Por que o coentro tem gosto de sabão para algumas pessoas?

Você já comeu coentro e teve a impressão de estar mastigando algo com gosto de sabão? Essa sensação é real e pode estar relacionada à maneira como o organismo percebe o aroma dessa planta.

O coentro contém substâncias chamadas aldeídos. Alguns desses compostos possuem aromas semelhantes aos encontrados em produtos de limpeza e sabonetes. Como grande parte do que chamamos de sabor depende também do olfato, determinadas pessoas percebem esses aldeídos com maior intensidade e associam o coentro ao gosto de sabão.

Pesquisas indicam que essa percepção pode sofrer influência genética. Variações localizadas próximas a genes responsáveis pelos receptores olfativos, especialmente na região do gene OR6A2, estão associadas a uma sensibilidade maior aos aldeídos do coentro. Entretanto, a genética não explica tudo: o costume, a cultura alimentar, a frequência de consumo e a forma de preparo também podem influenciar essa experiência.

Curiosidade surpreendente: enquanto algumas pessoas sentem gosto de sabão, outras percebem no coentro um sabor fresco, cítrico e agradável. Isso acontece porque cérebros diferentes podem interpretar os mesmos compostos aromáticos de maneiras distintas.

Eu também faço parte do grupo de pessoas para quem o coentro tem gosto de sabão. Portanto, se isso também acontece com você, saiba que não é impressão nem significa que o alimento esteja estragado. É apenas uma forma diferente de perceber seu aroma.

Esta pergunta foi feita por um aluno durante uma aula de ciências e fará parte do livro Professora, é verdade que…? O corpo humano explicado pelas perguntas das crianças, da Profa. Fran Narnib Lorenzon, que será publicado em breve.

Referência científica:
ERIKSSON, N. et al. A genetic variant near olfactory receptor genes influences cilantro preference. Flavour, v. 1, artigo 22, 2012.

Piloereção: O Que Causa Arrepios no Corpo Humano?

Por que ficamos arrepiados?

Quando sentimos frio, medo ou uma emoção intensa, pequenos músculos ligados aos pelos se contraem, fazendo com que eles fiquem levantados. Esse fenômeno é chamado de piloereção.

Nos animais com muitos pelos, essa reação ajuda a conservar o calor e também faz com que pareçam maiores diante de uma ameaça. Nos seres humanos, que possuem poucos pelos, o arrepio permaneceu como uma herança evolutiva dos nossos ancestrais.

Curiosidade extra: uma música, uma lembrança ou uma cena emocionante também pode provocar arrepios, porque o cérebro ativa respostas físicas relacionadas às emoções.

Esta pergunta foi feita por um aluno durante uma aula de ciências e fará parte do livro Professora, é verdade que…? O corpo humano explicado pelas perguntas das crianças, da Profa. Fran Narnib Lorenzon, que será publicado em breve.

Por que o estômago não digere a si mesmo

Você sabia que o estômago não digere a si mesmo?

O estômago produz um ácido muito forte para ajudar na digestão dos alimentos. Mesmo assim, ele não é destruído porque possui uma camada de muco que protege suas paredes contra a ação desse ácido.

Essa proteção é renovada constantemente. Quando ela é prejudicada, podem surgir inflamações e feridas, como gastrite e úlcera.

Curiosidade extra: as células que revestem o estômago são substituídas rapidamente, geralmente em poucos dias!

Esta pergunta foi feita por um aluno durante uma aula de Ciências e fará parte do livro Professora, é verdade que…? O corpo humano explicado pelas perguntas das crianças, da Profa. Fran Narnib Lorenzon, que será publicado em breve.

O poder dos rótulos na aprendizagem: o que o Efeito Rosenthal nos ensina

Na década de 1960, o psicólogo Robert Rosenthal e a educadora Lenore Jacobson realizaram um experimento em uma escola. Após a aplicação de um teste, disseram aos professores que alguns alunos apresentavam um potencial intelectual acima da média e provavelmente teriam um grande desenvolvimento durante o ano.

Havia, porém, um detalhe: esses estudantes haviam sido escolhidos ao acaso. Eles não possuíam nenhuma característica especial que os diferenciasse dos demais.

Mesmo assim, ao final do período, parte dos alunos apontados como promissores apresentou avanços. A explicação proposta pelos pesquisadores foi que as expectativas dos professores modificaram, ainda que inconscientemente, a maneira como eles tratavam essas crianças. Elas podem ter recebido mais atenção, incentivo, tempo para responder, oportunidades de participação e confiança.

O rótulo não aumentou magicamente a inteligência dos estudantes. Ele mudou o ambiente ao redor deles. Ao serem tratados como capazes, tiveram mais oportunidades de agir como pessoas capazes e de reconhecer o próprio potencial.

Esse fenômeno ficou conhecido como Efeito Rosenthal ou Efeito Pigmaleão. Ele nos ajuda a compreender por que os rótulos exercem tanta influência. Quando alguém ouve repetidamente que é inteligente, competente e capaz, pode enfrentar os desafios com mais confiança e persistência. Quando escuta que é preguiçoso, difícil ou incapaz, pode desenvolver medo de errar, ansiedade, insegurança e desistência.

Essas experiências não alteram o cérebro por meio de um “comando mágico”. Entretanto, podem influenciar a atenção, a motivação, as emoções, o nível de estresse e as escolhas realizadas diante de uma tarefa. Com o tempo, essas respostas também participam da construção das aprendizagens e da imagem que a pessoa forma de si mesma.

Por isso, precisamos ter cuidado com as palavras usadas para definir uma criança. Quando dizemos “ele não aprende”, “ela é desinteressada” ou “esse aluno não tem jeito”, podemos transformar uma dificuldade momentânea em uma identidade.

Acreditar no potencial de alguém não significa ignorar suas dificuldades nem imaginar que o pensamento positivo resolverá tudo. Aprender também depende de ensino adequado, acessibilidade, recursos, acompanhamento e condições sociais. Mas ninguém deveria precisar lutar, além de todas as suas dificuldades, contra o olhar de quem já desistiu dele.

Um rótulo pode aprisionar uma pessoa naquilo que ela ainda não consegue fazer. Um olhar de esperança pode ajudá-la a descobrir aquilo que ainda pode aprender.

Fran N. Lorenzon