
Fármaco, remédio e medicamento: você sabe a diferença?
Os medicamentos fazem parte da vida de muitas pessoas, mas nem sempre compreendemos como são produzidos, como agem no organismo e por que precisam ser utilizados com cuidado.
A ciência que estuda essas substâncias é a farmacologia. Ela investiga a origem, as propriedades, os mecanismos de ação, os efeitos e o destino dos fármacos no organismo.
Antes de conhecermos melhor esse assunto, é importante responder a uma pergunta: fármaco, medicamento e remédio significam a mesma coisa?
Embora esses termos sejam usados como sinônimos no cotidiano, eles possuem significados diferentes.
O que é fármaco?
O fármaco é a substância ativa responsável pelo efeito farmacológico. Ele interage com o organismo e pode produzir uma resposta destinada a prevenir, diagnosticar, controlar ou tratar uma condição de saúde.
Um medicamento pode conter um ou mais fármacos, além de outras substâncias chamadas excipientes, utilizadas para dar forma, estabilidade, sabor, conservação ou facilitar sua administração.
Por exemplo, o paracetamol é um fármaco. Quando ele é preparado em forma de comprimido, gotas ou solução oral, associado aos excipientes necessários e produzido conforme padrões de qualidade, passa a compor um medicamento.
O que é medicamento?
Segundo a Anvisa, medicamento é um produto farmacêutico tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou diagnóstica.
Isso significa que o medicamento é o produto final, apresentado em uma forma farmacêutica, como comprimido, cápsula, solução, suspensão, pomada ou injetável. Sua fabricação deve seguir critérios de qualidade, segurança e eficácia estabelecidos pelas autoridades sanitárias.
Portanto, não é correto afirmar que todo medicamento “é um fármaco”. O mais adequado é dizer que o fármaco é o princípio ativo presente no medicamento.
O que é remédio?
Remédio é um termo mais amplo. Ele pode ser empregado para designar qualquer cuidado ou recurso utilizado para promover conforto, aliviar um desconforto ou contribuir para a recuperação e o bem-estar.
Repouso, hidratação, alimentação adequada, fisioterapia, psicoterapia, massagem e banho morno podem ser considerados remédios em determinadas situações. Práticas religiosas, como a oração, também podem oferecer conforto e apoio espiritual, mas não devem substituir o tratamento profissional quando ele for necessário.
Todo medicamento pode ser considerado um remédio quando utilizado adequadamente, mas nem todo remédio é um medicamento.
Chás e plantas medicinais também exigem cuidado. O fato de uma substância ser natural não significa que ela seja sempre segura. Algumas plantas podem causar reações adversas, intoxicações ou interagir com medicamentos.
Qual é a origem dos fármacos?
Os fármacos podem ter diferentes origens:
- Natural: obtidos ou inspirados em substâncias encontradas em plantas, animais, microrganismos ou minerais.
- Sintética: produzidos por meio de processos químicos em laboratório.
- Semissintética: substâncias naturais que passam por modificações químicas.
- Biotecnológica: produzidos com a participação de células ou organismos vivos, como ocorre com alguns hormônios, anticorpos e medicamentos biológicos.
Atualmente, muitos fármacos que tiveram origem em substâncias naturais são produzidos ou modificados em laboratório para aumentar sua pureza, estabilidade, segurança ou eficácia.
O que é farmacoterapia?
Farmacoterapia é a utilização de medicamentos para prevenir, controlar ou tratar doenças e aliviar sinais e sintomas. Ela deve considerar fatores como diagnóstico, dose, horário, duração do tratamento, idade, condições clínicas e possíveis interações medicamentosas.
Quanto ao local de ação, os medicamentos podem produzir:
Ação local: o efeito ocorre principalmente no local em que o produto foi aplicado. Alguns colírios, pomadas e géis são exemplos. Entretanto, mesmo medicamentos aplicados sobre a pele ou as mucosas podem ser absorvidos e produzir efeitos em outras partes do organismo.
Ação sistêmica: o fármaco alcança a circulação sanguínea e é distribuído pelo organismo até os tecidos em que exercerá sua ação. Isso pode acontecer por diferentes vias, como oral, intravenosa, intramuscular, transdérmica ou inalatória.
A via de administração, sozinha, não determina se o efeito será local ou sistêmico. Alguns medicamentos ingeridos atuam principalmente no sistema digestório, enquanto determinados produtos aplicados na pele podem alcançar a circulação sanguínea.
Quais são as finalidades dos medicamentos?
Profilática ou preventiva: ajuda a evitar doenças ou complicações. Algumas medidas farmacológicas preventivas e os imunobiológicos, como as vacinas, cumprem essa finalidade.
Curativa: atua sobre a causa da doença e pode contribuir para sua cura. Os antibióticos, por exemplo, tratam determinadas infecções causadas por bactérias sensíveis. Eles não funcionam contra vírus e não devem ser utilizados sem orientação profissional.
Paliativa ou sintomática: alivia sinais, sintomas e sofrimento, mesmo quando não elimina a causa da doença. Analgésicos utilizados para controlar a dor são exemplos.
Diagnóstica: auxilia na realização ou interpretação de exames. Os meios de contraste empregados em determinados exames de imagem são exemplos de medicamentos utilizados com finalidade diagnóstica.
Medicamentos também oferecem riscos
Todo medicamento pode causar efeitos indesejados, interações ou intoxicações, inclusive aqueles vendidos sem receita. Por isso, devem ser utilizados na dose correta, durante o período indicado e com orientação de profissionais habilitados.
A automedicação pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico e provocar danos à saúde. No caso dos antibióticos, o uso inadequado ainda favorece o desenvolvimento da resistência bacteriana.
Medicamento não é um produto comum. Quando utilizado corretamente, pode proteger, aliviar e salvar vidas. Quando empregado de maneira inadequada, também pode causar sérios prejuízos.
Profa. Fran Narnib
Fontes consultadas: Conceitos e definições da Anvisa, Cartilha “O que devemos saber sobre medicamentos” e orientações da Anvisa sobre o uso racional de medicamentos.
