passo para prevenir e controlar o problema.

Qual é a função do suor?

O suor é um líquido produzido pelas glândulas sudoríparas cuja principal função é regular a temperatura corporal.

Quando a temperatura do corpo aumenta, seja por causa do calor, da prática de exercícios físicos, da febre ou até mesmo do estresse, as glândulas produzem suor. Ao evaporar na superfície da pele, esse líquido ajuda a resfriar o organismo, mantendo o equilíbrio da temperatura corporal.

Esse processo recebe o nome de termorregulação e é essencial para a manutenção da vida.

O que é homeostase?

Nosso organismo trabalha continuamente para manter um ambiente interno equilibrado, independentemente das mudanças do ambiente externo.

Esse equilíbrio é chamado de homeostase.

Entre os vários mecanismos envolvidos na homeostase está justamente a sudorese, responsável por impedir que o corpo superaqueça.

O que são as glândulas sudoríparas?

As glândulas sudoríparas são pequenas estruturas presentes na pele responsáveis pela produção do suor.

Existem milhões delas distribuídas por praticamente todo o corpo, com exceção de algumas regiões específicas, como os lábios, a glande do pênis, o prepúcio, o clitóris e os pequenos lábios da vulva.

Essas glândulas pertencem ao grupo das glândulas exócrinas, pois liberam suas secreções diretamente na superfície da pele ou nos folículos pilosos.

Existem dois tipos de glândulas sudoríparas

Glândulas écrinas

São as mais numerosas.

Estão distribuídas por quase toda a superfície corporal, concentrando-se principalmente nas palmas das mãos, plantas dos pés e testa.

Produzem um suor mais aquoso, composto principalmente por água, sais minerais e pequenas quantidades de ureia e outras substâncias.

São responsáveis pelo controle da temperatura corporal.

Glândulas apócrinas

São maiores e encontram-se principalmente:

  • Axilas
  • Aréolas mamárias
  • Região genital
  • Região perianal

Essas glândulas começam a funcionar na puberdade e produzem uma secreção mais espessa e rica em proteínas e lipídios.

Curiosamente, essa secreção também não possui cheiro.

O odor aparece quando as bactérias presentes na pele degradam essas substâncias.

Afinal, por que as axilas têm cheiro?

As axilas oferecem um ambiente perfeito para a proliferação das bactérias.

Ali existe:

  • maior temperatura;
  • pouca ventilação;
  • presença de pelos;
  • maior umidade.

Essas condições favorecem a multiplicação dos microrganismos, que utilizam componentes do suor como alimento e liberam compostos responsáveis pelo odor desagradável.

Portanto, o problema não é o suor em si, mas a interação entre suor e bactérias.

O que é hiperidrose?

Algumas pessoas apresentam uma produção exagerada de suor, condição conhecida como hiperidrose.

Ela pode ocorrer principalmente:

  • nas axilas;
  • nas mãos;
  • nos pés;
  • no rosto.

A hiperidrose pode causar desconforto emocional, dificuldades nas atividades diárias e prejuízos à qualidade de vida.

Nesses casos, é importante procurar orientação médica para avaliação e tratamento.

O que pode aumentar o suor e o odor?

Diversos fatores influenciam a transpiração e o odor corporal, entre eles:

  • calor intenso;
  • prática de exercícios físicos;
  • estresse e ansiedade;
  • alterações hormonais;
  • obesidade;
  • consumo excessivo de alimentos muito condimentados;
  • bebidas alcoólicas;
  • algumas doenças;
  • determinados medicamentos.

Como reduzir o mau cheiro nas axilas?

Algumas medidas simples ajudam bastante.

Mantenha uma boa higiene

Lavar diariamente as axilas com água e sabonete ajuda a reduzir a quantidade de bactérias presentes na pele.

Mantenha a região seca

Após o banho, seque bem as axilas antes de aplicar o desodorante.

Utilize desodorantes ou antitranspirantes

Os desodorantes ajudam a controlar o odor.

Os antitranspirantes reduzem a produção de suor e podem ser bastante eficazes para quem transpira excessivamente.

Prefira roupas leves

Tecidos de algodão favorecem a ventilação da pele e diminuem a umidade local.

Depilação

A remoção dos pelos pode facilitar a higiene e diminuir o acúmulo de bactérias e suor.

Receitas caseiras funcionam?

Algumas receitas populares utilizam bicarbonato de sódio, leite de magnésia ou limão.

Embora algumas pessoas relatem melhora, essas alternativas devem ser usadas com cautela.

O limão, por exemplo, pode causar queimaduras e manchas na pele quando há exposição à luz solar, devido a uma reação chamada fitofotodermatite.

Por isso, o uso de receitas caseiras não substitui a orientação de um profissional de saúde, especialmente quando o problema é persistente.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica se:

  • o suor surgir de forma repentina e intensa;
  • houver suor excessivo mesmo em repouso;
  • o odor persistir apesar dos cuidados de higiene;
  • a transpiração estiver comprometendo sua qualidade de vida.

Dermatologistas podem indicar tratamentos específicos, incluindo medicamentos, antitranspirantes de alta concentração, aplicação de toxina botulínica (Botox®) e outros procedimentos, conforme cada caso.

 Curiosidade BioPsicoEduca

Você sabia que uma pessoa pode produzir mais de 1 litro de suor por hora durante exercícios intensos ou em ambientes muito quentes?

Essa é uma resposta natural do organismo para evitar o superaquecimento.

Resumindo

✔ O suor é essencial para controlar a temperatura do corpo.

✔ O suor não possui cheiro.

✔ O odor das axilas é causado pela ação das bactérias sobre a secreção das glândulas apócrinas.

✔ Higiene, antitranspirantes e roupas adequadas ajudam a controlar o problema.

✔ Casos de suor excessivo ou odor persistente devem ser avaliados por um médico.

Profa. Fran Narnib

TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL(TPM)

Tensão pré-menstrual: quando os sintomas vão além de um simples incômodo

A sigla TPM, usada para designar a tensão pré-menstrual, muitas vezes aparece em piadas, comentários depreciativos e até situações de bullying contra as mulheres. No entanto, a TPM não é “frescura”, falta de controle ou uma característica da personalidade. Trata-se de uma condição real, relacionada ao ciclo menstrual, que pode provocar sintomas físicos, emocionais e comportamentais.

Esses sintomas costumam surgir durante a fase lútea, período compreendido entre a ovulação e o início da menstruação. Geralmente melhoram nos primeiros dias do fluxo menstrual e ficam ausentes ou muito reduzidos durante parte do ciclo.

Quando os sintomas são intensos, recorrentes e interferem nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos ou nas atividades cotidianas, é necessário procurar avaliação profissional.

Por que a TPM acontece?

A causa exata da TPM ainda não foi completamente esclarecida. As evidências indicam que ela não ocorre simplesmente porque a mulher possui “hormônios demais” ou “hormônios de menos”.

A explicação mais aceita envolve uma sensibilidade aumentada do cérebro às oscilações naturais do estrogênio e da progesterona após a ovulação. Essas mudanças podem influenciar neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, do sono, do apetite e da ansiedade, especialmente a serotonina e o ácido gama-aminobutírico, conhecido como GABA.

Nem todas as pessoas que menstruam respondem da mesma maneira às oscilações hormonais. Fatores genéticos, emocionais, sociais e ambientais podem influenciar a intensidade dos sintomas.

Entendendo o ciclo menstrual

O ciclo menstrual é regulado pela comunicação entre o hipotálamo, a hipófise e os ovários, formando o chamado eixo hipotálamo-hipófise-ovário.

A hipófise produz dois hormônios importantes:

  • FSH, ou hormônio folículo-estimulante: estimula o crescimento dos folículos ovarianos.
  • LH, ou hormônio luteinizante: participa da maturação folicular e seu aumento acentuado desencadeia a ovulação.

O ciclo pode ser dividido em três momentos principais:

Fase folicular

Começa no primeiro dia da menstruação. Nesse período, os folículos ovarianos se desenvolvem e os níveis de estrogênio aumentam gradualmente. O estrogênio estimula o crescimento do endométrio, tecido que reveste internamente o útero.

A duração dessa fase varia de uma pessoa para outra e também entre diferentes ciclos. Por isso, não se pode afirmar que todas as mulheres ovulam no 14º dia.

Ovulação

O aumento do LH provoca a liberação do ovócito pelo ovário. Em um ciclo de 28 dias, ela pode acontecer aproximadamente no meio do ciclo, mas essa data pode variar.

Após a ovulação, o ovócito permanece viável por cerca de 12 a 24 horas. Como os espermatozoides podem sobreviver por vários dias no trato reprodutivo, existe possibilidade de gravidez quando há relação sexual nos dias que antecedem a ovulação.

Fase lútea

Após a ovulação, o folículo rompido transforma-se no corpo lúteo, que produz principalmente progesterona, além de estrogênio. Esses hormônios preparam o endométrio para uma possível gestação.

Quando não ocorre gravidez, o corpo lúteo regride, os níveis hormonais diminuem e o endométrio descama, dando início a uma nova menstruação. É durante essa fase, especialmente nos dias anteriores ao fluxo menstrual, que os sintomas da TPM costumam aparecer.

Quais são os sintomas da TPM?

Os sintomas variam entre as pessoas e podem mudar ao longo da vida.

Sintomas físicos

  • Sensibilidade ou dor nas mamas
  • Inchaço e sensação de retenção de líquidos
  • Cólicas
  • Dor de cabeça
  • Cansaço
  • Alterações do sono
  • Dores musculares ou articulares
  • Mudanças no apetite
  • Desejo por determinados alimentos
  • Acne
  • Prisão de ventre ou alterações intestinais

Sintomas emocionais e comportamentais

  • Irritabilidade
  • Ansiedade
  • Oscilações de humor
  • Tristeza
  • Choro fácil
  • Dificuldade de concentração
  • Sensação de estar sobrecarregada
  • Alteração do interesse pelas atividades habituais
  • Afastamento social
  • Diminuição da energia
  • Mudanças no sono e no apetite

Para caracterizar uma síndrome pré-menstrual, não basta apresentar um sintoma isolado. É necessário que exista um padrão cíclico, com manifestações antes da menstruação, melhora após seu início e um período com poucos ou nenhum sintoma durante o restante do ciclo.

Existem cinco tipos de TPM?

Classificações como “TPM A, C, D, H e O” aparecem com frequência na internet, mas não fazem parte dos principais critérios diagnósticos adotados pelas diretrizes médicas atuais.

Essa divisão pode simplificar excessivamente uma condição complexa e levar à indicação de suplementos sem avaliação individual. O diagnóstico deve considerar quais sintomas estão presentes, sua intensidade, o período em que aparecem e o quanto interferem na vida da pessoa.

Também é importante verificar se não existe outra condição, como depressão, transtorno de ansiedade, transtorno bipolar, alterações da tireoide, endometriose ou efeitos de medicamentos. Algumas dessas condições podem piorar antes da menstruação e ser confundidas com TPM.

O que é transtorno disfórico pré-menstrual?

O transtorno disfórico pré-menstrual, conhecido como TDPM, é uma forma grave de transtorno pré-menstrual. Nele, predominam manifestações emocionais intensas, como:

  • Irritabilidade ou raiva acentuada
  • Tristeza profunda ou desesperança
  • Ansiedade intensa
  • Mudanças marcantes de humor
  • Dificuldade de concentração
  • Perda de interesse pelas atividades
  • Sensação de falta de controle
  • Comprometimento dos relacionamentos, dos estudos ou do trabalho

O TDPM não deve ser tratado como uma “TPM comum”. Ele necessita de avaliação médica e, em muitos casos, de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

Pensamentos de morte, automutilação ou suicídio exigem ajuda imediata. No Brasil, é possível procurar uma unidade de emergência, ligar para o SAMU pelo número 192 ou conversar com o Centro de Valorização da Vida pelo 188.

Como a TPM é diagnosticada?

Não existe um exame de sangue específico capaz de confirmar a TPM. O diagnóstico é clínico e depende principalmente da relação entre os sintomas e o ciclo menstrual.

Uma estratégia recomendada é registrar diariamente, por pelo menos dois ciclos consecutivos:

  • Sintomas físicos e emocionais
  • Intensidade de cada manifestação
  • Data de início e término da menstruação
  • Impacto nas atividades cotidianas
  • Uso de medicamentos
  • Qualidade do sono
  • Situações de estresse

Esse acompanhamento ajuda a diferenciar a TPM de sintomas que permanecem durante todo o mês ou apenas se intensificam no período pré-menstrual.

O que pode ajudar?

O tratamento depende da intensidade dos sintomas e deve ser individualizado.

Algumas medidas que podem contribuir para a melhora incluem:

  • Praticar atividade física regularmente
  • Manter horários de sono mais consistentes
  • Ter uma alimentação equilibrada
  • Reduzir o consumo excessivo de álcool
  • Observar se a cafeína piora ansiedade, insônia ou sensibilidade nas mamas
  • Desenvolver estratégias para controlar o estresse
  • Fazer psicoterapia quando os sintomas emocionais forem relevantes
  • Manter um diário menstrual e dos sintomas

Nos casos moderados ou graves, o profissional poderá avaliar tratamentos como terapia cognitivo-comportamental, determinados antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, e alguns contraceptivos hormonais.

A escolha depende dos sintomas, das condições de saúde, do desejo de engravidar, do uso de outros medicamentos e das preferências da paciente.

Vitaminas, minerais e chás exigem cuidado

Não é seguro recomendar automaticamente vitamina B6, magnésio, cálcio, cromo, zinco, vitamina E, ômega-3, cafeína ou produtos naturais para cada suposto “tipo de TPM”.

Alguns suplementos foram estudados, mas os resultados variam e a dose precisa ser avaliada. O excesso de certas substâncias pode provocar intoxicações, interações medicamentosas ou outros problemas. Doses elevadas e prolongadas de vitamina B6, por exemplo, podem causar lesões nos nervos.

Chás e plantas medicinais também não são inofensivos apenas por serem naturais. Alguns podem interagir com medicamentos, alterar a pressão arterial, aumentar a diurese ou ser inadequados durante a gravidez e em determinadas doenças.

Antes de utilizar suplementos, fitoterápicos ou medicamentos, converse com um profissional habilitado.

Quando procurar ajuda?

A avaliação profissional é especialmente importante quando:

  • Os sintomas prejudicam o trabalho, os estudos ou os relacionamentos
  • A tristeza, a ansiedade ou a irritabilidade são intensas
  • Há crises de pânico ou comportamento agressivo
  • Os sintomas permanecem durante quase todo o mês
  • As cólicas ou o sangramento são muito intensos
  • Há suspeita de depressão ou outra condição de saúde
  • As medidas de autocuidado não produzem melhora
  • Existem pensamentos de automutilação, morte ou suicídio

A TPM pode ser controlada, mas não existe uma única solução que funcione para todas as pessoas. Reconhecer o padrão dos sintomas, abandonar a ideia de que se trata de “frescura” e procurar orientação adequada são passos essenciais para recuperar a qualidade de vida.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Diretriz do American College of Obstetricians and Gynecologists, orientações do ACOG sobre síndrome pré-menstrual e Royal College of Obstetricians and Gynaecologists.

Estética e seus excessos: quando o cuidado com a aparência se transforma em sofrimento

Cuidar da aparência pode ser uma forma legítima de autocuidado, expressão pessoal e fortalecimento da autoestima. Usar maquiagem, cuidar da pele, mudar o cabelo ou realizar um procedimento estético não significa, por si só, que uma pessoa não aceite o próprio corpo.

O problema começa quando o desejo de cuidar de si é substituído pela obrigação de alcançar uma aparência considerada perfeita. Nesse momento, a estética deixa de representar uma escolha e passa a funcionar como uma cobrança permanente.

Vivemos em uma época em que rostos e corpos são observados, comparados, fotografados, editados e avaliados continuamente. Rugas, estrias, cicatrizes, poros, manchas, celulite, flacidez e outras características naturais passaram a ser apresentadas como defeitos que precisam ser corrigidos.

Mas até onde vai o autocuidado? Quando a busca pela beleza se torna excessiva? E quais são os riscos físicos e emocionais envolvidos?

A beleza transformada em obrigação

Os padrões de beleza sempre existiram, mas as redes sociais aumentaram sua velocidade e seu alcance. Diariamente somos expostos a imagens cuidadosamente produzidas, com iluminação profissional, maquiagem, poses, filtros e programas de edição.

O problema é que essas imagens modificadas são frequentemente interpretadas como representações da vida real. Com isso, muitas pessoas passam a comparar o próprio corpo, visto de todos os ângulos e em constante transformação, com uma fotografia selecionada e alterada.

Essa comparação é injusta e pode produzir uma sensação constante de inadequação. A pessoa deixa de perguntar “como eu gostaria de me cuidar?” e começa a pensar “o que preciso corrigir para ser aceita?”.

O padrão também muda rapidamente. Em determinado período, valoriza-se um corpo extremamente magro; em outro, curvas acentuadas. Sobrancelhas, lábios, nariz, cabelos e contornos faciais entram e saem de moda. Entretanto, o corpo humano não deveria ser tratado como uma peça que precisa acompanhar todas as tendências.

O mercado da insatisfação

Grande parte da indústria da beleza não vende apenas produtos ou procedimentos. Ela também pode vender a ideia de que existe algo errado com a pessoa.

Primeiro surge ou é reforçada uma insatisfação: o rosto está envelhecido, os lábios são pequenos, o nariz não tem o formato ideal, o corpo precisa ser definido. Depois aparece uma solução aparentemente rápida, muitas vezes divulgada com imagens de “antes e depois”, promoções e promessas de transformação.

Nem toda divulgação de serviços estéticos é abusiva. O problema está nas mensagens que exploram inseguranças, prometem resultados irreais, minimizam riscos ou fazem a pessoa acreditar que sua felicidade, seu relacionamento e seu sucesso dependem de uma mudança física.

Procedimentos estéticos são frequentemente apresentados como simples, rápidos e praticamente isentos de riscos. No entanto, qualquer intervenção que envolva substâncias injetáveis, equipamentos, anestesia ou ruptura da barreira da pele pode provocar complicações.

Quando nunca parece suficiente

Uma alteração estética pode gerar satisfação. Porém, quando a origem do sofrimento está em uma autoimagem profundamente negativa, o resultado pode não trazer o alívio esperado.

A pessoa corrige uma característica e logo encontra outra. Depois de um procedimento, passa a desejar mais volume, mais definição, mais simetria ou uma aparência ainda mais jovem. O problema deixa de ser uma parte específica do corpo e passa a ser a sensação de nunca estar suficientemente bonita.

Alguns sinais de alerta são:

  • Pensar na aparência durante grande parte do dia
  • Comparar-se constantemente com outras pessoas
  • Evitar fotografias, espelhos, encontros ou atividades sociais
  • Conferir repetidamente o próprio rosto ou corpo
  • Usar filtros em todas as imagens por não suportar a aparência real
  • Sentir vergonha intensa de características pouco perceptíveis para outras pessoas
  • Realizar procedimentos sucessivos sem alcançar satisfação
  • Gastar além das próprias condições financeiras
  • Acreditar que uma mudança física resolverá todos os problemas emocionais
  • Sentir ansiedade, tristeza ou desespero por causa da aparência

Esses comportamentos podem indicar que o sofrimento vai além de uma insatisfação cotidiana.

Transtorno dismórfico corporal

O transtorno dismórfico corporal é uma condição de saúde mental caracterizada pela preocupação intensa com um ou mais aspectos da aparência considerados defeituosos. A característica pode ser pequena ou nem sequer ser percebida pelas outras pessoas, mas provoca sofrimento real e significativo.

A pessoa pode passar muito tempo diante do espelho ou evitá-lo completamente, tentar esconder determinadas partes do corpo, buscar reafirmação constante e realizar sucessivos procedimentos estéticos.

Nesses casos, uma nova intervenção pode não solucionar o sofrimento. Como a dificuldade está relacionada à percepção da própria imagem, a insatisfação pode permanecer, mudar de local ou se intensificar.

Isso não significa que toda pessoa que deseja realizar um procedimento tenha um transtorno. O diagnóstico exige avaliação profissional. Entretanto, quando existe preocupação excessiva ou repetição compulsiva de intervenções, o cuidado psicológico ou psiquiátrico deve ser considerado antes de novos procedimentos.

Padronização dos rostos

Outro efeito dos excessos estéticos é a tentativa de reproduzir as mesmas características em pessoas diferentes: sobrancelhas, lábios, queixo, mandíbula, nariz e maçãs do rosto seguindo um único modelo.

Procedimentos bem indicados devem considerar a anatomia, a idade, a saúde, as proporções individuais e os desejos da pessoa. Quando todos os rostos são conduzidos ao mesmo padrão, expressões e características pessoais podem ser apagadas.

A diversidade humana inclui diferentes formatos, cores, texturas, proporções e sinais do envelhecimento. Beleza não deveria significar uniformidade.

Envelhecer não é adoecer

A valorização excessiva da juventude transformou acontecimentos naturais em problemas que supostamente precisam ser combatidos. Linhas de expressão, cabelos brancos, mudanças na pele e alterações do contorno corporal fazem parte do envelhecimento.

É possível desejar cuidar da pele ou suavizar determinada característica. O problema está em tratar o envelhecimento como fracasso, descuido ou perda de valor pessoal.

Essa cobrança é especialmente intensa sobre as mulheres. Espera-se que envelheçam, mas sem aparentar a idade; que cuidem da aparência, mas sem demonstrar esforço; e que permaneçam dentro de um padrão que se torna cada vez mais difícil de alcançar.

O envelhecimento pode trazer mudanças, perdas e desafios, mas também representa história, sobrevivência, aprendizado e continuidade da vida.

Procedimentos estéticos não são isentos de riscos

Mesmo procedimentos considerados pouco invasivos podem ocasionar:

  • Dor, hematomas e inchaço
  • Infecções
  • Reações alérgicas
  • Manchas e cicatrizes
  • Assimetrias
  • Lesões em nervos
  • Necrose de tecidos
  • Obstrução de vasos sanguíneos
  • Alterações visuais
  • Complicações anestésicas
  • Resultados permanentes ou de difícil correção

Em 2025, operações coordenadas pela Anvisa encontraram irregularidades em clínicas inspecionadas, incluindo produtos vencidos, substâncias sem registro, reutilização de materiais de uso único e equipamentos irregulares. Em março de 2026, a Agência reforçou que os preenchedores dérmicos devem ser usados somente nas regiões e nos volumes aprovados, pois aplicações fora dessas indicações aumentam a possibilidade de complicações.

Por isso, preço baixo, popularidade nas redes sociais e fotografias de resultados não são suficientes para avaliar a segurança de um serviço.

Antes de realizar um procedimento

Alguns cuidados são indispensáveis:

  • Verifique se o estabelecimento possui licença sanitária.
  • Confirme se o profissional está legalmente habilitado para realizar o procedimento.
  • Consulte o registro do profissional em seu respectivo conselho.
  • Pergunte sobre os riscos, contraindicações e alternativas.
  • Informe doenças, alergias e todos os medicamentos utilizados.
  • Confira se produtos e equipamentos estão regularizados pela Anvisa.
  • Peça para ver a embalagem, o lote e a validade do produto.
  • Não aceite substâncias sem identificação ou preparadas de maneira irregular.
  • Desconfie de resultados garantidos e de promessas como “risco zero”.
  • Não decida sob pressão de promoções com prazo muito curto.
  • Pergunte quem prestará assistência se ocorrer alguma complicação.
  • Leia cuidadosamente o termo de consentimento antes de assiná-lo.

Uma avaliação responsável também deve investigar as expectativas. O profissional ético precisa saber dizer não quando o procedimento é desnecessário, contraindicado ou incapaz de oferecer o resultado esperado.

Autocuidado ou autoagressão?

Uma maneira de refletir sobre essa diferença é observar de onde vem a decisão.

O autocuidado tende a nascer de uma escolha consciente. Considera riscos, limites, condições financeiras e expectativas possíveis. A pessoa compreende que seu valor não depende do resultado.

O comportamento excessivo costuma ser movido por medo, vergonha, comparação, rejeição ou necessidade de aprovação. A pessoa acredita que só poderá viver, relacionar-se, fotografar-se ou sentir-se digna depois de modificar o corpo.

Algumas perguntas podem ajudar:

  • Estou fazendo isso porque desejo ou porque me sinto pressionada?
  • Espero melhorar uma característica ou transformar completamente minha vida?
  • Conheço e aceito os riscos?
  • Consigo respeitar meus limites financeiros e físicos?
  • Continuaria desejando esse procedimento se ninguém mais soubesse?
  • O resultado que espero é realmente possível?
  • Tenho adiado minha vida até alcançar uma aparência ideal?
  • Preciso de um novo procedimento porque desejo ou porque nunca me sinto suficiente?

Beleza com liberdade e segurança

A estética pode fazer parte do autocuidado, mas não deve se transformar em prisão. Não há problema em desejar uma mudança. O que precisa ser questionado é a crença de que uma pessoa precisa mudar para merecer respeito, amor, oportunidades ou pertencimento.

Também não se trata de condenar os procedimentos estéticos ou responsabilizar individualmente quem os procura. Estamos inseridos em uma cultura que lucra com a insegurança e apresenta corpos reais como problemas a serem corrigidos.

Cuidar de si inclui proteger a saúde, respeitar os próprios limites, buscar informações confiáveis e reconhecer quando uma dor emocional está sendo depositada sobre o corpo.

Um procedimento pode alterar uma característica física. Ele não deve carregar a responsabilidade de curar sozinho a rejeição, a solidão, a baixa autoestima ou a sensação de não ser suficiente.

A beleza pode ser uma escolha. Nunca deveria ser uma obrigação.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Anvisa — Estética com Segurança, operação de fiscalização em clínicas de estética e orientações da Anvisa sobre preenchedores dérmicos.

Cosméticos artesanais: natural não significa necessariamente seguro

Sabonetes, xampus, condicionadores, hidratantes e sais de banho artesanais despertam interesse pela possibilidade de personalização, pelo contato com diferentes aromas e pela valorização do trabalho manual. Entretanto, produzir um cosmético envolve muito mais do que reunir ingredientes e seguir uma receita encontrada na internet.

A pele é um órgão vivo e pode reagir a substâncias naturais ou sintéticas. Por isso, todo produto aplicado no corpo precisa ser formulado com responsabilidade.

Artesanal não é sinônimo de natural

Um cosmético artesanal pode conter ingredientes naturais, sintéticos ou uma combinação dos dois. Conservantes, fragrâncias, corantes, tensoativos e reguladores de pH, por exemplo, podem ser necessários para garantir estabilidade, funcionalidade e segurança.

Da mesma forma, um cosmético industrializado não é necessariamente prejudicial. Produtos regularizados devem atender a critérios sanitários relacionados à composição, fabricação, rotulagem, qualidade e segurança.

O mais importante não é apenas saber se o produto é artesanal ou industrializado, mas conhecer sua procedência, sua formulação e as condições em que foi produzido.

Ingredientes naturais também podem causar reações

Óleos essenciais, extratos vegetais, argilas, manteigas e fragrâncias podem provocar irritações, alergias e sensibilização. Algumas substâncias também apresentam restrições de concentração ou não são adequadas para crianças, gestantes, pessoas alérgicas e indivíduos com determinadas doenças.

Óleos essenciais não devem ser aplicados diretamente sobre a pele sem avaliação e diluição apropriadas. Frutas, folhas, leite, mel e outros ingredientes frescos também podem favorecer a contaminação e reduzir a durabilidade da preparação.

“Natural”, portanto, descreve uma possível origem do ingrediente, mas não comprova que ele seja seguro para todas as pessoas.

O risco da contaminação

Produtos que contêm água, como xampus, condicionadores, cremes e sabonetes líquidos, podem oferecer condições para a proliferação de bactérias, fungos e leveduras.

Mesmo quando o produto aparenta estar normal, pode existir contaminação microbiológica. Alterações no odor, na cor ou na consistência são sinais de problema, mas sua ausência não garante segurança.

Para reduzir os riscos, é necessário controlar:

  • Qualidade das matérias-primas
  • Higienização do ambiente e dos utensílios
  • Qualidade da água utilizada
  • Temperatura de preparação
  • Concentração dos ingredientes
  • Sistema conservante
  • pH da formulação
  • Tipo de embalagem
  • Condições de armazenamento
  • Prazo de validade

Adicionar um conservante de maneira aleatória não resolve o problema. Ele precisa ser compatível com a formulação, utilizado na concentração permitida e apresentar eficácia contra os microrganismos que podem contaminar o produto.

Por que o pH é importante?

O pH influencia a estabilidade, a conservação e a interação do cosmético com a pele ou os cabelos. Um produto muito ácido ou muito alcalino pode provocar irritação, ressecamento, ardência e danos à fibra capilar.

Não é seguro avaliar o pH apenas pela aparência ou por uma receita. Ele deve ser medido com instrumentos adequados e corrigido de forma técnica quando necessário.

Receita não é o mesmo que formulação

Uma receita apresenta ingredientes e etapas. Uma formulação responsável considera também a função de cada componente, as concentrações permitidas, as incompatibilidades químicas, o pH, a estabilidade, a conservação, a embalagem e o modo de uso.

Trocar um ingrediente por outro ou alterar quantidades pode modificar completamente o produto. A mudança pode provocar separação, perda de eficácia, irritação ou contaminação.

Por isso, uma preparação não deve ser considerada segura apenas porque “deu certo” visualmente.

Produzir para si é diferente de fabricar para vender

Fazer uma pequena preparação para aprendizado ou uso pessoal não equivale a produzir cosméticos comercialmente.

A venda exige atenção às normas sanitárias, à regularização da empresa e do produto, às boas práticas de fabricação, à rotulagem, à rastreabilidade e ao controle de qualidade. Dependendo do tipo de cosmético, também podem ser necessárias comprovações específicas de segurança e eficácia.

A ideia de que basta seguir uma receita para começar rapidamente um negócio pode colocar tanto o consumidor quanto o produtor em risco. Além dos danos à saúde, a fabricação ou comercialização irregular pode gerar responsabilização administrativa, civil e penal.

Como escolher cosméticos com mais segurança?

Antes de usar ou comprar um cosmético, observe:

  • Identificação do fabricante
  • Lista de ingredientes
  • Número do lote
  • Prazo de validade
  • Modo de uso
  • Advertências e restrições
  • Integridade da embalagem
  • Situação do produto na Anvisa, quando aplicável

Evite produtos sem rótulo, sem procedência, com promessas milagrosas ou que aleguem tratar doenças. Cosméticos não devem ser apresentados como substitutos de medicamentos ou tratamentos médicos.

Se ocorrer coceira, ardência, vermelhidão, inchaço ou dificuldade para respirar, interrompa o uso. Reações intensas, extensas ou acompanhadas de sintomas respiratórios exigem atendimento imediato.

Conhecimento também é uma forma de cuidado

A produção artesanal pode ser criativa e interessante, mas precisa ser acompanhada de estudo, responsabilidade e respeito às normas sanitárias. A simplicidade de uma receita não elimina a complexidade da pele, dos ingredientes e dos microrganismos.

Antes de produzir, usar ou comercializar um cosmético, é necessário compreender que beleza e higiene também envolvem saúde.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Anvisa — conceitos e definições sobre cosméticos, Guia para avaliação de segurança de produtos cosméticos e Guia de controle de qualidade de produtos cosméticos.

APRENDENDO COM A FARMACOLOGIA

Fármaco, remédio e medicamento: você sabe a diferença?

Os medicamentos fazem parte da vida de muitas pessoas, mas nem sempre compreendemos como são produzidos, como agem no organismo e por que precisam ser utilizados com cuidado.

A ciência que estuda essas substâncias é a farmacologia. Ela investiga a origem, as propriedades, os mecanismos de ação, os efeitos e o destino dos fármacos no organismo.

Antes de conhecermos melhor esse assunto, é importante responder a uma pergunta: fármaco, medicamento e remédio significam a mesma coisa?

Embora esses termos sejam usados como sinônimos no cotidiano, eles possuem significados diferentes.

O que é fármaco?

O fármaco é a substância ativa responsável pelo efeito farmacológico. Ele interage com o organismo e pode produzir uma resposta destinada a prevenir, diagnosticar, controlar ou tratar uma condição de saúde.

Um medicamento pode conter um ou mais fármacos, além de outras substâncias chamadas excipientes, utilizadas para dar forma, estabilidade, sabor, conservação ou facilitar sua administração.

Por exemplo, o paracetamol é um fármaco. Quando ele é preparado em forma de comprimido, gotas ou solução oral, associado aos excipientes necessários e produzido conforme padrões de qualidade, passa a compor um medicamento.

O que é medicamento?

Segundo a Anvisa, medicamento é um produto farmacêutico tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou diagnóstica.

Isso significa que o medicamento é o produto final, apresentado em uma forma farmacêutica, como comprimido, cápsula, solução, suspensão, pomada ou injetável. Sua fabricação deve seguir critérios de qualidade, segurança e eficácia estabelecidos pelas autoridades sanitárias.

Portanto, não é correto afirmar que todo medicamento “é um fármaco”. O mais adequado é dizer que o fármaco é o princípio ativo presente no medicamento.

O que é remédio?

Remédio é um termo mais amplo. Ele pode ser empregado para designar qualquer cuidado ou recurso utilizado para promover conforto, aliviar um desconforto ou contribuir para a recuperação e o bem-estar.

Repouso, hidratação, alimentação adequada, fisioterapia, psicoterapia, massagem e banho morno podem ser considerados remédios em determinadas situações. Práticas religiosas, como a oração, também podem oferecer conforto e apoio espiritual, mas não devem substituir o tratamento profissional quando ele for necessário.

Todo medicamento pode ser considerado um remédio quando utilizado adequadamente, mas nem todo remédio é um medicamento.

Chás e plantas medicinais também exigem cuidado. O fato de uma substância ser natural não significa que ela seja sempre segura. Algumas plantas podem causar reações adversas, intoxicações ou interagir com medicamentos.

Qual é a origem dos fármacos?

Os fármacos podem ter diferentes origens:

  • Natural: obtidos ou inspirados em substâncias encontradas em plantas, animais, microrganismos ou minerais.
  • Sintética: produzidos por meio de processos químicos em laboratório.
  • Semissintética: substâncias naturais que passam por modificações químicas.
  • Biotecnológica: produzidos com a participação de células ou organismos vivos, como ocorre com alguns hormônios, anticorpos e medicamentos biológicos.

Atualmente, muitos fármacos que tiveram origem em substâncias naturais são produzidos ou modificados em laboratório para aumentar sua pureza, estabilidade, segurança ou eficácia.

O que é farmacoterapia?

Farmacoterapia é a utilização de medicamentos para prevenir, controlar ou tratar doenças e aliviar sinais e sintomas. Ela deve considerar fatores como diagnóstico, dose, horário, duração do tratamento, idade, condições clínicas e possíveis interações medicamentosas.

Quanto ao local de ação, os medicamentos podem produzir:

Ação local: o efeito ocorre principalmente no local em que o produto foi aplicado. Alguns colírios, pomadas e géis são exemplos. Entretanto, mesmo medicamentos aplicados sobre a pele ou as mucosas podem ser absorvidos e produzir efeitos em outras partes do organismo.

Ação sistêmica: o fármaco alcança a circulação sanguínea e é distribuído pelo organismo até os tecidos em que exercerá sua ação. Isso pode acontecer por diferentes vias, como oral, intravenosa, intramuscular, transdérmica ou inalatória.

A via de administração, sozinha, não determina se o efeito será local ou sistêmico. Alguns medicamentos ingeridos atuam principalmente no sistema digestório, enquanto determinados produtos aplicados na pele podem alcançar a circulação sanguínea.

Quais são as finalidades dos medicamentos?

Profilática ou preventiva: ajuda a evitar doenças ou complicações. Algumas medidas farmacológicas preventivas e os imunobiológicos, como as vacinas, cumprem essa finalidade.

Curativa: atua sobre a causa da doença e pode contribuir para sua cura. Os antibióticos, por exemplo, tratam determinadas infecções causadas por bactérias sensíveis. Eles não funcionam contra vírus e não devem ser utilizados sem orientação profissional.

Paliativa ou sintomática: alivia sinais, sintomas e sofrimento, mesmo quando não elimina a causa da doença. Analgésicos utilizados para controlar a dor são exemplos.

Diagnóstica: auxilia na realização ou interpretação de exames. Os meios de contraste empregados em determinados exames de imagem são exemplos de medicamentos utilizados com finalidade diagnóstica.

Medicamentos também oferecem riscos

Todo medicamento pode causar efeitos indesejados, interações ou intoxicações, inclusive aqueles vendidos sem receita. Por isso, devem ser utilizados na dose correta, durante o período indicado e com orientação de profissionais habilitados.

A automedicação pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico e provocar danos à saúde. No caso dos antibióticos, o uso inadequado ainda favorece o desenvolvimento da resistência bacteriana.

Medicamento não é um produto comum. Quando utilizado corretamente, pode proteger, aliviar e salvar vidas. Quando empregado de maneira inadequada, também pode causar sérios prejuízos.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Conceitos e definições da Anvisa, Cartilha “O que devemos saber sobre medicamentos” e orientações da Anvisa sobre o uso racional de medicamentos.

A Mulher que Estou Construindo

A mulher que me ensinaram a ser

Frase para reflexão:

“Antes de descobrir quem eu era, muitas pessoas já haviam me contado quem eu deveria ser.”

Nenhuma mulher começa a construir sua identidade apenas quando se torna adulta. Muito antes de conseguir escolher suas roupas, expressar suas opiniões ou compreender seus sentimentos, ela já recebe mensagens sobre o que significa ser mulher.

Essas mensagens chegam por meio da família, da escola, da cultura, dos relacionamentos e das experiências vividas. Algumas são transmitidas diretamente:

“Menina precisa se comportar.”

“Mulher bonita é mulher magra.”

“Você precisa aprender a cuidar de todos.”

“Não fale tão alto.”

“Seja forte.”

“Não decepcione ninguém.”

Outras mensagens não são pronunciadas, mas são aprendidas pela observação. A menina percebe quem possui voz dentro de casa, quem precisa ceder, quem recebe cuidado e quem vive cuidando de todos. Observa como as mulheres de sua família tratam o próprio corpo, enfrentam os problemas e se posicionam nos relacionamentos.

Antes mesmo de compreender o mundo, ela começa a formar uma imagem de quem precisa ser para receber amor, aprovação e pertencimento.

A identidade começa a ser construída nos relacionamentos

Nos primeiros anos de vida, aprendemos muito sobre nós mesmas por meio da maneira como somos tratadas. A criança ainda não possui recursos suficientes para avaliar se aquilo que dizem sobre ela é verdadeiro. Por isso, pode incorporar as palavras dos adultos como definições sobre quem é.

Uma menina que ouve repetidamente que é desajeitada pode crescer evitando desafios. Aquela que é comparada com irmãs ou colegas pode acreditar que nunca será suficientemente boa. Outra, elogiada apenas por sua aparência, pode aprender que seu valor depende de continuar bonita.

Há também aquela que recebeu reconhecimento por ser obediente, silenciosa e prestativa. Talvez tenha aprendido que só seria amada enquanto não incomodasse ninguém. Na vida adulta, poderá sentir dificuldade para discordar, estabelecer limites ou pedir ajuda.

Isso não significa que toda experiência da infância determine definitivamente o futuro. A identidade continua sendo construída e pode ser ressignificada. Entretanto, aquilo que vivemos inicialmente influencia a maneira como nos percebemos e nos relacionamos.

As palavras que ouvimos podem se transformar em uma voz interna. Com o passar do tempo, já não precisamos que alguém nos critique, porque aprendemos a fazer isso sozinhas.

As mulheres que vieram antes de nós

Grande parte do que aprendemos sobre ser mulher veio das mulheres que nos antecederam.

Mães, avós, tias e cuidadoras transmitiram valores, crenças, medos e formas de enfrentar a vida. Muitas ensinaram coragem, perseverança, trabalho e cuidado. Outras, mesmo sem intenção, também transmitiram inseguranças, silêncios e feridas que nunca conseguiram elaborar.

Talvez sua mãe tenha aprendido que uma mulher deveria suportar tudo para manter a família unida. Sua avó pode ter vivido em uma época na qual as mulheres tinham poucas oportunidades de estudar, trabalhar ou decidir sobre o próprio futuro. É possível que elas tenham ensinado aquilo que conheciam como forma de proteção.

Compreender essa história não significa culpar as mulheres que vieram antes de nós. Significa perceber que algumas crenças familiares atravessam gerações até que alguém tenha consciência suficiente para examiná-las.

Podemos honrar nossa história sem repetir tudo o que recebemos.

É possível agradecer pela força herdada e, ao mesmo tempo, interromper padrões que produziram sofrimento. Podemos conservar os ensinamentos que promovem vida e deixar para trás aqueles que nos ensinaram a desaparecer.

A mulher que precisava agradar

Muitas meninas aprendem desde cedo a perceber as necessidades das outras pessoas. São ensinadas a ajudar, acolher, compreender, ceder e manter a harmonia. Essas habilidades são valiosas, mas se tornam prejudiciais quando a menina entende que suas próprias necessidades sempre devem ocupar o último lugar.

Aos poucos, ela pode se transformar em uma mulher que sabe cuidar de todos, mas não consegue reconhecer quando está cansada. Percebe a tristeza dos outros, mas ignora a própria. Resolve problemas, oferece conselhos e permanece disponível, mesmo quando não possui mais forças.

Ela não diz “sim” porque realmente deseja. Diz porque sente medo de decepcionar, ser rejeitada ou considerada egoísta.

Quando tenta estabelecer um limite, a culpa aparece.

Essa mulher não nasceu acreditando que precisava agradar a todos. Em algum momento, aprendeu que sua aceitação dependia disso.

Talvez tenha recebido carinho quando era prestativa e reprovação quando demonstrava raiva. Pode ter percebido que havia espaço para as necessidades dos adultos, mas não para as suas. Assim, tornou-se especialista em se adaptar para preservar os vínculos.

O problema é que, quando passamos muito tempo tentando corresponder ao que esperam de nós, podemos perder o contato com aquilo que realmente sentimos e desejamos.

A mulher que precisava ser forte

Outra construção comum é a imagem da mulher que suporta tudo.

Ela acredita que não pode parar, fraquejar ou demonstrar que precisa de ajuda. Sente que, se deixar de controlar as coisas por um instante, tudo desmoronará.

Talvez sua força tenha sido necessária em determinados momentos. Algumas mulheres precisaram amadurecer cedo, cuidar dos irmãos, proteger a mãe, enfrentar dificuldades financeiras ou assumir responsabilidades que não correspondiam à sua idade.

A força ajudou-as a sobreviver.

Contudo, uma estratégia necessária no passado pode se transformar em uma prisão no presente. A mulher continua agindo como se não pudesse descansar, confiar ou dividir responsabilidades. Ela oferece apoio, mas não sabe recebê-lo. Demonstra segurança por fora enquanto carrega medo e exaustão por dentro.

Ser forte não deveria significar permanecer sozinha.

A verdadeira força também aparece quando reconhecemos nossos limites, pedimos ajuda e permitimos que alguém cuide de nós. A vulnerabilidade não anula a força. Ela apenas nos lembra de que somos humanas.

A mulher que aprendeu a rejeitar o próprio corpo

As construções sobre a identidade feminina também passam pelo corpo.

Desde cedo, muitas mulheres aprendem que o corpo será observado, avaliado e comparado. O peso, o cabelo, a pele, a altura, os seios, as marcas e as formas corporais tornam-se critérios pelos quais acreditam que serão aceitas ou rejeitadas.

Algumas meninas ouviram comentários sobre o corpo antes mesmo de compreender o significado daquelas palavras. Foram chamadas de “gordinhas”, “magrelas”, “baixinhas”, “sem curvas” ou “desajeitadas”. Talvez os comentários tenham sido apresentados como brincadeiras, mas deixaram marcas.

A menina cresce e passa a olhar para si mesma com os olhos de quem a avaliou.

Diante do espelho, não enxerga apenas seu corpo. Enxerga comparações, críticas, rejeições e padrões que lhe disseram que precisava alcançar.

Cuidar da saúde é importante, mas saúde não pode ser confundida com a obrigação de corresponder a um único modelo corporal. O peso é uma informação sobre o corpo, não uma medida do valor de uma pessoa.

O corpo feminino muda ao longo da vida. Puberdade, gravidez, condições de saúde, uso de medicamentos, alterações hormonais, envelhecimento e menopausa podem transformar sua aparência e seu funcionamento.

Essas mudanças não retiram sua dignidade.

Reconstruir a relação com o corpo não significa obrigar-se a gostar de tudo imediatamente. Pode começar com algo mais possível: parar de tratar o próprio corpo como inimigo.

Quem eu seria se não precisasse corresponder?

Talvez você tenha passado tantos anos cumprindo papéis que já não saiba responder quem é além deles.

Quem é você quando não está cuidando de alguém?

O que deseja quando não precisa escolher aquilo que agrada aos outros?

Quais opiniões deixou de expressar?

Quais partes de sua personalidade diminuiu para caber em determinados relacionamentos?

Quais sonhos abandonou porque disseram que eram impossíveis, inadequados ou tardios demais?

Essas perguntas podem provocar desconforto porque nos aproximam de uma mulher que talvez tenha permanecido escondida. Não porque deixou de existir, mas porque aprendeu que mostrar-se por inteiro poderia ameaçar seus vínculos.

Reencontrar essa mulher exige coragem. Algumas pessoas estavam acostumadas com sua disponibilidade constante e poderão estranhar quando você começar a estabelecer limites. Outras preferiam seu silêncio e poderão se incomodar quando você recuperar sua voz.

Entretanto, amadurecer também significa compreender que ser amada não deveria exigir o abandono de si mesma.

Nem tudo o que lhe ensinaram sobre você é verdade

Talvez tenham dito que você era difícil quando apenas tentava ser ouvida.

Talvez a tenham chamado de fraca quando estava emocionalmente esgotada.

Disseram que era egoísta quando, pela primeira vez, escolheu cuidar de si.

Talvez tenham afirmado que você não seria capaz porque sua coragem ameaçava os limites que haviam estabelecido para sua vida.

Algumas palavras descrevem mais as limitações de quem as pronunciou do que a pessoa que as recebeu.

Isso não significa que toda crítica deva ser rejeitada. Precisamos de humildade para reconhecer nossos erros e aprender. Porém, também precisamos de discernimento para não transformar toda opinião alheia em verdade sobre nossa identidade.

Você pode questionar as definições que recebeu.

Pode observar quais crenças ainda fazem sentido e quais continuam causando sofrimento. Pode reconhecer que determinadas atitudes foram necessárias para sobreviver, mas já não precisam dirigir sua vida.

A mulher que lhe ensinaram a ser faz parte de sua história, mas não precisa determinar todo o seu futuro.

Construir-se não significa começar do zero

Reconstrução emocional não é apagar o passado ou fingir que as feridas nunca existiram. É olhar para a própria história com mais consciência e decidir o que será levado adiante.

Você não precisa rejeitar tudo o que recebeu. Existem forças, valores, afetos e aprendizados preciosos em sua trajetória.

Talvez tenha herdado a coragem de sua mãe, a determinação de sua avó, a criatividade de uma tia ou a perseverança das mulheres que enfrentaram muitas dificuldades antes de você.

Construir-se é escolher.

É conservar aquilo que promove vida e transformar aquilo que produz sofrimento. É agradecer pelo que fortaleceu você e cuidar do que ainda dói.

Você não é apenas a mulher que os outros tentaram formar. Também é a mulher que pode refletir, escolher, aprender e mudar.

A mulher que estou construindo

Construir uma nova relação consigo mesma não acontece de uma vez. É um processo formado por pequenas escolhas.

Acontece quando você percebe que está repetindo uma crítica antiga e decide falar consigo com mais respeito.

Quando sente culpa por estabelecer um limite, mas permanece firme porque sabe que ele é necessário.

Quando cuida da saúde sem usar o ódio pelo corpo como motivação.

Quando pede ajuda em vez de fingir que consegue suportar tudo.

Quando volta a estudar, sonhar, criar ou realizar algo que havia abandonado.

Quando compreende que pode amar outras pessoas sem desaparecer dentro dos relacionamentos.

A mulher que você está construindo não precisa ser perfeita. Precisa ser verdadeira, consciente de seus valores e capaz de acolher a própria humanidade.

Talvez você ainda carregue partes da menina que tentou agradar, da jovem que se comparou e da mulher que precisou ser forte. Todas elas fazem parte de sua história. Não precisam ser desprezadas. Precisam ser compreendidas e acolhidas.

Você pode dizer a elas:

“Obrigada por terem me ajudado a chegar até aqui. Agora, podemos aprender uma nova maneira de viver.”

Para refletir

Quanto da mulher que sou nasceu das minhas escolhas e quanto foi construído pelas expectativas das outras pessoas?

  • Quais características minhas eram mais elogiadas durante a infância?
  • O que eu precisava fazer para receber aprovação?
  • Quais sentimentos eu não tinha permissão para demonstrar?
  • Que tipo de mulher me ensinaram que eu deveria ser?
  • Quais expectativas ainda tento cumprir, mesmo quando me fazem mal?
  • Em quais situações sinto que preciso esconder quem realmente sou?
  • Que parte de mim deseja ser ouvida neste momento?

Exercício terapêutico: o que me ensinaram a ser

Complete as frases com sinceridade:

  • Quando eu era criança, aprendi que uma boa mulher deveria…
  • Em minha família, as mulheres costumavam…
  • Eu recebia amor e aprovação quando…
  • Aprendi a esconder…
  • Ainda tenho medo de ser considerada…
  • Uma frase sobre mim que deixou marcas foi…
  • Uma crença que não desejo mais carregar é…
  • Das mulheres que vieram antes de mim, desejo conservar…
  • A mulher que estou construindo tem o direito de…
  • A partir de agora, quero aprender a…

Depois de escrever, releia suas respostas e utilize duas cores diferentes:

  • Com uma cor, marque as características e os valores que deseja conservar.
  • Com outra, marque as crenças, exigências e padrões que já não combinam com a mulher que deseja construir.

Exercício de ressignificação

Escolha uma frase negativa que você ouviu repetidamente ou aprendeu a dizer para si mesma.

Frase antiga: “Eu preciso dar conta de tudo.”
Nova construção: “Posso ser responsável sem carregar tudo sozinha.”

Frase antiga: “Se eu disser não, deixarão de gostar de mim.”
Nova construção: “Um limite saudável não diminui meu amor nem o meu valor.”

Frase antiga: “Meu corpo precisa mudar para que eu seja aceita.”
Nova construção: “Posso cuidar da minha saúde sem transformar meu corpo em inimigo.”

Agora escreva a sua:

Frase que aprendi:


Aquilo em que escolho acreditar:


Um pequeno passo para esta semana

Escolha uma atitude que represente a mulher que você está construindo:

  • expressar uma opinião que costuma esconder;
  • recusar um pedido que ultrapassa seus limites;
  • pedir ajuda;
  • descansar sem se justificar;
  • retomar uma atividade de que gosta;
  • observar o próprio corpo sem criticá-lo;
  • falar consigo com mais respeito.

Escolha apenas uma ação possível. A reconstrução emocional não acontece por meio de grandes promessas, mas de pequenas escolhas repetidas com consciência.

Mensagem para guardar

Posso honrar a mulher que precisei ser e, ainda assim, escolher conscientemente a mulher que desejo me tornar.

Profa. Fran Narnib

CÉLULA: A MENOR UNIDADE DA VIDA

“Conhecer a célula é compreender o ponto de partida de toda forma de vida.”

O que diferencia um ser vivo da matéria sem vida?

A principal característica que distingue os seres vivos da matéria bruta é a presença de células. Elas são consideradas a unidade estrutural e funcional de todos os organismos vivos. Em outras palavras, não existe vida sem células.

Desde uma simples bactéria até o corpo humano, todos os seres vivos são constituídos por uma ou milhões de células, que trabalham continuamente para manter o organismo funcionando.

O que é uma célula?

A célula é a menor estrutura capaz de desempenhar todas as funções necessárias para a manutenção da vida.

A Teoria Celular estabelece três princípios fundamentais:

  • Todos os seres vivos são formados por uma ou mais células.
  • A célula é a unidade básica da vida.
  • Toda célula surge a partir de outra célula preexistente.

Esses princípios revolucionaram a Biologia e continuam sendo a base dos estudos sobre os organismos vivos.

Como surge a primeira célula de um novo ser?

Tudo começa na fecundação.

Quando o espermatozoide fecunda o óvulo, forma-se uma única célula chamada zigoto ou célula-ovo.

Essa célula possui uma característica extraordinária: ela é totipotente, ou seja, tem capacidade de originar todas as células que formarão o novo organismo.

À medida que ocorre a divisão celular, essas células começam a se especializar, dando origem aos diferentes tecidos e órgãos do corpo. Esse processo é conhecido como diferenciação celular.

As células capazes de originar diferentes tipos celulares são chamadas de células-tronco, fundamentais para o crescimento, a renovação dos tecidos e importantes pesquisas na área da medicina regenerativa.

Do que é composta uma célula?

Embora extremamente pequena, a célula possui uma composição química bastante complexa.

Em média, ela é formada por:

  • 70% de água, responsável por inúmeras reações químicas.
  • 15% de proteínas, que participam da estrutura celular e atuam como enzimas.
  • 7% de ácidos nucleicos (DNA e RNA), responsáveis pelo armazenamento e transmissão das informações genéticas.
  • 3% de carboidratos, importantes como fonte de energia.
  • 2% de lipídios, que compõem membranas e armazenam energia.
  • 2% de sais minerais, essenciais para o funcionamento celular.
  • 1% de outras substâncias, presentes em pequenas quantidades.

Quais são as principais funções da célula?

As células trabalham continuamente para manter o organismo vivo.

Entre suas principais funções estão:

  • Produção de proteínas.
  • Produção de enzimas.
  • Respiração celular e obtenção de energia.
  • Digestão intracelular.
  • Eliminação de resíduos.
  • Reprodução celular.
  • Regeneração dos tecidos.
  • Armazenamento e transmissão das informações genéticas.
  • Controle do metabolismo celular.

Cada célula desempenha atividades específicas de acordo com o tecido ao qual pertence.

Conhecendo a célula por dentro

Apesar de microscópica, a célula possui uma organização extremamente sofisticada.

Ela apresenta três estruturas básicas.

Membrana plasmática

É a estrutura que envolve a célula, protegendo seu conteúdo interno e controlando a entrada e a saída de substâncias.

Sua permeabilidade seletiva garante que apenas determinadas moléculas atravessem a membrana, mantendo o equilíbrio interno da célula.

Citoplasma

É a região localizada entre a membrana plasmática e o núcleo.

Nele encontra-se o hialoplasma, um material gelatinoso onde ficam suspensas as organelas celulares, responsáveis pelas diferentes funções metabólicas.

Núcleo

O núcleo funciona como o centro de comando da célula.

É nele que está armazenado o DNA, responsável por controlar todas as atividades celulares e transmitir as características hereditárias.

As organelas celulares

Dentro do citoplasma encontram-se pequenas estruturas chamadas organelas, cada uma especializada em uma função específica.

Retículo Endoplasmático

Pode ser:

Rugoso, quando possui ribossomos aderidos à sua superfície, participando da produção de proteínas.

Liso, responsável pela síntese de lipídios e pela desintoxicação celular.

Ribossomos

São responsáveis pela síntese das proteínas, fundamentais para praticamente todas as atividades celulares.

Mitocôndrias

Conhecidas como as “usinas de energia” da célula, realizam a respiração celular e produzem ATP, principal molécula energética utilizada pelo organismo.

Lisossomos

Realizam a digestão intracelular, degradando partículas, microrganismos e organelas envelhecidas.

Centríolos

Participam da divisão celular, auxiliando na formação do fuso mitótico durante a multiplicação das células animais.

Complexo de Golgi

É responsável pelo processamento, armazenamento, modificação e secreção de diversas substâncias produzidas pela célula.

Curiosidade

O corpo humano é formado por aproximadamente 37 trilhões de células, cada uma desempenhando funções específicas e trabalhando de forma integrada para manter o organismo vivo.

Conclusão

Mesmo invisíveis a olho nu, as células são verdadeiras fábricas microscópicas. Cada uma realiza milhares de reações químicas por segundo para garantir o funcionamento adequado do organismo.

Compreender sua estrutura e suas funções é o primeiro passo para entender como a vida acontece e como nosso corpo mantém seu equilíbrio diariamente.

Profa. Fran Narnib