Todos somos CHONPS: afinal, do que somos feitos?

Você já parou para pensar que os elementos químicos que formam seu corpo também estão presentes nas plantas, nos animais, no solo, na água e em diferentes materiais encontrados na natureza?

Embora sejamos tão diferentes uns dos outros, compartilhamos algo extraordinário: nossa constituição química.

Na Biologia, existe uma sigla curiosa que ajuda a compreender essa realidade: CHONPS. Ela representa seis elementos químicos fundamentais à vida: carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N), fósforo (P) e enxofre (S).

Esses elementos participam da formação das moléculas que constituem os organismos vivos, como proteínas, carboidratos, lipídios e ácidos nucleicos.

O carbono é especialmente importante porque consegue formar estruturas moleculares complexas. O hidrogênio e o oxigênio estão presentes na água, indispensável aos processos vitais. O nitrogênio integra proteínas e ácidos nucleicos. O fósforo participa da estrutura do DNA, do RNA e do ATP, molécula fundamental para a transferência de energia nas células. Já o enxofre está presente em determinados aminoácidos que compõem as proteínas.

Mas aqui surge uma pergunta intrigante: se somos formados por elementos químicos que também existem na matéria sem vida, por que estamos vivos?

A resposta está na organização desses elementos e nas interações entre as moléculas que eles formam.

Nos organismos vivos, essas moléculas constituem sistemas celulares altamente organizados, capazes de realizar processos como metabolismo, crescimento, resposta a estímulos e manutenção das condições necessárias à vida.

Isso significa que nenhum desses elementos, isoladamente, está vivo. A vida emerge da organização complexa da matéria e dos processos que acontecem nos sistemas biológicos.

Os átomos do nosso corpo já tiveram outra história?

Sim! Os átomos que hoje constituem nosso organismo não surgiram quando nascemos.

Ao longo do tempo, a matéria circula entre os seres vivos e o ambiente. Por exemplo, as plantas absorvem dióxido de carbono da atmosfera e utilizam seu carbono na produção de moléculas orgânicas. Os animais obtêm parte desses elementos pela alimentação. Quando os organismos eliminam resíduos ou morrem, processos de decomposição devolvem diferentes substâncias ao ambiente.

Essa circulação está relacionada aos ciclos biogeoquímicos, fundamentais para a manutenção da vida na Terra.

Portanto, é possível que alguns átomos presentes em nosso corpo tenham integrado outros organismos há milhares ou milhões de anos. Eles podem até ter pertencido a seres vivos que existiram muito antes dos seres humanos!

Curiosidade científica

Os seis elementos representados pelo CHONPS são essenciais à constituição dos seres vivos, mas não são os únicos de que precisamos. Cálcio, potássio, sódio, magnésio, ferro e outros elementos também desempenham funções importantes no organismo.

Além disso, a matéria que constitui nosso corpo tem uma história muito anterior à nossa existência. O hidrogênio surgiu principalmente nos primeiros momentos do Universo, enquanto muitos elementos mais pesados foram produzidos por processos nucleares associados às estrelas.

Em certo sentido, nossa composição química também conta parte da história do Universo.

Para pensar

Se os átomos que constituem nosso corpo já existiam antes de nascermos e poderão integrar outros seres vivos no futuro, será que algum deles já fez parte de uma árvore centenária, de um animal pré-histórico ou de uma planta que existiu há milhões de anos?

A ciência nos convida a perceber que, embora cada organismo seja único, a matéria que nos constitui participa de uma história compartilhada com toda a natureza.

Profa. Fran Narnib Lorenzon

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Referências para aprofundamento

AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia. Volume 1. Editora Moderna.

NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger. Artmed.

REECE, Jane B. et al. Biologia de Campbell. Artmed.

Se quase todas as células possuem o mesmo DNA, por que são tão diferentes?

Porque ter o mesmo DNA não significa usar os mesmos genes. Durante o desenvolvimento, as células passam a utilizar diferentes partes dessas instruções, num processo chamado expressão gênica.

Uma célula da superfície da pele produz muita queratina, proteína que ajuda a formar uma barreira de proteção. Já uma célula muscular produz grandes quantidades de proteínas organizadas para realizar contrações, como actina e miosina.

É como ter o mesmo livro de receitas, mas preparar pratos diferentes. As células compartilham muitas instruções básicas, porém usam outras em níveis diferentes, adquirindo formas e funções próprias.

Para pensar: como uma única célula, o óvulo fecundado, consegue dar origem a tantos tipos diferentes de células?

Fonte: Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, NIH: Transcriptome Fact Sheet.

O cérebro interpreta a dor, mas seu próprio tecido não sente dor

O tecido cerebral não possui receptores de dor. Mesmo assim, sentimos dor de cabeça porque outras estruturas da região podem gerar sinais dolorosos, como o couro cabeludo, os músculos, as meninges, membranas que envolvem o cérebro, e os vasos sanguíneos associados a elas.

Quando essas estruturas enviam sinais ao sistema nervoso, o cérebro participa da interpretação dessas informações e da experiência da dor. Por isso, uma dor pode parecer vir de dentro da cabeça, embora o próprio tecido cerebral não esteja sentindo.

Para pensar: como o cérebro consegue perceber a dor do corpo se seu próprio tecido não possui receptores de dor?

Fonte: Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame, NIH: Headache, Hope Through Research.

Curiosidades sobre o Corpo Humano

Curiosidade 2: O refluxo pode deixar a voz rouca mesmo sem causar azia

Curiosidade 2: O refluxo pode deixar a voz rouca mesmo sem causar azia

Quando pensamos em refluxo, geralmente imaginamos uma queimação no peito ou um gosto amargo na boca. Porém, em algumas pessoas, o conteúdo do estômago consegue subir pelo esôfago e alcançar a garganta e a laringe, região onde estão localizadas as pregas vocais.

Essa condição é conhecida como refluxo laringofaríngeo e pode provocar rouquidão mesmo quando a pessoa não sente azia.

Como o refluxo altera a voz?

O estômago possui mecanismos naturais de proteção contra a acidez. A garganta e a laringe, entretanto, são muito mais sensíveis. Quando o conteúdo gástrico alcança essas regiões, pode irritar e inflamar os tecidos próximos às pregas vocais.

Com a irritação, as pregas vocais podem ficar inchadas e não vibrar adequadamente durante a fala. A voz, então, pode ficar rouca, fraca, cansada ou mais grave.

A rouquidão relacionada ao refluxo costuma ser mais perceptível pela manhã, pois os episódios podem acontecer durante a noite, especialmente quando a pessoa se deita pouco tempo depois de comer.

Outros sinais que podem aparecer

Além da alteração na voz, o refluxo laringofaríngeo pode estar associado a:

  • necessidade constante de limpar a garganta;
  • tosse seca persistente;
  • sensação de algo parado ou de “bolo” na garganta;
  • pigarro frequente;
  • irritação ou ardência na garganta;
  • dificuldade ou desconforto para engolir;
  • excesso de secreção;
  • gosto amargo na boca;
  • voz cansada depois de falar.

Nem todas as pessoas apresentam todos esses sintomas. Algumas sentem apenas rouquidão e pigarro, sem a conhecida queimação no peito.

Um ciclo que prejudica ainda mais a voz

A irritação causada pelo refluxo pode provocar vontade de pigarrear. Embora pareça aliviar momentaneamente, o pigarro faz as pregas vocais se chocarem com força, aumentando a irritação.

Forma-se, então, um ciclo: o refluxo irrita a laringe, a pessoa pigarreia e o atrito provoca ainda mais desconforto e alteração vocal. Tomar pequenos goles de água ou engolir a saliva pode ser menos agressivo para a voz.

O que pode ajudar?

Alguns cuidados podem reduzir os episódios de refluxo:

  • evitar deitar-se logo depois das refeições;
  • fazer refeições menores, principalmente à noite;
  • observar quais alimentos pioram os sintomas;
  • reduzir o consumo de bebidas alcoólicas;
  • não fumar;
  • manter uma boa hidratação;
  • evitar roupas muito apertadas na região abdominal;
  • cuidar da voz e não forçá-la enquanto estiver rouca.

Não existe uma lista de alimentos desencadeadores que seja igual para todas as pessoas. Por isso, observar a própria reação e registrar os sintomas pode ajudar a identificar padrões.

Medicamentos para refluxo não devem ser usados continuamente sem orientação profissional. A rouquidão também pode ter outras causas, como infecções, alergias, esforço vocal, nódulos, pólipos, alterações neurológicas e lesões na laringe.

Quando procurar atendimento?

É importante consultar um médico, preferencialmente um otorrinolaringologista, quando a rouquidão durar mais de quatro semanas ou surgir acompanhada de:

  • dificuldade para respirar ou engolir;
  • dor persistente;
  • sangue na saliva ou na tosse;
  • caroço no pescoço;
  • perda de peso sem explicação;
  • histórico de tabagismo;
  • perda completa ou piora progressiva da voz.

A avaliação das pregas vocais é fundamental para descobrir a verdadeira causa da alteração. Nem toda rouquidão é refluxo, mas o refluxo pode, sim, manifestar-se primeiro pela voz.

Profa. Fran N. Lorenzon
Biopsicoeduca

Referências

National Institute on Deafness and Other Communication Disorders — Hoarseness

National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases — Acid Reflux and GERD

American Academy of Otolaryngology — Clinical Practice Guideline: Hoarseness

National Institute on Deafness and Other Communication Disorders — Taking Care of Your Voice

Curiosidades sobre o Corpo Humano

Curiosidade 1: Se o cérebro não sente dor, por que temos dor de cabeça?

O cérebro é responsável por interpretar a dor sentida pelo corpo inteiro. Curiosamente, porém, o próprio tecido cerebral não possui receptores especializados em detectar estímulos dolorosos, chamados nociceptores. Em outras palavras, o cérebro recebe e processa sinais de dor, mas seu tecido não sente dor diretamente.

Então, de onde vem a dor de cabeça?

Ao redor do cérebro existem diversas estruturas sensíveis à dor, como as meninges, os vasos sanguíneos, os nervos, os músculos da cabeça e do pescoço, o couro cabeludo, os olhos e os seios da face. Quando alguma dessas estruturas é irritada, tensionada ou inflamada, seus nervos enviam sinais ao cérebro. É ele que interpreta essas mensagens e produz a sensação dolorosa.

É por isso que podemos ter dor de cabeça mesmo que o cérebro, propriamente dito, não sinta dor.

Diferentes dores, diferentes causas

A dor de cabeça não é uma doença única. Existem mais de um tipo, com mecanismos e características diferentes.

A cefaleia tensional costuma provocar uma sensação de pressão ou aperto. Pode estar relacionada à tensão dos músculos da cabeça, do pescoço e dos ombros.

A enxaqueca é uma condição neurológica complexa. Além da dor, pode causar náuseas, sensibilidade à luz, aos sons e aos cheiros. Algumas pessoas também apresentam alterações visuais ou sensitivas chamadas de aura.

Há ainda dores de cabeça associadas à desidratação, ao jejum prolongado, à privação de sono, ao estresse, a problemas de visão, a infecções e ao uso excessivo de determinados medicamentos.

Você sabia?

Como o tecido cerebral não possui receptores de dor, algumas cirurgias neurológicas podem ser realizadas com o paciente acordado em parte do procedimento. O couro cabeludo e outras estruturas sensíveis recebem anestesia, enquanto a equipe estimula áreas cerebrais para acompanhar funções como fala e movimento. Isso ajuda a preservar regiões importantes durante a cirurgia.

Quando a dor de cabeça exige atenção?

A maioria das dores de cabeça não indica uma doença grave. Entretanto, é necessário procurar atendimento médico com urgência quando a dor:

  • surge repentinamente e com intensidade muito forte;
  • aparece depois de uma pancada na cabeça;
  • vem acompanhada de febre alta e rigidez no pescoço;
  • ocorre com desmaio, confusão ou convulsão;
  • provoca dificuldade para falar, enxergar ou movimentar uma parte do corpo;
  • apresenta um padrão novo, persistente ou progressivamente pior.

O corpo humano é surpreendente: o órgão que nos permite reconhecer a dor não consegue senti-la em seu próprio tecido. Ainda assim, ele interpreta com precisão os sinais enviados pelas estruturas que o cercam, alertando-nos quando algo precisa de atenção.

Profa. Fran N. Lorenzon

Referências

Johns Hopkins Medicine — Headache

National Institute of Neurological Disorders and Stroke — Headache

National Institutes of Health — Headache Pain

Mayo Clinic — Headache Causes

CÉLULA: A MENOR UNIDADE DA VIDA

“Conhecer a célula é compreender o ponto de partida de toda forma de vida.”

O que diferencia um ser vivo da matéria sem vida?

A principal característica que distingue os seres vivos da matéria bruta é a presença de células. Elas são consideradas a unidade estrutural e funcional de todos os organismos vivos. Em outras palavras, não existe vida sem células.

Desde uma simples bactéria até o corpo humano, todos os seres vivos são constituídos por uma ou milhões de células, que trabalham continuamente para manter o organismo funcionando.

O que é uma célula?

A célula é a menor estrutura capaz de desempenhar todas as funções necessárias para a manutenção da vida.

A Teoria Celular estabelece três princípios fundamentais:

  • Todos os seres vivos são formados por uma ou mais células.
  • A célula é a unidade básica da vida.
  • Toda célula surge a partir de outra célula preexistente.

Esses princípios revolucionaram a Biologia e continuam sendo a base dos estudos sobre os organismos vivos.

Como surge a primeira célula de um novo ser?

Tudo começa na fecundação.

Quando o espermatozoide fecunda o óvulo, forma-se uma única célula chamada zigoto ou célula-ovo.

Essa célula possui uma característica extraordinária: ela é totipotente, ou seja, tem capacidade de originar todas as células que formarão o novo organismo.

À medida que ocorre a divisão celular, essas células começam a se especializar, dando origem aos diferentes tecidos e órgãos do corpo. Esse processo é conhecido como diferenciação celular.

As células capazes de originar diferentes tipos celulares são chamadas de células-tronco, fundamentais para o crescimento, a renovação dos tecidos e importantes pesquisas na área da medicina regenerativa.

Do que é composta uma célula?

Embora extremamente pequena, a célula possui uma composição química bastante complexa.

Em média, ela é formada por:

  • 70% de água, responsável por inúmeras reações químicas.
  • 15% de proteínas, que participam da estrutura celular e atuam como enzimas.
  • 7% de ácidos nucleicos (DNA e RNA), responsáveis pelo armazenamento e transmissão das informações genéticas.
  • 3% de carboidratos, importantes como fonte de energia.
  • 2% de lipídios, que compõem membranas e armazenam energia.
  • 2% de sais minerais, essenciais para o funcionamento celular.
  • 1% de outras substâncias, presentes em pequenas quantidades.

Quais são as principais funções da célula?

As células trabalham continuamente para manter o organismo vivo.

Entre suas principais funções estão:

  • Produção de proteínas.
  • Produção de enzimas.
  • Respiração celular e obtenção de energia.
  • Digestão intracelular.
  • Eliminação de resíduos.
  • Reprodução celular.
  • Regeneração dos tecidos.
  • Armazenamento e transmissão das informações genéticas.
  • Controle do metabolismo celular.

Cada célula desempenha atividades específicas de acordo com o tecido ao qual pertence.

Conhecendo a célula por dentro

Apesar de microscópica, a célula possui uma organização extremamente sofisticada.

Ela apresenta três estruturas básicas.

Membrana plasmática

É a estrutura que envolve a célula, protegendo seu conteúdo interno e controlando a entrada e a saída de substâncias.

Sua permeabilidade seletiva garante que apenas determinadas moléculas atravessem a membrana, mantendo o equilíbrio interno da célula.

Citoplasma

É a região localizada entre a membrana plasmática e o núcleo.

Nele encontra-se o hialoplasma, um material gelatinoso onde ficam suspensas as organelas celulares, responsáveis pelas diferentes funções metabólicas.

Núcleo

O núcleo funciona como o centro de comando da célula.

É nele que está armazenado o DNA, responsável por controlar todas as atividades celulares e transmitir as características hereditárias.

As organelas celulares

Dentro do citoplasma encontram-se pequenas estruturas chamadas organelas, cada uma especializada em uma função específica.

Retículo Endoplasmático

Pode ser:

Rugoso, quando possui ribossomos aderidos à sua superfície, participando da produção de proteínas.

Liso, responsável pela síntese de lipídios e pela desintoxicação celular.

Ribossomos

São responsáveis pela síntese das proteínas, fundamentais para praticamente todas as atividades celulares.

Mitocôndrias

Conhecidas como as “usinas de energia” da célula, realizam a respiração celular e produzem ATP, principal molécula energética utilizada pelo organismo.

Lisossomos

Realizam a digestão intracelular, degradando partículas, microrganismos e organelas envelhecidas.

Centríolos

Participam da divisão celular, auxiliando na formação do fuso mitótico durante a multiplicação das células animais.

Complexo de Golgi

É responsável pelo processamento, armazenamento, modificação e secreção de diversas substâncias produzidas pela célula.

Curiosidade

O corpo humano é formado por aproximadamente 37 trilhões de células, cada uma desempenhando funções específicas e trabalhando de forma integrada para manter o organismo vivo.

Conclusão

Mesmo invisíveis a olho nu, as células são verdadeiras fábricas microscópicas. Cada uma realiza milhares de reações químicas por segundo para garantir o funcionamento adequado do organismo.

Compreender sua estrutura e suas funções é o primeiro passo para entender como a vida acontece e como nosso corpo mantém seu equilíbrio diariamente.

Profa. Fran Narnib

31 de julho: a importância dos anatomistas para a ciência e a saúde

No dia 31 de julho é celebrado o Dia do Anatomista, uma oportunidade para reconhecer as pessoas que dedicam sua trajetória profissional ao estudo e ao ensino da organização estrutural do corpo humano e de outros seres vivos.

A escolha da data está relacionada à fundação da Sociedade Brasileira de Anatomia, ocorrida em 31 de julho de 1952, durante a Primeira Reunião Brasileira de Anatomia, realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Mas quem pode ser chamado de anatomista? Existe uma graduação específica? E qual é a importância desse especialista para a formação dos profissionais da saúde?

O que é anatomia?

A anatomia é a ciência que estuda a forma, a localização, a organização e as relações existentes entre as estruturas que compõem os seres vivos.

Ao estudar o coração, por exemplo, a anatomia observa sua localização, suas cavidades, válvulas, camadas, vasos sanguíneos e relações com outros órgãos. A fisiologia, por sua vez, investiga como o coração funciona, como produz e conduz impulsos elétricos e como participa da circulação do sangue.

Anatomia e fisiologia são áreas diferentes, mas profundamente complementares. Não é possível compreender adequadamente o funcionamento do organismo sem conhecer suas estruturas.

Quem é o anatomista?

No Brasil, anatomista não corresponde necessariamente a uma profissão única, com uma graduação específica. O termo é utilizado para designar quem se dedica de maneira especializada ao estudo, à pesquisa ou ao ensino da anatomia.

O anatomista pode ter formação em diferentes áreas, como:

  • Ciências biológicas
  • Medicina
  • Biomedicina
  • Odontologia
  • Fisioterapia
  • Enfermagem
  • Medicina veterinária
  • Educação física

Após a graduação, esse profissional pode aprofundar seus conhecimentos por meio de cursos, especializações, mestrado, doutorado e atividades de pesquisa e docência.

Portanto, estudar anatomia durante um curso da área da saúde não transforma automaticamente alguém em anatomista. Essa designação está relacionada a uma dedicação especializada e contínua ao campo anatômico.

Onde o anatomista pode atuar?

Os anatomistas estão presentes principalmente em universidades, centros de pesquisa, museus científicos e laboratórios de ensino.

Suas atividades podem envolver:

  • Ensino de anatomia em cursos de graduação e pós-graduação
  • Desenvolvimento de pesquisas científicas
  • Produção de materiais didáticos
  • Estudo das variações anatômicas
  • Orientação de estudantes e pesquisadores
  • Organização de coleções e museus anatômicos
  • Desenvolvimento de técnicas de conservação e preparação
  • Criação de modelos tridimensionais e recursos digitais
  • Participação em projetos de educação científica
  • Estudos em anatomia clínica, cirúrgica e radiológica

A anatomia também possui diferentes campos de investigação, como anatomia humana, animal, comparada, microscópica, funcional, topográfica, radiológica, cirúrgica e do desenvolvimento.

Anatomista e técnico de laboratório são a mesma coisa?

Não necessariamente.

Nos laboratórios de anatomia podem atuar técnicos, auxiliares, professores e pesquisadores, cada um com atribuições relacionadas à sua formação e ao cargo ocupado.

Os profissionais técnicos podem colaborar na conservação, identificação, organização e preparação de peças anatômicas, além da limpeza do ambiente, controle de materiais e apoio às aulas práticas. Essas atividades exigem treinamento, responsabilidade, conhecimento de biossegurança e respeito às normas institucionais.

Já o anatomista está principalmente relacionado ao estudo especializado, ao ensino e à pesquisa anatômica. Em determinadas instituições, as funções podem se aproximar, mas os termos não devem ser tratados automaticamente como sinônimos.

Por que a anatomia é tão importante?

A anatomia constitui uma das bases da formação dos profissionais da saúde. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, dentistas, farmacêuticos, biólogos, biomédicos, profissionais de educação física e muitos outros precisam compreender a organização do corpo para exercer suas atividades com segurança.

O conhecimento anatômico permite:

  • Localizar órgãos e estruturas
  • Compreender exames de imagem
  • Planejar cirurgias e outros procedimentos
  • Administrar medicamentos por diferentes vias
  • Avaliar movimentos e lesões
  • Reconhecer alterações estruturais
  • Relacionar sinais e sintomas às regiões do corpo
  • Desenvolver próteses, equipamentos e tecnologias em saúde

Quando um profissional examina uma pessoa, interpreta uma radiografia, realiza uma punção, aplica uma injeção ou planeja uma intervenção cirúrgica, está utilizando conhecimentos construídos a partir da anatomia.

O ensino da anatomia está mudando

Durante muito tempo, o ensino anatômico esteve concentrado em livros, ilustrações, modelos e estudo de corpos humanos doados à ciência. Esses recursos continuam importantes, mas passaram a ser complementados por novas tecnologias.

Atualmente, estudantes podem utilizar:

  • Modelos anatômicos tridimensionais
  • Mesas digitais de dissecação
  • Aplicativos interativos
  • Realidade virtual e aumentada
  • Impressões em três dimensões
  • Exames de tomografia e ressonância magnética
  • Simulações clínicas

Essas tecnologias ajudam na visualização espacial e permitem repetir diferentes etapas do estudo. Entretanto, não eliminam a importância do professor, do contato com estruturas reais e da compreensão das variações existentes entre os corpos humanos.

Um aplicativo pode representar um corpo considerado padrão. Na realidade, cada organismo apresenta particularidades que precisam ser reconhecidas por estudantes e profissionais.

A contribuição das pessoas que doam seus corpos à ciência

O desenvolvimento do conhecimento anatômico também foi possível graças às pessoas que, em vida, decidiram doar seus corpos para o ensino e a pesquisa, bem como às famílias que autorizaram doações conforme os procedimentos legais.

Essas doações contribuem para a formação de profissionais mais preparados e para o desenvolvimento de técnicas capazes de proteger e salvar vidas.

O corpo utilizado no ensino não deve ser visto simplesmente como uma “peça”. Ele pertenceu a uma pessoa com nome, história, vínculos e dignidade. Por isso, seu estudo exige respeito, cuidado, ética e gratidão.

Fotografias, filmagens ou exposições inadequadas não combinam com a responsabilidade ética que deve existir dentro de um laboratório de anatomia.

Um conhecimento que atravessa séculos

A curiosidade sobre a organização do corpo acompanha a humanidade há milhares de anos. Ao longo da história, o estudo anatômico enfrentou limitações culturais, religiosas, técnicas e éticas. Com o desenvolvimento científico, tornou-se cada vez mais detalhado e integrado a outras áreas do conhecimento.

Hoje, a anatomia dialoga com a genética, a embriologia, a fisiologia, a patologia, a cirurgia, a radiologia, a antropologia, a biomecânica e as tecnologias digitais.

Ainda há muito a descobrir. Variações anatômicas continuam sendo descritas, novos métodos de visualização são desenvolvidos e diferentes formas de ensinar o corpo humano são pesquisadas.

Uma homenagem necessária

No Dia do Anatomista, nossa homenagem vai para professores, pesquisadores, técnicos e estudantes que trabalham para ampliar e compartilhar o conhecimento sobre o corpo.

Ensinar anatomia não significa apenas apresentar nomes difíceis ou estruturas isoladas. Significa ajudar futuros profissionais a compreenderem que cada órgão está relacionado a outros e que o corpo funciona como uma unidade complexa, dinâmica e profundamente integrada.

Aos que pesquisam, preservam, estudam e ensinam anatomia, nosso reconhecimento por contribuírem para a ciência, a educação e a formação dos profissionais que cuidarão de tantas vidas.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Sociedade Brasileira de Anatomia, Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo — Projeto de Lei nº 166/2010 e Classificação Brasileira de Ocupações — Ministério do Trabalho e Emprego.