Primeiros socorros na escola

Crise convulsiva na escola: como identificar, o que fazer e quando há risco à vida

Uma criança cai repentinamente, perde a consciência, apresenta rigidez no corpo e começa a fazer movimentos involuntários. Diante dessa cena, é comum que professores e outros profissionais sintam medo e não saibam como agir. Algumas pessoas tentam segurar o estudante, abrir sua boca ou colocar um objeto entre os dentes. Entretanto, essas atitudes podem causar ferimentos e agravar a situação.

A crise convulsiva exige atenção, rapidez e, principalmente, conhecimento. A escola não substitui o atendimento médico, mas precisa saber proteger o estudante até a chegada do serviço de emergência.

O que é uma crise convulsiva?

A crise convulsiva acontece quando uma atividade elétrica anormal no cérebro provoca alterações involuntárias nos movimentos, na consciência ou no comportamento.

Na forma mais conhecida, chamada crise tônico-clônica, a pessoa pode perder a consciência, apresentar rigidez muscular e, depois, movimentos repetitivos dos braços e das pernas.

No entanto, nem toda crise epiléptica provoca uma convulsão evidente. Algumas podem se manifestar por meio de:

  • olhar fixo e ausência de resposta;
  • interrupção repentina da fala ou da atividade;
  • movimentos repetitivos da boca, das mãos ou dos olhos;
  • confusão súbita;
  • queda sem causa aparente;
  • alteração momentânea do comportamento;
  • sensações estranhas, medo súbito ou percepção de cheiros inexistentes;
  • perda ou redução da consciência.

Por isso, conhecer o estudante e observar mudanças repentinas em seu comportamento é importante, especialmente quando já existe um diagnóstico neurológico.

Convulsão e epilepsia são a mesma coisa?

Não.

A convulsão é uma manifestação que pode ocorrer por diferentes causas, como febre, alterações metabólicas, traumatismo craniano, intoxicação, infecção do sistema nervoso, redução importante da glicose no sangue ou epilepsia.

A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada pela predisposição a crises epilépticas recorrentes. Uma pessoa pode apresentar uma crise convulsiva isolada sem necessariamente ter epilepsia.

O diagnóstico deve ser realizado por profissional de saúde. A escola não deve tentar determinar a causa da crise, mas observar o que aconteceu, prestar os primeiros socorros e comunicar as informações aos responsáveis e à equipe médica.

Como reconhecer uma crise tônico-clônica?

Durante uma crise, o estudante pode apresentar:

  • perda súbita da consciência;
  • queda;
  • corpo rígido;
  • movimentos involuntários e repetitivos;
  • mandíbula contraída;
  • salivação;
  • respiração ruidosa ou aparentemente irregular;
  • alteração temporária da coloração dos lábios;
  • perda de urina ou fezes;
  • mordedura da língua;
  • confusão, cansaço ou sonolência após o episódio.

A crise pode parecer muito longa para quem está observando, mesmo quando dura menos de dois minutos. Por isso, uma das providências mais importantes é marcar o horário de início.

O que fazer durante uma crise convulsiva?

1. Mantenha a calma e observe o horário

Cronometre a duração da crise desde o início. Essa informação ajuda a determinar a gravidade da situação e será importante para o atendimento médico.

Se possível, peça para outro profissional acionar a equipe gestora, buscar o protocolo individual do estudante e afastar os demais alunos, preservando sua privacidade.

2. Proteja a cabeça

Coloque algo macio sob a cabeça, como um casaco dobrado, uma toalha ou uma mochila sem objetos rígidos. Isso reduz o risco de traumatismo provocado pelo impacto contra o chão.

3. Afaste os objetos perigosos

Retire cadeiras, mesas, brinquedos ou outros objetos que possam causar ferimentos. Se a crise ocorrer perto de uma escada, janela, piscina, equipamento elétrico ou outro local perigoso, proteja o estudante sem conter seus movimentos à força.

4. Afrouxe roupas apertadas

Afrouxe golas, gravatas, cachecóis ou peças que estejam apertadas ao redor do pescoço.

5. Lateralize o estudante quando for possível

Coloque-o de lado, na posição lateral de segurança, assim que isso puder ser feito sem força. Essa posição facilita a saída de saliva ou vômito e ajuda a manter as vias respiratórias livres.

Se não for possível lateralizá-lo durante os movimentos, faça isso assim que a fase de contrações terminar.

6. Permaneça ao lado dele

Não deixe o estudante sozinho. Observe sua respiração, a duração da crise e as características dos movimentos.

Quando ele começar a recuperar a consciência, fale com voz tranquila. Explique onde está e que está sendo cuidado. É comum ocorrer confusão, sonolência, dor de cabeça, vergonha ou dificuldade para lembrar o que aconteceu.

O que nunca deve ser feito?

Não coloque nada na boca

Não introduza dedos, colheres, canetas, panos, remédios ou qualquer outro objeto entre os dentes.

A pessoa não engole a própria língua durante uma convulsão. A tentativa de abrir a boca pode quebrar dentes, lesionar a mandíbula, obstruir a respiração ou ferir quem está prestando o atendimento.

Não segure os movimentos

Não imobilize braços e pernas e não tente interromper as contrações. A contenção pode provocar luxações, fraturas e outras lesões.

Não ofereça água, alimentos ou medicamentos pela boca

Enquanto não estiver completamente consciente, o estudante corre risco de engasgar. Não ofereça água, comida ou comprimidos durante ou imediatamente após a crise.

Medicamentos de resgate somente devem ser utilizados quando houver prescrição, plano individual previamente estabelecido, autorização formal e profissional devidamente capacitado, conforme as normas da instituição e da rede de ensino.

Não jogue água no rosto

Também não sacuda o estudante, não grite e não ofereça álcool ou outras substâncias para ele cheirar. Essas medidas não interrompem a crise e podem causar outros riscos.

Não faça respiração boca a boca durante as contrações

A respiração pode parecer irregular durante uma crise tônico-clônica. O mais importante é proteger a pessoa, aguardar o término dos movimentos e verificar a respiração em seguida.

Se, depois que os movimentos terminarem, o estudante não estiver respirando normalmente, acione imediatamente o SAMU e siga as orientações fornecidas pelo atendente. A reanimação cardiopulmonar deve ser iniciada por pessoa capacitada.

Quando a crise pode representar risco à vida?

Uma convulsão prolongada ou crises repetidas sem recuperação da consciência podem caracterizar uma emergência neurológica chamada estado de mal epiléptico.

O SAMU deve ser acionado pelo número 192 quando:

  • a crise durar cinco minutos ou mais;
  • ocorrer uma segunda crise sem que o estudante recupere a consciência;
  • for a primeira crise conhecida;
  • o estudante permanecer inconsciente ou apresentar dificuldade para respirar depois que os movimentos terminarem;
  • houver lesão importante, sangramento ou suspeita de traumatismo craniano;
  • a crise acontecer dentro da água;
  • houver suspeita de intoxicação;
  • o estudante tiver diabetes;
  • a pessoa estiver grávida;
  • a crise for diferente do padrão habitual informado no plano individual;
  • a equipe escolar estiver em dúvida sobre a gravidade;
  • o protocolo individual determinar o acionamento imediato.

Ao ligar para o SAMU, informe:

  • nome e idade aproximada do estudante;
  • endereço completo da escola;
  • horário de início e duração da crise;
  • se ele está respirando;
  • se houve queda ou ferimento;
  • se existe diagnóstico conhecido;
  • se ocorreu mais de uma crise;
  • quais medidas foram realizadas.

Siga as orientações do atendente e mantenha uma pessoa na entrada da escola para facilitar a chegada da equipe.

Toda crise convulsiva leva à morte?

Não. A maioria das crises termina espontaneamente em poucos minutos e não provoca morte.

Entretanto, crises prolongadas, crises sucessivas, comprometimento respiratório, acidentes durante o episódio e determinadas condições clínicas podem representar risco à vida. Por isso, marcar o tempo e reconhecer os sinais de emergência são atitudes essenciais.

Também é importante não banalizar uma crise conhecida. O fato de o estudante já ter epilepsia não significa que toda ocorrência possa ser tratada como algo habitual. Mudanças na duração, intensidade, recuperação ou padrão da crise precisam ser comunicadas à família e avaliadas por profissionais de saúde.

O que fazer depois da crise?

Após o término dos movimentos:

  1. mantenha o estudante de lado;
  2. verifique se ele está respirando normalmente;
  3. observe se existem ferimentos;
  4. preserve sua privacidade;
  5. não permita que ele se levante imediatamente;
  6. permaneça ao seu lado até a recuperação;
  7. comunique a direção e a família;
  8. siga o plano individual e as normas da instituição;
  9. registre detalhadamente o episódio.

O estudante pode precisar dormir ou descansar. A decisão sobre permanência na escola, encaminhamento para atendimento ou retorno para casa deve considerar seu estado, o plano de saúde individual, a orientação da família e, quando acionado, o serviço de emergência.

Como registrar o episódio?

O registro escolar deve ser objetivo e descrever fatos observados, sem interpretações ou diagnósticos.

Anote:

  • data e horário;
  • local onde ocorreu;
  • atividade realizada antes da crise;
  • comportamento observado no início;
  • partes do corpo envolvidas;
  • presença de rigidez, movimentos, queda ou perda de consciência;
  • duração;
  • condição da respiração;
  • coloração da pele ou dos lábios;
  • presença de vômito, salivação, perda de urina ou ferimentos;
  • tempo necessário para recuperar a consciência;
  • medidas adotadas;
  • horário de contato com a família e com o serviço de emergência;
  • profissionais que acompanharam a ocorrência.

Se houver câmeras no ambiente, a instituição deve preservar a privacidade do estudante e seguir as normas de proteção de dados. Filmar uma criança em crise com celular pessoal ou divulgar imagens é inadequado e pode violar sua dignidade.

A importância do plano individual de emergência

Quando a escola recebe um estudante com histórico de epilepsia ou crises convulsivas, deve solicitar à família e aos profissionais de saúde um plano individual atualizado.

Esse documento pode informar:

  • como as crises geralmente se manifestam;
  • duração habitual;
  • sinais que indicam maior gravidade;
  • situações que exigem o SAMU;
  • contatos de emergência;
  • cuidados posteriores;
  • existência de medicação de resgate e condições legalmente estabelecidas para sua utilização;
  • limitações ou cuidados em atividades específicas.

O plano deve ser conhecido pelos profissionais que acompanham o estudante, inclusive professores substitutos, monitores, equipe gestora e responsáveis por passeios ou atividades fora da escola.

A escola precisa estar preparada

A Lei nº 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas, determina a capacitação em noções básicas de primeiros socorros para professores e funcionários de estabelecimentos públicos e privados de educação básica e de recreação infantil.

Entretanto, a existência da lei não deve transformar o professor em profissional de saúde. O objetivo é oferecer conhecimentos que permitam reconhecer uma emergência, reduzir riscos e prestar os cuidados iniciais até a chegada do atendimento especializado.

A instituição também deve:

  • manter os contatos de emergência atualizados;
  • definir quem liga para o SAMU e quem acompanha os demais alunos;
  • garantir acesso rápido à entrada da escola;
  • realizar treinamentos periódicos;
  • incluir funcionários de diferentes turnos e funções;
  • revisar os protocolos após cada ocorrência;
  • evitar que somente um profissional conheça o plano do estudante.

Conhecimento protege e também combate o preconceito

Além do risco físico, estudantes com epilepsia podem sofrer exclusão, medo, superproteção ou constrangimento.

Após uma crise, os colegas não precisam receber detalhes médicos. Contudo, a escola pode trabalhar, de maneira respeitosa e adequada à idade, a importância de pedir ajuda, manter o espaço livre e não filmar ou zombar de alguém que esteja passando mal.

Uma crise convulsiva não diminui a capacidade intelectual nem o valor de uma pessoa. Com acompanhamento médico, planejamento e acolhimento, estudantes com epilepsia podem aprender, participar e desenvolver-se no ambiente escolar.

Saber o que fazer diante de uma convulsão não elimina o medo, mas impede que o medo conduza a atitudes perigosas. Na escola, preparação, organização e respeito podem proteger uma vida.

Profa. Fran Narnib Lorenzon

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui treinamento prático em primeiros socorros, avaliação médica ou os protocolos oficiais da rede de ensino.

Fontes consultadas

Alergias

Alergia a corantes vermelhos na infância: quando um simples lanche exige cuidado, conhecimento e inclusão

Profa. Fran N. Lorenzon

Em 2024, tive um aluno que apresentava alergia a corantes vermelhos. A convivência com ele me fez compreender que uma restrição alimentar não envolve apenas cuidados com a saúde. Ela também alcança as emoções, as relações sociais e o sentimento de pertencimento da criança.

Durante os momentos de lanche, ele observava alguns alimentos oferecidos aos colegas e demonstrava vontade de comê-los, mas não podia por causa do risco de uma reação. Algumas vezes, ele chorava porque não compreendia por que as outras crianças podiam comer determinados lanches e ele não. Eu sentia uma dor enorme no coração ao observar aquela criança. Sabia que a restrição era indispensável para protegê-lo, mas também percebia sua tristeza e frustração.

Para os demais alunos, talvez fosse apenas um doce, uma gelatina, um biscoito ou uma bebida colorida. Para ele, aquele alimento representava, ao mesmo tempo, um desejo e um perigo. Essa experiência me ensinou que acolher uma criança com alergia alimentar não significa somente impedir que ela consuma determinado produto. É necessário garantir sua segurança sem transformar a proteção em isolamento. A escola precisa cuidar do corpo da criança, mas também de seus sentimentos.

O que são os corantes alimentares?

Os corantes são aditivos utilizados para conferir, intensificar ou restaurar a cor dos alimentos. Eles podem ser naturais, obtidos de plantas, minerais ou animais, ou sintéticos, produzidos industrialmente.

A expressão “corante vermelho” não identifica uma única substância. Existem diferentes corantes capazes de produzir tons vermelhos, rosados, alaranjados ou arroxeados, entre eles:

  • Carmim, ácido carmínico ou cochonilha, identificado pelo número INS 120;
  • Azorrubina, INS 122;
  • Amaranto, INS 123;
  • Ponceau 4R, INS 124;
  • Eritrosina, INS 127;
  • Vermelho 40 ou vermelho allura AC, INS 129;
  • Betanina ou vermelho de beterraba, INS 162.

Carmim, eritrosina e vermelho 40 são substâncias diferentes, embora todas possam conferir coloração avermelhada aos produtos. Por isso, dizer apenas que alguém apresenta “alergia ao vermelho” pode não ser suficiente para identificar o agente responsável pela reação. É importante descobrir, com acompanhamento médico, qual substância precisa ser evitada. A Anvisa regulamenta e mantém a relação dos aditivos autorizados para cada categoria de alimento no Brasil.

Alergia, intolerância e hipersensibilidade não são a mesma coisa

Nem toda reação desagradável após a ingestão de um alimento é uma alergia. A alergia alimentar verdadeira envolve uma resposta do sistema imunológico contra determinada substância. Em algumas situações, há participação de anticorpos do tipo IgE, podendo ocorrer uma reação rápida e potencialmente grave.

A intolerância não apresenta o mesmo mecanismo imunológico. Ela pode estar relacionada à dificuldade do organismo para processar determinado componente ou a outros mecanismos ainda não completamente compreendidos. O termo hipersensibilidade é mais abrangente e pode ser utilizado para descrever diferentes tipos de reação adversa.

Essa distinção é especialmente importante quando se fala em corantes. A literatura científica mostra que as reações a aditivos alimentares são possíveis, porém incomuns. Além disso, muitos casos atribuídos a determinado corante não são confirmados quando investigados de maneira controlada.

Uma importante revisão científica sobre corantes e reações alérgicas em crianças concluiu que o diagnóstico pode ser difícil e que os testes alérgicos convencionais frequentemente não identificam reações aos corantes sintéticos. As evidências de alergia imunológica são mais consistentes para alguns corantes naturais, especialmente o carmim. A principal conduta, depois da confirmação diagnóstica, é evitar a substância responsável. O estudo foi publicado na revista Food Chemistry e está indexado no PubMed.

O carmim merece atenção especial

O carmim, também chamado de cochonilha ou ácido carmínico, é um corante natural vermelho produzido a partir de insetos cochonilhas. Embora seja natural, isso não significa que seja incapaz de provocar alergia.

Proteínas presentes no processo de obtenção desse corante podem atuar como alérgenos. Há relatos científicos de urticária, angioedema, sintomas respiratórios e anafilaxia associados ao carmim. A Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia reconhece que as alergias a aditivos são raras, mas reais, e destaca o carmim entre os corantes relacionados a casos de reação alérgica grave.

O carmim pode estar presente em:

  • Iogurtes e bebidas lácteas;
  • Balas, doces, confeitos e chicletes;
  • Sorvetes, gelatinas e sobremesas;
  • Bolos, coberturas e biscoitos recheados;
  • Sucos e bebidas industrializadas;
  • Embutidos e outros alimentos processados;
  • Medicamentos, suplementos e vitaminas;
  • Cosméticos e produtos de higiene.

Portanto, a cor do alimento não permite identificar sua composição com segurança. Um produto vermelho pode não conter corante, enquanto um alimento rosa, roxo, laranja ou sem coloração intensa pode conter o aditivo.

E o vermelho 40?

O vermelho 40, também denominado vermelho allura AC ou INS 129, é um corante sintético amplamente utilizado. Ele não deve ser confundido com o carmim.

Há relatos de reações adversas atribuídas ao vermelho 40, mas as evidências de alergia clássica mediada por IgE são mais limitadas do que as existentes para o carmim. Isso não significa que os sintomas relatados pela criança ou pela família devam ser ignorados. Significa que cada caso precisa ser investigado individualmente, pois a reação também pode estar relacionada a outro ingrediente presente no mesmo produto.

Um doce vermelho, por exemplo, pode conter simultaneamente corante, leite, soja, gelatina, aromatizantes, conservantes e outros componentes. Sem avaliação adequada, é difícil determinar qual deles provocou os sintomas.

Quais sintomas podem ocorrer?

As manifestações variam de acordo com a pessoa e com o mecanismo envolvido. Os possíveis sinais de uma reação alérgica incluem:

  • Coceira;
  • Vermelhidão na pele;
  • Urticária;
  • Inchaço dos lábios, olhos, língua ou rosto;
  • Dor abdominal;
  • Náuseas ou vômitos;
  • Tosse persistente;
  • Rouquidão;
  • Chiado no peito;
  • Dificuldade para respirar;
  • Tontura, palidez ou desmaio.

Dificuldade respiratória, inchaço da língua ou da garganta, alteração da voz, queda de pressão, desmaio ou comprometimento rápido de mais de um sistema do organismo podem indicar anafilaxia. Trata-se de uma emergência médica.

A adrenalina é o medicamento de primeira escolha no tratamento da anafilaxia. Anti-histamínicos podem aliviar algumas manifestações cutâneas, mas não substituem a adrenalina nem devem atrasar sua utilização quando ela estiver indicada no plano médico da criança. A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que o reconhecimento precoce e o uso correto da adrenalina são decisivos.

Em uma emergência, a escola deve seguir o plano individual de atendimento, acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192 e comunicar a família. Medicamentos só devem ser administrados por pessoas orientadas e de acordo com a prescrição e o protocolo previamente estabelecidos.

Como o diagnóstico é realizado?

O diagnóstico não deve ser feito somente pela cor do alimento ou por tentativas realizadas em casa. A avaliação precisa ser conduzida por um médico, preferencialmente alergista.

O processo pode incluir:

  1. Levantamento dos alimentos consumidos antes da reação;
  2. Análise do tempo entre a ingestão e o aparecimento dos sintomas;
  3. Conferência das marcas, dos rótulos e dos ingredientes;
  4. Registro fotográfico das manifestações, quando possível;
  5. Testes cutâneos ou exames de IgE específica, quando aplicáveis;
  6. Exclusão temporária e orientada da substância suspeita;
  7. Teste de provocação oral, quando indicado, em ambiente médico preparado para atender emergências.

O teste de provocação oral é uma ferramenta importante para confirmar ou afastar determinadas alergias alimentares, mas nunca deve ser realizado pela família ou pela escola. As diretrizes da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica ressaltam que os resultados dos exames precisam ser interpretados juntamente com a história clínica.

A importância de ler os rótulos

No Brasil, os aditivos devem aparecer na lista de ingredientes por meio de sua função tecnológica acompanhada do nome ou do número INS. Assim, podem ser encontradas expressões como:

  • “Corante carmim”;
  • “Corante cochonilha”;
  • “Corante ácido carmínico”;
  • “Corante INS 120”;
  • “Corante vermelho 40”;
  • “Corante vermelho allura AC”;
  • “Corante INS 129”.

A RDC nº 727/2022, explicada pela Anvisa, determina a declaração dos aditivos na lista de ingredientes. Entretanto, as fórmulas podem ser modificadas. Um alimento consumido anteriormente sem reação não deve ser considerado automaticamente seguro para sempre. O rótulo precisa ser conferido a cada compra.

Produtos sem embalagem, lanches artesanais e alimentos oferecidos em festas exigem atenção adicional, pois sua composição pode não estar disponível. Se não for possível confirmar os ingredientes com segurança, o alimento não deve ser oferecido à criança. Uma opção segura e equivalente precisa ser providenciada.

Cuidados necessários no ambiente escolar

A proteção não deve depender somente da atenção de um professor. Toda a equipe que acompanha a criança precisa conhecer a restrição e saber como agir.

Entre as medidas recomendadas estão:

  • Solicitar à família um relatório médico atualizado;
  • Registrar exatamente o nome do corante ou ingrediente que deve ser evitado;
  • Manter um plano individual de emergência;
  • Informar professores, auxiliares, merendeiros, coordenação e demais responsáveis;
  • Ler os rótulos antes de oferecer qualquer produto;
  • Não confiar apenas na aparência ou na cor do alimento;
  • Evitar trocas de lanches entre as crianças;
  • Observar o risco de contato cruzado por mãos, utensílios e superfícies;
  • Planejar previamente festas, receitas e atividades culinárias;
  • Manter os contatos da família e do atendimento de emergência acessíveis;
  • Treinar a equipe para reconhecer sinais de anafilaxia;
  • Nunca testar a tolerância da criança dentro da escola.

Também é importante orientar os colegas de maneira respeitosa e adequada à idade, sem expor a criança. O objetivo não é despertar medo, mas construir responsabilidade coletiva.

Segurança também significa pertencimento

A dimensão emocional das alergias alimentares nem sempre recebe a atenção necessária. A criança não deseja apenas se alimentar. Ela deseja participar do mesmo momento vivido pelos colegas.

Em minha experiência como professora, eu percebia essa dor durante o lanche. Meu aluno queria determinados alimentos e não podia comê-los. Algumas vezes, chorava diante da impossibilidade de experimentar aquilo que os colegas estavam comendo. Eu compreendia a necessidade da restrição, mas também via a tristeza em seu olhar.

Essa experiência me ensinou que dizer apenas “você não pode” não é suficiente. A escola precisa explicar a situação de maneira adequada à idade, acolher o choro e oferecer uma alternativa segura e igualmente atraente. Sempre que possível, a criança deve receber um lanche semelhante ao dos colegas, previamente verificado com a família, para que não permaneça apenas observando.

Se todos recebem um bolo colorido, por exemplo, a criança com alergia não deveria ficar sem participar da comemoração. Com planejamento e diálogo com a família, pode-se providenciar uma opção segura. Não se trata de oferecer escondido um alimento diferente, como se sua condição precisasse ser ocultada, mas de incluí-la com naturalidade, respeito e dignidade.

Algumas atitudes podem fazer diferença:

  • Avisar a família com antecedência sobre festas e comemorações;
  • Manter opções seguras para ocasiões inesperadas;
  • Planejar atividades nas quais a participação não dependa do consumo de alimentos;
  • Evitar frases que façam a criança se sentir culpada ou problemática;
  • Ensinar os colegas a não oferecerem alimentos sem autorização;
  • Valorizar aquilo que a criança pode consumir, em vez de destacar apenas as proibições;
  • Nunca utilizar alimentos com alérgenos conhecidos em brincadeiras ou atividades sensoriais.

Proteger sem excluir

A alergia alimentar pode transformar ações corriqueiras em decisões complexas. Um lanche compartilhado, uma lembrancinha de aniversário ou uma atividade culinária pode representar risco. Entretanto, quando família, profissionais de saúde e escola trabalham juntos, é possível construir um ambiente mais seguro e acolhedor.

As diretrizes atuais recomendam que pessoas com alergia alimentar confirmada recebam orientação para evitar o alérgeno, um plano escrito de tratamento e educação para reconhecer os sintomas. A diretriz de 2024 da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica também reconhece a importância do apoio diante da ansiedade e das dificuldades emocionais associadas à condição.

A criança com alergia não deve ser definida por aquilo que não pode comer. Ela continua precisando brincar, aprender, celebrar e sentir que pertence ao grupo. A verdadeira inclusão acontece quando a escola consegue conciliar dois compromissos: proteger a vida e acolher os sentimentos.

Minha experiência com aquele aluno, em 2024, permaneceu comigo. Eu sentia sua dor quando ele queria determinado lanche e não podia comê-lo. Seu choro mostrava que a restrição não atingia apenas seu corpo, mas também suas emoções. Hoje compreendo ainda mais que o cuidado não termina quando retiramos o alimento perigoso. Ele se completa quando oferecemos uma alternativa segura, acolhemos a frustração, preservamos a dignidade da criança e garantimos que ela não seja apenas protegida, mas verdadeiramente incluída.

Referências

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia: perguntas e respostas. Brasília, DF: Anvisa. Disponível em: Anvisa. Acesso em: 22 jul. 2026.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Rotulagem de aromatizantes e corantes em alimentos. Brasília, DF: Anvisa, 2026. Disponível em: Anvisa. Acesso em: 22 jul. 2026.

EUROPEAN ACADEMY OF ALLERGY AND CLINICAL IMMUNOLOGY. EAACI guidelines on the diagnosis of IgE-mediated food allergy. Disponível em: EAACI. Acesso em: 22 jul. 2026.

EUROPEAN ACADEMY OF ALLERGY AND CLINICAL IMMUNOLOGY. EAACI guidelines on the management of IgE-mediated food allergy. Allergy, 2024. Disponível em: EAACI. Acesso em: 22 jul. 2026.

FEKETEA, G.; TSABOURI, S. Common food colorants and allergic reactions in children: myth or reality? Food Chemistry, v. 230, p. 578–588, 2017. Disponível em: PubMed. Acesso em: 22 jul. 2026.

AMERICAN ACADEMY OF ALLERGY, ASTHMA & IMMUNOLOGY. Food allergy to additives: rare but real. Disponível em: AAAAI. Acesso em: 22 jul. 2026.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Anafilaxia: atualização 2021. Rio de Janeiro: SBP, 2021. Disponível em: Sociedade Brasileira de Pediatria. Acesso em: 22 jul. 2026.

Este artigo possui caráter informativo e educacional. Não substitui avaliação médica, diagnóstico individualizado ou plano de emergência elaborado por profissionais de saúde.

Suor nas axilas: por que o mau cheiro acontece e como combatê-lo?

“Suar é uma função natural do organismo. O problema não é o suor, mas o que acontece quando ele encontra as bactérias presentes na pele.”

Você sua muito? Entenda o que acontece

Suar faz parte do funcionamento normal do corpo. No entanto, muitas pessoas se perguntam por que algumas transpiram mais do que outras ou por que o suor das axilas apresenta um odor característico, enquanto em outras regiões isso não acontece.

A boa notícia é que o suor, por si só, não possui cheiro. O famoso “cecê”, conhecido cientificamente como bromidrose, surge quando bactérias naturalmente presentes na pele degradam substâncias encontradas no suor, especialmente aquele produzido pelas glândulas apócrinas.

Compreender esse mecanismo é o primeiro passo para prevenir e controlar o problema.

Qual é a função do suor?

O suor é um líquido produzido pelas glândulas sudoríparas cuja principal função é regular a temperatura corporal.

Quando a temperatura do corpo aumenta, seja por causa do calor, da prática de exercícios físicos, da febre ou até mesmo do estresse, as glândulas produzem suor. Ao evaporar na superfície da pele, esse líquido ajuda a resfriar o organismo, mantendo o equilíbrio da temperatura corporal.

Esse processo recebe o nome de termorregulação e é essencial para a manutenção da vida.

O que é homeostase?

Nosso organismo trabalha continuamente para manter um ambiente interno equilibrado, independentemente das mudanças do ambiente externo.

Esse equilíbrio é chamado de homeostase.

Entre os vários mecanismos envolvidos na homeostase está justamente a sudorese, responsável por impedir que o corpo superaqueça.

O que são as glândulas sudoríparas?

As glândulas sudoríparas são pequenas estruturas presentes na pele responsáveis pela produção do suor.

Existem milhões delas distribuídas por praticamente todo o corpo, com exceção de algumas regiões específicas, como os lábios, a glande do pênis, o prepúcio, o clitóris e os pequenos lábios da vulva.

Essas glândulas pertencem ao grupo das glândulas exócrinas, pois liberam suas secreções diretamente na superfície da pele ou nos folículos pilosos.

Existem dois tipos de glândulas sudoríparas

Glândulas écrinas

São as mais numerosas.

Estão distribuídas por quase toda a superfície corporal, concentrando-se principalmente nas palmas das mãos, plantas dos pés e testa.

Produzem um suor mais aquoso, composto principalmente por água, sais minerais e pequenas quantidades de ureia e outras substâncias.

São responsáveis pelo controle da temperatura corporal.

Glândulas apócrinas

São maiores e encontram-se principalmente:

  • Axilas
  • Aréolas mamárias
  • Região genital
  • Região perianal

Essas glândulas começam a funcionar na puberdade e produzem uma secreção mais espessa e rica em proteínas e lipídios.

Curiosamente, essa secreção também não possui cheiro.

O odor aparece quando as bactérias presentes na pele degradam essas substâncias.

Afinal, por que as axilas têm cheiro?

As axilas oferecem um ambiente perfeito para a proliferação das bactérias.

Ali existe:

  • maior temperatura;
  • pouca ventilação;
  • presença de pelos;
  • maior umidade.

Essas condições favorecem a multiplicação dos microrganismos, que utilizam componentes do suor como alimento e liberam compostos responsáveis pelo odor desagradável.

Portanto, o problema não é o suor em si, mas a interação entre suor e bactérias.

O que é hiperidrose?

Algumas pessoas apresentam uma produção exagerada de suor, condição conhecida como hiperidrose.

Ela pode ocorrer principalmente:

  • nas axilas;
  • nas mãos;
  • nos pés;
  • no rosto.

A hiperidrose pode causar desconforto emocional, dificuldades nas atividades diárias e prejuízos à qualidade de vida.

Nesses casos, é importante procurar orientação médica para avaliação e tratamento.

O que pode aumentar o suor e o odor?

Diversos fatores influenciam a transpiração e o odor corporal, entre eles:

  • calor intenso;
  • prática de exercícios físicos;
  • estresse e ansiedade;
  • alterações hormonais;
  • obesidade;
  • consumo excessivo de alimentos muito condimentados;
  • bebidas alcoólicas;
  • algumas doenças;
  • determinados medicamentos.

Como reduzir o mau cheiro nas axilas?

Algumas medidas simples ajudam bastante.

Mantenha uma boa higiene

Lavar diariamente as axilas com água e sabonete ajuda a reduzir a quantidade de bactérias presentes na pele.

Mantenha a região seca

Após o banho, seque bem as axilas antes de aplicar o desodorante.

Utilize desodorantes ou antitranspirantes

Os desodorantes ajudam a controlar o odor.

Os antitranspirantes reduzem a produção de suor e podem ser bastante eficazes para quem transpira excessivamente.

Prefira roupas leves

Tecidos de algodão favorecem a ventilação da pele e diminuem a umidade local.

Depilação

A remoção dos pelos pode facilitar a higiene e diminuir o acúmulo de bactérias e suor.

Receitas caseiras funcionam?

Algumas receitas populares utilizam bicarbonato de sódio, leite de magnésia ou limão.

Embora algumas pessoas relatem melhora, essas alternativas devem ser usadas com cautela.

O limão, por exemplo, pode causar queimaduras e manchas na pele quando há exposição à luz solar, devido a uma reação chamada fitofotodermatite.

Por isso, o uso de receitas caseiras não substitui a orientação de um profissional de saúde, especialmente quando o problema é persistente.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica se:

  • o suor surgir de forma repentina e intensa;
  • houver suor excessivo mesmo em repouso;
  • o odor persistir apesar dos cuidados de higiene;
  • a transpiração estiver comprometendo sua qualidade de vida.

Dermatologistas podem indicar tratamentos específicos, incluindo medicamentos, antitranspirantes de alta concentração, aplicação de toxina botulínica (Botox®) e outros procedimentos, conforme cada caso.

 Curiosidade BioPsicoEduca

Você sabia que uma pessoa pode produzir mais de 1 litro de suor por hora durante exercícios intensos ou em ambientes muito quentes?

Essa é uma resposta natural do organismo para evitar o superaquecimento.

Resumindo

✔ O suor é essencial para controlar a temperatura do corpo.

✔ O suor não possui cheiro.

✔ O odor das axilas é causado pela ação das bactérias sobre a secreção das glândulas apócrinas.

✔ Higiene, antitranspirantes e roupas adequadas ajudam a controlar o problema.

✔ Casos de suor excessivo ou odor persistente devem ser avaliados por um médico.

Profa. Fran Narnib

TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL(TPM)

Tensão pré-menstrual: quando os sintomas vão além de um simples incômodo

A sigla TPM, usada para designar a tensão pré-menstrual, muitas vezes aparece em piadas, comentários depreciativos e até situações de bullying contra as mulheres. No entanto, a TPM não é “frescura”, falta de controle ou uma característica da personalidade. Trata-se de uma condição real, relacionada ao ciclo menstrual, que pode provocar sintomas físicos, emocionais e comportamentais.

Esses sintomas costumam surgir durante a fase lútea, período compreendido entre a ovulação e o início da menstruação. Geralmente melhoram nos primeiros dias do fluxo menstrual e ficam ausentes ou muito reduzidos durante parte do ciclo.

Quando os sintomas são intensos, recorrentes e interferem nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos ou nas atividades cotidianas, é necessário procurar avaliação profissional.

Por que a TPM acontece?

A causa exata da TPM ainda não foi completamente esclarecida. As evidências indicam que ela não ocorre simplesmente porque a mulher possui “hormônios demais” ou “hormônios de menos”.

A explicação mais aceita envolve uma sensibilidade aumentada do cérebro às oscilações naturais do estrogênio e da progesterona após a ovulação. Essas mudanças podem influenciar neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, do sono, do apetite e da ansiedade, especialmente a serotonina e o ácido gama-aminobutírico, conhecido como GABA.

Nem todas as pessoas que menstruam respondem da mesma maneira às oscilações hormonais. Fatores genéticos, emocionais, sociais e ambientais podem influenciar a intensidade dos sintomas.

Entendendo o ciclo menstrual

O ciclo menstrual é regulado pela comunicação entre o hipotálamo, a hipófise e os ovários, formando o chamado eixo hipotálamo-hipófise-ovário.

A hipófise produz dois hormônios importantes:

  • FSH, ou hormônio folículo-estimulante: estimula o crescimento dos folículos ovarianos.
  • LH, ou hormônio luteinizante: participa da maturação folicular e seu aumento acentuado desencadeia a ovulação.

O ciclo pode ser dividido em três momentos principais:

Fase folicular

Começa no primeiro dia da menstruação. Nesse período, os folículos ovarianos se desenvolvem e os níveis de estrogênio aumentam gradualmente. O estrogênio estimula o crescimento do endométrio, tecido que reveste internamente o útero.

A duração dessa fase varia de uma pessoa para outra e também entre diferentes ciclos. Por isso, não se pode afirmar que todas as mulheres ovulam no 14º dia.

Ovulação

O aumento do LH provoca a liberação do ovócito pelo ovário. Em um ciclo de 28 dias, ela pode acontecer aproximadamente no meio do ciclo, mas essa data pode variar.

Após a ovulação, o ovócito permanece viável por cerca de 12 a 24 horas. Como os espermatozoides podem sobreviver por vários dias no trato reprodutivo, existe possibilidade de gravidez quando há relação sexual nos dias que antecedem a ovulação.

Fase lútea

Após a ovulação, o folículo rompido transforma-se no corpo lúteo, que produz principalmente progesterona, além de estrogênio. Esses hormônios preparam o endométrio para uma possível gestação.

Quando não ocorre gravidez, o corpo lúteo regride, os níveis hormonais diminuem e o endométrio descama, dando início a uma nova menstruação. É durante essa fase, especialmente nos dias anteriores ao fluxo menstrual, que os sintomas da TPM costumam aparecer.

Quais são os sintomas da TPM?

Os sintomas variam entre as pessoas e podem mudar ao longo da vida.

Sintomas físicos

  • Sensibilidade ou dor nas mamas
  • Inchaço e sensação de retenção de líquidos
  • Cólicas
  • Dor de cabeça
  • Cansaço
  • Alterações do sono
  • Dores musculares ou articulares
  • Mudanças no apetite
  • Desejo por determinados alimentos
  • Acne
  • Prisão de ventre ou alterações intestinais

Sintomas emocionais e comportamentais

  • Irritabilidade
  • Ansiedade
  • Oscilações de humor
  • Tristeza
  • Choro fácil
  • Dificuldade de concentração
  • Sensação de estar sobrecarregada
  • Alteração do interesse pelas atividades habituais
  • Afastamento social
  • Diminuição da energia
  • Mudanças no sono e no apetite

Para caracterizar uma síndrome pré-menstrual, não basta apresentar um sintoma isolado. É necessário que exista um padrão cíclico, com manifestações antes da menstruação, melhora após seu início e um período com poucos ou nenhum sintoma durante o restante do ciclo.

Existem cinco tipos de TPM?

Classificações como “TPM A, C, D, H e O” aparecem com frequência na internet, mas não fazem parte dos principais critérios diagnósticos adotados pelas diretrizes médicas atuais.

Essa divisão pode simplificar excessivamente uma condição complexa e levar à indicação de suplementos sem avaliação individual. O diagnóstico deve considerar quais sintomas estão presentes, sua intensidade, o período em que aparecem e o quanto interferem na vida da pessoa.

Também é importante verificar se não existe outra condição, como depressão, transtorno de ansiedade, transtorno bipolar, alterações da tireoide, endometriose ou efeitos de medicamentos. Algumas dessas condições podem piorar antes da menstruação e ser confundidas com TPM.

O que é transtorno disfórico pré-menstrual?

O transtorno disfórico pré-menstrual, conhecido como TDPM, é uma forma grave de transtorno pré-menstrual. Nele, predominam manifestações emocionais intensas, como:

  • Irritabilidade ou raiva acentuada
  • Tristeza profunda ou desesperança
  • Ansiedade intensa
  • Mudanças marcantes de humor
  • Dificuldade de concentração
  • Perda de interesse pelas atividades
  • Sensação de falta de controle
  • Comprometimento dos relacionamentos, dos estudos ou do trabalho

O TDPM não deve ser tratado como uma “TPM comum”. Ele necessita de avaliação médica e, em muitos casos, de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

Pensamentos de morte, automutilação ou suicídio exigem ajuda imediata. No Brasil, é possível procurar uma unidade de emergência, ligar para o SAMU pelo número 192 ou conversar com o Centro de Valorização da Vida pelo 188.

Como a TPM é diagnosticada?

Não existe um exame de sangue específico capaz de confirmar a TPM. O diagnóstico é clínico e depende principalmente da relação entre os sintomas e o ciclo menstrual.

Uma estratégia recomendada é registrar diariamente, por pelo menos dois ciclos consecutivos:

  • Sintomas físicos e emocionais
  • Intensidade de cada manifestação
  • Data de início e término da menstruação
  • Impacto nas atividades cotidianas
  • Uso de medicamentos
  • Qualidade do sono
  • Situações de estresse

Esse acompanhamento ajuda a diferenciar a TPM de sintomas que permanecem durante todo o mês ou apenas se intensificam no período pré-menstrual.

O que pode ajudar?

O tratamento depende da intensidade dos sintomas e deve ser individualizado.

Algumas medidas que podem contribuir para a melhora incluem:

  • Praticar atividade física regularmente
  • Manter horários de sono mais consistentes
  • Ter uma alimentação equilibrada
  • Reduzir o consumo excessivo de álcool
  • Observar se a cafeína piora ansiedade, insônia ou sensibilidade nas mamas
  • Desenvolver estratégias para controlar o estresse
  • Fazer psicoterapia quando os sintomas emocionais forem relevantes
  • Manter um diário menstrual e dos sintomas

Nos casos moderados ou graves, o profissional poderá avaliar tratamentos como terapia cognitivo-comportamental, determinados antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, e alguns contraceptivos hormonais.

A escolha depende dos sintomas, das condições de saúde, do desejo de engravidar, do uso de outros medicamentos e das preferências da paciente.

Vitaminas, minerais e chás exigem cuidado

Não é seguro recomendar automaticamente vitamina B6, magnésio, cálcio, cromo, zinco, vitamina E, ômega-3, cafeína ou produtos naturais para cada suposto “tipo de TPM”.

Alguns suplementos foram estudados, mas os resultados variam e a dose precisa ser avaliada. O excesso de certas substâncias pode provocar intoxicações, interações medicamentosas ou outros problemas. Doses elevadas e prolongadas de vitamina B6, por exemplo, podem causar lesões nos nervos.

Chás e plantas medicinais também não são inofensivos apenas por serem naturais. Alguns podem interagir com medicamentos, alterar a pressão arterial, aumentar a diurese ou ser inadequados durante a gravidez e em determinadas doenças.

Antes de utilizar suplementos, fitoterápicos ou medicamentos, converse com um profissional habilitado.

Quando procurar ajuda?

A avaliação profissional é especialmente importante quando:

  • Os sintomas prejudicam o trabalho, os estudos ou os relacionamentos
  • A tristeza, a ansiedade ou a irritabilidade são intensas
  • Há crises de pânico ou comportamento agressivo
  • Os sintomas permanecem durante quase todo o mês
  • As cólicas ou o sangramento são muito intensos
  • Há suspeita de depressão ou outra condição de saúde
  • As medidas de autocuidado não produzem melhora
  • Existem pensamentos de automutilação, morte ou suicídio

A TPM pode ser controlada, mas não existe uma única solução que funcione para todas as pessoas. Reconhecer o padrão dos sintomas, abandonar a ideia de que se trata de “frescura” e procurar orientação adequada são passos essenciais para recuperar a qualidade de vida.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Diretriz do American College of Obstetricians and Gynecologists, orientações do ACOG sobre síndrome pré-menstrual e Royal College of Obstetricians and Gynaecologists.

Estética e seus excessos: quando o cuidado com a aparência se transforma em sofrimento

Cuidar da aparência pode ser uma forma legítima de autocuidado, expressão pessoal e fortalecimento da autoestima. Usar maquiagem, cuidar da pele, mudar o cabelo ou realizar um procedimento estético não significa, por si só, que uma pessoa não aceite o próprio corpo.

O problema começa quando o desejo de cuidar de si é substituído pela obrigação de alcançar uma aparência considerada perfeita. Nesse momento, a estética deixa de representar uma escolha e passa a funcionar como uma cobrança permanente.

Vivemos em uma época em que rostos e corpos são observados, comparados, fotografados, editados e avaliados continuamente. Rugas, estrias, cicatrizes, poros, manchas, celulite, flacidez e outras características naturais passaram a ser apresentadas como defeitos que precisam ser corrigidos.

Mas até onde vai o autocuidado? Quando a busca pela beleza se torna excessiva? E quais são os riscos físicos e emocionais envolvidos?

A beleza transformada em obrigação

Os padrões de beleza sempre existiram, mas as redes sociais aumentaram sua velocidade e seu alcance. Diariamente somos expostos a imagens cuidadosamente produzidas, com iluminação profissional, maquiagem, poses, filtros e programas de edição.

O problema é que essas imagens modificadas são frequentemente interpretadas como representações da vida real. Com isso, muitas pessoas passam a comparar o próprio corpo, visto de todos os ângulos e em constante transformação, com uma fotografia selecionada e alterada.

Essa comparação é injusta e pode produzir uma sensação constante de inadequação. A pessoa deixa de perguntar “como eu gostaria de me cuidar?” e começa a pensar “o que preciso corrigir para ser aceita?”.

O padrão também muda rapidamente. Em determinado período, valoriza-se um corpo extremamente magro; em outro, curvas acentuadas. Sobrancelhas, lábios, nariz, cabelos e contornos faciais entram e saem de moda. Entretanto, o corpo humano não deveria ser tratado como uma peça que precisa acompanhar todas as tendências.

O mercado da insatisfação

Grande parte da indústria da beleza não vende apenas produtos ou procedimentos. Ela também pode vender a ideia de que existe algo errado com a pessoa.

Primeiro surge ou é reforçada uma insatisfação: o rosto está envelhecido, os lábios são pequenos, o nariz não tem o formato ideal, o corpo precisa ser definido. Depois aparece uma solução aparentemente rápida, muitas vezes divulgada com imagens de “antes e depois”, promoções e promessas de transformação.

Nem toda divulgação de serviços estéticos é abusiva. O problema está nas mensagens que exploram inseguranças, prometem resultados irreais, minimizam riscos ou fazem a pessoa acreditar que sua felicidade, seu relacionamento e seu sucesso dependem de uma mudança física.

Procedimentos estéticos são frequentemente apresentados como simples, rápidos e praticamente isentos de riscos. No entanto, qualquer intervenção que envolva substâncias injetáveis, equipamentos, anestesia ou ruptura da barreira da pele pode provocar complicações.

Quando nunca parece suficiente

Uma alteração estética pode gerar satisfação. Porém, quando a origem do sofrimento está em uma autoimagem profundamente negativa, o resultado pode não trazer o alívio esperado.

A pessoa corrige uma característica e logo encontra outra. Depois de um procedimento, passa a desejar mais volume, mais definição, mais simetria ou uma aparência ainda mais jovem. O problema deixa de ser uma parte específica do corpo e passa a ser a sensação de nunca estar suficientemente bonita.

Alguns sinais de alerta são:

  • Pensar na aparência durante grande parte do dia
  • Comparar-se constantemente com outras pessoas
  • Evitar fotografias, espelhos, encontros ou atividades sociais
  • Conferir repetidamente o próprio rosto ou corpo
  • Usar filtros em todas as imagens por não suportar a aparência real
  • Sentir vergonha intensa de características pouco perceptíveis para outras pessoas
  • Realizar procedimentos sucessivos sem alcançar satisfação
  • Gastar além das próprias condições financeiras
  • Acreditar que uma mudança física resolverá todos os problemas emocionais
  • Sentir ansiedade, tristeza ou desespero por causa da aparência

Esses comportamentos podem indicar que o sofrimento vai além de uma insatisfação cotidiana.

Transtorno dismórfico corporal

O transtorno dismórfico corporal é uma condição de saúde mental caracterizada pela preocupação intensa com um ou mais aspectos da aparência considerados defeituosos. A característica pode ser pequena ou nem sequer ser percebida pelas outras pessoas, mas provoca sofrimento real e significativo.

A pessoa pode passar muito tempo diante do espelho ou evitá-lo completamente, tentar esconder determinadas partes do corpo, buscar reafirmação constante e realizar sucessivos procedimentos estéticos.

Nesses casos, uma nova intervenção pode não solucionar o sofrimento. Como a dificuldade está relacionada à percepção da própria imagem, a insatisfação pode permanecer, mudar de local ou se intensificar.

Isso não significa que toda pessoa que deseja realizar um procedimento tenha um transtorno. O diagnóstico exige avaliação profissional. Entretanto, quando existe preocupação excessiva ou repetição compulsiva de intervenções, o cuidado psicológico ou psiquiátrico deve ser considerado antes de novos procedimentos.

Padronização dos rostos

Outro efeito dos excessos estéticos é a tentativa de reproduzir as mesmas características em pessoas diferentes: sobrancelhas, lábios, queixo, mandíbula, nariz e maçãs do rosto seguindo um único modelo.

Procedimentos bem indicados devem considerar a anatomia, a idade, a saúde, as proporções individuais e os desejos da pessoa. Quando todos os rostos são conduzidos ao mesmo padrão, expressões e características pessoais podem ser apagadas.

A diversidade humana inclui diferentes formatos, cores, texturas, proporções e sinais do envelhecimento. Beleza não deveria significar uniformidade.

Envelhecer não é adoecer

A valorização excessiva da juventude transformou acontecimentos naturais em problemas que supostamente precisam ser combatidos. Linhas de expressão, cabelos brancos, mudanças na pele e alterações do contorno corporal fazem parte do envelhecimento.

É possível desejar cuidar da pele ou suavizar determinada característica. O problema está em tratar o envelhecimento como fracasso, descuido ou perda de valor pessoal.

Essa cobrança é especialmente intensa sobre as mulheres. Espera-se que envelheçam, mas sem aparentar a idade; que cuidem da aparência, mas sem demonstrar esforço; e que permaneçam dentro de um padrão que se torna cada vez mais difícil de alcançar.

O envelhecimento pode trazer mudanças, perdas e desafios, mas também representa história, sobrevivência, aprendizado e continuidade da vida.

Procedimentos estéticos não são isentos de riscos

Mesmo procedimentos considerados pouco invasivos podem ocasionar:

  • Dor, hematomas e inchaço
  • Infecções
  • Reações alérgicas
  • Manchas e cicatrizes
  • Assimetrias
  • Lesões em nervos
  • Necrose de tecidos
  • Obstrução de vasos sanguíneos
  • Alterações visuais
  • Complicações anestésicas
  • Resultados permanentes ou de difícil correção

Em 2025, operações coordenadas pela Anvisa encontraram irregularidades em clínicas inspecionadas, incluindo produtos vencidos, substâncias sem registro, reutilização de materiais de uso único e equipamentos irregulares. Em março de 2026, a Agência reforçou que os preenchedores dérmicos devem ser usados somente nas regiões e nos volumes aprovados, pois aplicações fora dessas indicações aumentam a possibilidade de complicações.

Por isso, preço baixo, popularidade nas redes sociais e fotografias de resultados não são suficientes para avaliar a segurança de um serviço.

Antes de realizar um procedimento

Alguns cuidados são indispensáveis:

  • Verifique se o estabelecimento possui licença sanitária.
  • Confirme se o profissional está legalmente habilitado para realizar o procedimento.
  • Consulte o registro do profissional em seu respectivo conselho.
  • Pergunte sobre os riscos, contraindicações e alternativas.
  • Informe doenças, alergias e todos os medicamentos utilizados.
  • Confira se produtos e equipamentos estão regularizados pela Anvisa.
  • Peça para ver a embalagem, o lote e a validade do produto.
  • Não aceite substâncias sem identificação ou preparadas de maneira irregular.
  • Desconfie de resultados garantidos e de promessas como “risco zero”.
  • Não decida sob pressão de promoções com prazo muito curto.
  • Pergunte quem prestará assistência se ocorrer alguma complicação.
  • Leia cuidadosamente o termo de consentimento antes de assiná-lo.

Uma avaliação responsável também deve investigar as expectativas. O profissional ético precisa saber dizer não quando o procedimento é desnecessário, contraindicado ou incapaz de oferecer o resultado esperado.

Autocuidado ou autoagressão?

Uma maneira de refletir sobre essa diferença é observar de onde vem a decisão.

O autocuidado tende a nascer de uma escolha consciente. Considera riscos, limites, condições financeiras e expectativas possíveis. A pessoa compreende que seu valor não depende do resultado.

O comportamento excessivo costuma ser movido por medo, vergonha, comparação, rejeição ou necessidade de aprovação. A pessoa acredita que só poderá viver, relacionar-se, fotografar-se ou sentir-se digna depois de modificar o corpo.

Algumas perguntas podem ajudar:

  • Estou fazendo isso porque desejo ou porque me sinto pressionada?
  • Espero melhorar uma característica ou transformar completamente minha vida?
  • Conheço e aceito os riscos?
  • Consigo respeitar meus limites financeiros e físicos?
  • Continuaria desejando esse procedimento se ninguém mais soubesse?
  • O resultado que espero é realmente possível?
  • Tenho adiado minha vida até alcançar uma aparência ideal?
  • Preciso de um novo procedimento porque desejo ou porque nunca me sinto suficiente?

Beleza com liberdade e segurança

A estética pode fazer parte do autocuidado, mas não deve se transformar em prisão. Não há problema em desejar uma mudança. O que precisa ser questionado é a crença de que uma pessoa precisa mudar para merecer respeito, amor, oportunidades ou pertencimento.

Também não se trata de condenar os procedimentos estéticos ou responsabilizar individualmente quem os procura. Estamos inseridos em uma cultura que lucra com a insegurança e apresenta corpos reais como problemas a serem corrigidos.

Cuidar de si inclui proteger a saúde, respeitar os próprios limites, buscar informações confiáveis e reconhecer quando uma dor emocional está sendo depositada sobre o corpo.

Um procedimento pode alterar uma característica física. Ele não deve carregar a responsabilidade de curar sozinho a rejeição, a solidão, a baixa autoestima ou a sensação de não ser suficiente.

A beleza pode ser uma escolha. Nunca deveria ser uma obrigação.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Anvisa — Estética com Segurança, operação de fiscalização em clínicas de estética e orientações da Anvisa sobre preenchedores dérmicos.

Cosméticos artesanais: natural não significa necessariamente seguro

Sabonetes, xampus, condicionadores, hidratantes e sais de banho artesanais despertam interesse pela possibilidade de personalização, pelo contato com diferentes aromas e pela valorização do trabalho manual. Entretanto, produzir um cosmético envolve muito mais do que reunir ingredientes e seguir uma receita encontrada na internet.

A pele é um órgão vivo e pode reagir a substâncias naturais ou sintéticas. Por isso, todo produto aplicado no corpo precisa ser formulado com responsabilidade.

Artesanal não é sinônimo de natural

Um cosmético artesanal pode conter ingredientes naturais, sintéticos ou uma combinação dos dois. Conservantes, fragrâncias, corantes, tensoativos e reguladores de pH, por exemplo, podem ser necessários para garantir estabilidade, funcionalidade e segurança.

Da mesma forma, um cosmético industrializado não é necessariamente prejudicial. Produtos regularizados devem atender a critérios sanitários relacionados à composição, fabricação, rotulagem, qualidade e segurança.

O mais importante não é apenas saber se o produto é artesanal ou industrializado, mas conhecer sua procedência, sua formulação e as condições em que foi produzido.

Ingredientes naturais também podem causar reações

Óleos essenciais, extratos vegetais, argilas, manteigas e fragrâncias podem provocar irritações, alergias e sensibilização. Algumas substâncias também apresentam restrições de concentração ou não são adequadas para crianças, gestantes, pessoas alérgicas e indivíduos com determinadas doenças.

Óleos essenciais não devem ser aplicados diretamente sobre a pele sem avaliação e diluição apropriadas. Frutas, folhas, leite, mel e outros ingredientes frescos também podem favorecer a contaminação e reduzir a durabilidade da preparação.

“Natural”, portanto, descreve uma possível origem do ingrediente, mas não comprova que ele seja seguro para todas as pessoas.

O risco da contaminação

Produtos que contêm água, como xampus, condicionadores, cremes e sabonetes líquidos, podem oferecer condições para a proliferação de bactérias, fungos e leveduras.

Mesmo quando o produto aparenta estar normal, pode existir contaminação microbiológica. Alterações no odor, na cor ou na consistência são sinais de problema, mas sua ausência não garante segurança.

Para reduzir os riscos, é necessário controlar:

  • Qualidade das matérias-primas
  • Higienização do ambiente e dos utensílios
  • Qualidade da água utilizada
  • Temperatura de preparação
  • Concentração dos ingredientes
  • Sistema conservante
  • pH da formulação
  • Tipo de embalagem
  • Condições de armazenamento
  • Prazo de validade

Adicionar um conservante de maneira aleatória não resolve o problema. Ele precisa ser compatível com a formulação, utilizado na concentração permitida e apresentar eficácia contra os microrganismos que podem contaminar o produto.

Por que o pH é importante?

O pH influencia a estabilidade, a conservação e a interação do cosmético com a pele ou os cabelos. Um produto muito ácido ou muito alcalino pode provocar irritação, ressecamento, ardência e danos à fibra capilar.

Não é seguro avaliar o pH apenas pela aparência ou por uma receita. Ele deve ser medido com instrumentos adequados e corrigido de forma técnica quando necessário.

Receita não é o mesmo que formulação

Uma receita apresenta ingredientes e etapas. Uma formulação responsável considera também a função de cada componente, as concentrações permitidas, as incompatibilidades químicas, o pH, a estabilidade, a conservação, a embalagem e o modo de uso.

Trocar um ingrediente por outro ou alterar quantidades pode modificar completamente o produto. A mudança pode provocar separação, perda de eficácia, irritação ou contaminação.

Por isso, uma preparação não deve ser considerada segura apenas porque “deu certo” visualmente.

Produzir para si é diferente de fabricar para vender

Fazer uma pequena preparação para aprendizado ou uso pessoal não equivale a produzir cosméticos comercialmente.

A venda exige atenção às normas sanitárias, à regularização da empresa e do produto, às boas práticas de fabricação, à rotulagem, à rastreabilidade e ao controle de qualidade. Dependendo do tipo de cosmético, também podem ser necessárias comprovações específicas de segurança e eficácia.

A ideia de que basta seguir uma receita para começar rapidamente um negócio pode colocar tanto o consumidor quanto o produtor em risco. Além dos danos à saúde, a fabricação ou comercialização irregular pode gerar responsabilização administrativa, civil e penal.

Como escolher cosméticos com mais segurança?

Antes de usar ou comprar um cosmético, observe:

  • Identificação do fabricante
  • Lista de ingredientes
  • Número do lote
  • Prazo de validade
  • Modo de uso
  • Advertências e restrições
  • Integridade da embalagem
  • Situação do produto na Anvisa, quando aplicável

Evite produtos sem rótulo, sem procedência, com promessas milagrosas ou que aleguem tratar doenças. Cosméticos não devem ser apresentados como substitutos de medicamentos ou tratamentos médicos.

Se ocorrer coceira, ardência, vermelhidão, inchaço ou dificuldade para respirar, interrompa o uso. Reações intensas, extensas ou acompanhadas de sintomas respiratórios exigem atendimento imediato.

Conhecimento também é uma forma de cuidado

A produção artesanal pode ser criativa e interessante, mas precisa ser acompanhada de estudo, responsabilidade e respeito às normas sanitárias. A simplicidade de uma receita não elimina a complexidade da pele, dos ingredientes e dos microrganismos.

Antes de produzir, usar ou comercializar um cosmético, é necessário compreender que beleza e higiene também envolvem saúde.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Anvisa — conceitos e definições sobre cosméticos, Guia para avaliação de segurança de produtos cosméticos e Guia de controle de qualidade de produtos cosméticos.

APRENDENDO COM A FARMACOLOGIA

Fármaco, remédio e medicamento: você sabe a diferença?

Os medicamentos fazem parte da vida de muitas pessoas, mas nem sempre compreendemos como são produzidos, como agem no organismo e por que precisam ser utilizados com cuidado.

A ciência que estuda essas substâncias é a farmacologia. Ela investiga a origem, as propriedades, os mecanismos de ação, os efeitos e o destino dos fármacos no organismo.

Antes de conhecermos melhor esse assunto, é importante responder a uma pergunta: fármaco, medicamento e remédio significam a mesma coisa?

Embora esses termos sejam usados como sinônimos no cotidiano, eles possuem significados diferentes.

O que é fármaco?

O fármaco é a substância ativa responsável pelo efeito farmacológico. Ele interage com o organismo e pode produzir uma resposta destinada a prevenir, diagnosticar, controlar ou tratar uma condição de saúde.

Um medicamento pode conter um ou mais fármacos, além de outras substâncias chamadas excipientes, utilizadas para dar forma, estabilidade, sabor, conservação ou facilitar sua administração.

Por exemplo, o paracetamol é um fármaco. Quando ele é preparado em forma de comprimido, gotas ou solução oral, associado aos excipientes necessários e produzido conforme padrões de qualidade, passa a compor um medicamento.

O que é medicamento?

Segundo a Anvisa, medicamento é um produto farmacêutico tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou diagnóstica.

Isso significa que o medicamento é o produto final, apresentado em uma forma farmacêutica, como comprimido, cápsula, solução, suspensão, pomada ou injetável. Sua fabricação deve seguir critérios de qualidade, segurança e eficácia estabelecidos pelas autoridades sanitárias.

Portanto, não é correto afirmar que todo medicamento “é um fármaco”. O mais adequado é dizer que o fármaco é o princípio ativo presente no medicamento.

O que é remédio?

Remédio é um termo mais amplo. Ele pode ser empregado para designar qualquer cuidado ou recurso utilizado para promover conforto, aliviar um desconforto ou contribuir para a recuperação e o bem-estar.

Repouso, hidratação, alimentação adequada, fisioterapia, psicoterapia, massagem e banho morno podem ser considerados remédios em determinadas situações. Práticas religiosas, como a oração, também podem oferecer conforto e apoio espiritual, mas não devem substituir o tratamento profissional quando ele for necessário.

Todo medicamento pode ser considerado um remédio quando utilizado adequadamente, mas nem todo remédio é um medicamento.

Chás e plantas medicinais também exigem cuidado. O fato de uma substância ser natural não significa que ela seja sempre segura. Algumas plantas podem causar reações adversas, intoxicações ou interagir com medicamentos.

Qual é a origem dos fármacos?

Os fármacos podem ter diferentes origens:

  • Natural: obtidos ou inspirados em substâncias encontradas em plantas, animais, microrganismos ou minerais.
  • Sintética: produzidos por meio de processos químicos em laboratório.
  • Semissintética: substâncias naturais que passam por modificações químicas.
  • Biotecnológica: produzidos com a participação de células ou organismos vivos, como ocorre com alguns hormônios, anticorpos e medicamentos biológicos.

Atualmente, muitos fármacos que tiveram origem em substâncias naturais são produzidos ou modificados em laboratório para aumentar sua pureza, estabilidade, segurança ou eficácia.

O que é farmacoterapia?

Farmacoterapia é a utilização de medicamentos para prevenir, controlar ou tratar doenças e aliviar sinais e sintomas. Ela deve considerar fatores como diagnóstico, dose, horário, duração do tratamento, idade, condições clínicas e possíveis interações medicamentosas.

Quanto ao local de ação, os medicamentos podem produzir:

Ação local: o efeito ocorre principalmente no local em que o produto foi aplicado. Alguns colírios, pomadas e géis são exemplos. Entretanto, mesmo medicamentos aplicados sobre a pele ou as mucosas podem ser absorvidos e produzir efeitos em outras partes do organismo.

Ação sistêmica: o fármaco alcança a circulação sanguínea e é distribuído pelo organismo até os tecidos em que exercerá sua ação. Isso pode acontecer por diferentes vias, como oral, intravenosa, intramuscular, transdérmica ou inalatória.

A via de administração, sozinha, não determina se o efeito será local ou sistêmico. Alguns medicamentos ingeridos atuam principalmente no sistema digestório, enquanto determinados produtos aplicados na pele podem alcançar a circulação sanguínea.

Quais são as finalidades dos medicamentos?

Profilática ou preventiva: ajuda a evitar doenças ou complicações. Algumas medidas farmacológicas preventivas e os imunobiológicos, como as vacinas, cumprem essa finalidade.

Curativa: atua sobre a causa da doença e pode contribuir para sua cura. Os antibióticos, por exemplo, tratam determinadas infecções causadas por bactérias sensíveis. Eles não funcionam contra vírus e não devem ser utilizados sem orientação profissional.

Paliativa ou sintomática: alivia sinais, sintomas e sofrimento, mesmo quando não elimina a causa da doença. Analgésicos utilizados para controlar a dor são exemplos.

Diagnóstica: auxilia na realização ou interpretação de exames. Os meios de contraste empregados em determinados exames de imagem são exemplos de medicamentos utilizados com finalidade diagnóstica.

Medicamentos também oferecem riscos

Todo medicamento pode causar efeitos indesejados, interações ou intoxicações, inclusive aqueles vendidos sem receita. Por isso, devem ser utilizados na dose correta, durante o período indicado e com orientação de profissionais habilitados.

A automedicação pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico e provocar danos à saúde. No caso dos antibióticos, o uso inadequado ainda favorece o desenvolvimento da resistência bacteriana.

Medicamento não é um produto comum. Quando utilizado corretamente, pode proteger, aliviar e salvar vidas. Quando empregado de maneira inadequada, também pode causar sérios prejuízos.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Conceitos e definições da Anvisa, Cartilha “O que devemos saber sobre medicamentos” e orientações da Anvisa sobre o uso racional de medicamentos.

Dia Nacional da Saúde: cuidar da saúde vai muito além de tratar doenças

No dia 5 de agosto é celebrado o Dia Nacional da Saúde. Mais do que uma data comemorativa, esse dia nos convida a refletir sobre o que significa ter saúde e sobre as condições necessárias para que todas as pessoas possam viver com dignidade e qualidade de vida.

A data foi instituída pela Lei nº 5.352, de 8 de novembro de 1967, com o objetivo de promover a educação sanitária e despertar a consciência da população para o valor da saúde.

O dia 5 de agosto foi escolhido em homenagem ao nascimento do médico e cientista brasileiro Oswaldo Gonçalves Cruz, um dos nomes mais importantes da história da saúde pública no Brasil.

Quem foi Oswaldo Cruz?

Oswaldo Cruz nasceu em 5 de agosto de 1872, em São Luiz do Paraitinga, no estado de São Paulo. Ainda criança, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro.

Ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro aos 15 anos e formou-se em 1892, aos 20. Seu trabalho de conclusão abordou a transmissão de microrganismos pela água, um tema de grande importância para a saúde pública.

Em 1896, viajou para Paris, onde aperfeiçoou seus conhecimentos em microbiologia, bacteriologia e produção de soros no Instituto Pasteur.

Ao retornar ao Brasil, participou do desenvolvimento do Instituto Soroterápico Federal, criado em Manguinhos, no Rio de Janeiro, para produzir soros e vacinas. Oswaldo Cruz assumiu inicialmente a direção técnica da instituição e, em 1902, tornou-se seu diretor-geral.

Em 1908, a instituição recebeu o nome de Instituto Oswaldo Cruz. Décadas depois, sua história daria origem à atual Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, uma das mais importantes instituições brasileiras de ciência e saúde pública.

O combate às epidemias

No início do século XX, o Rio de Janeiro enfrentava graves problemas sanitários. A cidade apresentava condições precárias de habitação, coleta de resíduos, abastecimento de água e saneamento. Doenças como febre amarela, peste bubônica e varíola causavam adoecimento e mortes.

Em 1903, Oswaldo Cruz assumiu a Diretoria-Geral de Saúde Pública. A partir desse cargo, coordenou campanhas sanitárias baseadas nos conhecimentos científicos disponíveis naquela época.

No enfrentamento da peste bubônica, foram adotadas medidas de controle dos ratos e das pulgas responsáveis pela transmissão da bactéria. Contra a febre amarela, as ações concentraram-se no controle do mosquito transmissor. Para conter a varíola, foi defendida a ampliação da vacinação.

Essas campanhas contribuíram para o controle das doenças, mas algumas medidas foram realizadas de maneira autoritária e sem diálogo suficiente com a população.

A Revolta da Vacina

Em 1904, a proposta de vacinação obrigatória contra a varíola provocou uma grande reação popular, que ficou conhecida como Revolta da Vacina.

O episódio não aconteceu simplesmente porque a população era contrária à ciência. Naquele período, muitas pessoas já enfrentavam demolições de moradias, expulsão das regiões centrais da cidade, pobreza e intervenções sanitárias coercitivas.

A falta de informações claras e a maneira autoritária como algumas ações foram executadas aumentaram o medo e a desconfiança. A insatisfação social foi explorada por diferentes grupos políticos e resultou em conflitos nas ruas.

A história da Revolta da Vacina ensina que não basta desenvolver uma medida cientificamente correta. As políticas de saúde também precisam ser acompanhadas de informação acessível, respeito, transparência e diálogo com a população.

O que significa ter saúde?

Durante muito tempo, saúde foi entendida apenas como ausência de doença. Atualmente, sabemos que esse conceito é muito mais amplo.

Ter saúde não significa nunca adoecer ou apresentar um corpo perfeito. Saúde envolve bem-estar físico, mental e social, além da capacidade de realizar atividades, construir relacionamentos, participar da comunidade e enfrentar os desafios cotidianos.

Ela é influenciada por fatores como:

  • Alimentação
  • Moradia
  • Saneamento básico
  • Educação
  • Trabalho e renda
  • Segurança
  • Meio ambiente
  • Relações familiares e sociais
  • Atividade física
  • Qualidade do sono
  • Acesso aos serviços de saúde
  • Acesso à vacinação e aos medicamentos
  • Possibilidade de descanso e lazer
  • Proteção contra preconceito e violência

Por isso, não é correto tratar a saúde como resultado exclusivo de esforço ou disciplina individual. Nossas escolhas são importantes, mas também dependemos das condições sociais, econômicas e ambientais em que vivemos.

Uma pessoa pode desejar alimentar-se melhor, por exemplo, mas não ter recursos para adquirir alimentos variados. Pode precisar descansar, mas cumprir jornadas exaustivas de trabalho. Pode necessitar de acompanhamento psicológico, mas não encontrar atendimento disponível.

Cuidar da saúde também é defender condições dignas de vida para todos.

Promoção, prevenção e tratamento

Essas três formas de cuidado estão relacionadas, mas não significam exatamente a mesma coisa.

Promoção da saúde

A promoção da saúde busca melhorar as condições gerais de vida e fortalecer a autonomia das pessoas e das comunidades.

Educação, acesso à água potável, alimentação adequada, espaços seguros para atividade física, condições dignas de trabalho e políticas de proteção social são exemplos de promoção da saúde.

Prevenção de doenças

A prevenção procura diminuir a possibilidade de surgimento de doenças ou identificá-las precocemente.

Entre as ações preventivas estão:

  • Vacinação
  • Uso de preservativos
  • Controle de mosquitos transmissores
  • Higienização das mãos
  • Exames indicados de acordo com a idade e os fatores de risco
  • Acompanhamento da pressão arterial
  • Uso de equipamentos de proteção
  • Cuidados com a água e os alimentos

Tratamento

O tratamento acontece quando uma doença ou condição de saúde já está presente. Ele pode envolver medicamentos, cirurgias, fisioterapia, psicoterapia, mudanças no estilo de vida e outras intervenções.

Mesmo quando não há possibilidade de cura, o tratamento pode controlar sintomas, evitar complicações e melhorar a qualidade de vida.

Saúde mental também é saúde

Não podemos falar de saúde sem incluir o cuidado emocional.

Ansiedade, depressão, esgotamento, luto e outros sofrimentos psíquicos não são sinais de fraqueza. Eles podem afetar o sono, a alimentação, a concentração, os relacionamentos, o trabalho e até a saúde física.

Cuidar da saúde mental pode envolver descanso, apoio familiar, vínculos sociais, espiritualidade, atividades prazerosas e acompanhamento profissional. Procurar ajuda não representa falta de fé, força ou capacidade. Significa reconhecer que algumas dores precisam ser compartilhadas e tratadas.

Pequenos cuidados são importantes

Não existe uma rotina perfeita que garanta que alguém nunca adoecerá. Entretanto, algumas atitudes podem contribuir para a proteção da saúde:

  • Manter a vacinação atualizada
  • Realizar acompanhamento profissional quando necessário
  • Evitar a automedicação
  • Ter uma alimentação possível e variada
  • Movimentar o corpo regularmente, respeitando seus limites
  • Cuidar do sono
  • Limitar o consumo de álcool
  • Não fumar
  • Cultivar vínculos afetivos
  • Reservar momentos de descanso
  • Observar alterações persistentes no corpo ou no comportamento
  • Procurar atendimento quando algo não estiver bem

Essas recomendações não devem servir para produzir culpa. Cada pessoa possui uma realidade, uma história e diferentes possibilidades de cuidado.

Saúde é um direito

No Brasil, a Constituição Federal reconhece a saúde como direito de todos e dever do Estado. Esse princípio fundamenta o Sistema Único de Saúde, o SUS.

Por meio dele, a população tem acesso a vacinação, consultas, exames, medicamentos, transplantes, tratamentos, vigilância sanitária, controle de epidemias e inúmeras outras ações.

Apesar das dificuldades existentes, o SUS é uma das maiores políticas públicas de saúde do mundo e está presente em muitos momentos da vida, mesmo quando sua atuação não é percebida diretamente.

Defender a saúde significa também defender o acesso universal, igualitário e digno aos serviços necessários.

Uma data para refletir

Celebrar o Dia Nacional da Saúde não significa apenas homenagear profissionais ou repetir orientações sobre alimentação e exercício físico.

A data nos lembra que ciência, educação, saneamento, vacinação, políticas públicas e participação social são fundamentais para proteger vidas. A história de Oswaldo Cruz mostra a importância do conhecimento científico, mas também ensina que as ações de saúde precisam respeitar as pessoas e dialogar com a sociedade.

Cuidar da saúde é uma responsabilidade compartilhada. Envolve escolhas individuais, apoio comunitário e políticas públicas capazes de garantir condições dignas de vida.

Saúde não é apenas não estar doente. É poder viver, aprender, trabalhar, descansar, relacionar-se e receber cuidado quando ele for necessário.

Profa. Fran Narnib

Fontes consultadas: Lei nº 5.352/1967 — Presidência da República, Biblioteca Virtual em Saúde — Dia Nacional da Saúde, Fiocruz — trajetória de Oswaldo Cruz e história do Instituto Soroterápico Federal