Depois de ouvir, escolha como responder

“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.”

Provérbios 15:1

Ouvir com atenção nos ajuda a compreender o outro. Depois da escuta, porém, vem uma escolha igualmente importante: como vamos responder? Podemos ter razão sobre determinado assunto e, ainda assim, ferir alguém pela maneira como falamos. O tom de voz, as palavras escolhidas e o momento da conversa fazem diferença.

Quando estamos cansados ou contrariados, é fácil responder antes de pensar. Às vezes, uma pergunta recebe uma resposta impaciente; uma preocupação é tratada como exagero; um desacordo se transforma em discussão. Por isso, precisamos permitir que Deus trabalhe também nas nossas reações, especialmente nas conversas com as pessoas mais próximas.

A resposta branda pode ser firme e honesta. Podemos dizer que algo nos machucou, estabelecer um limite ou corrigir uma atitude sem humilhar ninguém. A mansidão nos ajuda a falar com clareza e respeito, mesmo quando precisamos tratar de assuntos difíceis.

Nem sempre uma resposta cuidadosa fará o outro se acalmar imediatamente. Ainda assim, podemos assumir a responsabilidade pelas nossas palavras. Quando erramos, pedir perdão e retomar a conversa com mais cuidado também é uma forma de viver aquilo que cremos.

Aplicação

Hoje, ao sentir vontade de responder com irritação, faça uma breve pausa. Procure compreender o que ouviu e escolha palavras que expressem o que precisa dizer com respeito. Se uma conversa ficou marcada por uma resposta sua que feriu alguém, considere retomá-la e reconhecer o seu erro.

Oração

Senhor, ajuda-me a ouvir com atenção e a responder com sabedoria. Ensina-me a perceber quando o cansaço e a irritação estão conduzindo minhas palavras. Dá-me mansidão para falar, firmeza para tratar do que é necessário e humildade para pedir perdão quando eu errar. Que o meu modo de conversar revele o Teu amor nas situações comuns deste dia. Em nome de Jesus, amém.

Ouvir também é uma forma de amar

“Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.”

Tiago 1:19

Há dias em que queremos tanto ser compreendidos que esquecemos de compreender quem está perto de nós. Enquanto alguém fala, já preparamos uma resposta, uma explicação ou um conselho. Podemos até ter boa intenção, mas ouvir exige dar espaço para que o outro termine e procurar entender o que ele está vivendo.

Tiago nos convida a desacelerar nossas reações. Nem toda conversa precisa de uma resposta imediata, e nem todo desabafo precisa de uma solução. Às vezes, uma pessoa precisa primeiro encontrar alguém que a escute com atenção, sem diminuir sua dor ou transformar sua experiência em comparação.

Essa orientação também nos ajuda nos momentos de conflito. Quando estamos irritados, podemos interpretar uma fala antes de compreendê-la. Uma pausa e uma pergunta sincera podem evitar palavras que ferem e depois são difíceis de reparar. Ouvir não exige concordar com tudo, mas permite discordar com respeito e responder com mais cuidado.

Na família, no trabalho e nas amizades, o amor ganha forma quando oferecemos atenção. Podemos pedir a Deus sabedoria para perceber quando é hora de falar e quando precisamos permanecer em silêncio para compreender melhor. Muitas conversas mudam quando alguém se dispõe a ouvir de verdade.

Aplicação

Hoje, em uma conversa, procure escutar sem interromper. Deixe o celular de lado, dê atenção à pessoa e, antes de aconselhar, pergunte se você entendeu o que ela quis dizer. Se surgir irritação, faça uma pausa antes de responder.

Oração

Senhor, ensina-me a ouvir com atenção e a falar com sabedoria. Ajuda-me a controlar a pressa de responder e a reconhecer quando a irritação está conduzindo minhas palavras. Que as pessoas encontrem em mim respeito e disposição para compreender. Orienta minhas conversas para que eu possa amar também por meio da escuta. Em nome de Jesus, amém.

Adorar é reconhecer quem Deus é, mesmo antes de receber o que pedimos

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide […] todavia, eu me alegrarei no Senhor.”

Habacuque 3:17-18

É fácil agradecer quando a resposta chega, quando uma porta se abre ou quando aquilo que pedimos finalmente acontece. Nessas horas, o coração encontra motivos claros para reconhecer a bondade de Deus. Mas a adoração vai além da gratidão pelo que Ele faz. Adorar é reconhecer quem Deus é, mesmo quando ainda não recebemos aquilo que pedimos.

Habacuque descreve um cenário em que nada parecia favorável. Não havia frutos, não havia colheita e as circunstâncias não davam motivos para comemorar. Ainda assim, ele decidiu se alegrar no Senhor. Essa atitude nos ensina que a adoração não precisa depender das circunstâncias. Podemos adorar enquanto esperamos, quando ainda não entendemos o que está acontecendo e até quando a resposta parece demorar, porque Deus continua sendo Deus antes da resposta, durante a espera e depois dela.

Às vezes, sem perceber, podemos transformar nossa oração em uma espécie de condição. Pensamos: “Senhor, quando isso acontecer, eu Te agradecerei.” Mas a verdadeira adoração não começa apenas quando recebemos aquilo que desejamos. Ela também pode nascer no tempo da espera, quando dizemos: “Senhor, mesmo que eu ainda não tenha recebido aquilo que pedi, Tu continuas sendo digno da minha confiança.”

Isso não significa ignorar a dor, esconder a frustração ou fingir que não desejamos algo. Podemos apresentar nossos pedidos a Deus com sinceridade. Podemos contar a Ele o que esperamos, o que tememos e aquilo que gostaríamos que acontecesse. A diferença está em não permitir que a nossa fé dependa somente do resultado.

Adorar é olhar além daquilo que Deus pode nos dar e reconhecer aquilo que Ele já é: fiel, presente, misericordioso e digno de confiança. É entender que a presença de Deus não perde valor apenas porque a resposta ainda não chegou.

Talvez hoje você esteja esperando por algo. Talvez a situação ainda não tenha mudado, o caminho ainda não esteja claro e a resposta continue distante. Mesmo assim, existe uma adoração que pode nascer exatamente nesse lugar. Não porque tudo está resolvido, mas porque Deus continua sendo Deus.

Aplicação

Pense hoje em algo que você tem pedido a Deus. Depois de apresentar novamente esse pedido, acrescente em sua oração: “Senhor, enquanto espero, eu escolho reconhecer quem Tu és.” Não adore apenas pela resposta que espera receber. Adore também pela presença de Deus durante o caminho.

Oração

Senhor, muitas vezes é mais fácil Te agradecer quando recebo aquilo que pedi. Ensina-me a Te adorar também enquanto espero. Que a minha fé não dependa somente das respostas ou das circunstâncias. Ajuda-me a reconhecer quem Tu és, mesmo quando ainda não compreendo o que estás fazendo. Recebe os meus pedidos, mas recebe também a minha adoração. Que meu coração permaneça firme em Ti antes, durante e depois de cada resposta. Amém.

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Ter a mente de Cristo: a fé que transforma nossas atitudes

“Nós, porém, temos a mente de Cristo.”

1 Coríntios 2:16

Conhecer a Palavra de Deus é essencial, mas esse conhecimento precisa alcançar a maneira como vivemos. Ter a mente de Cristo envolve permitir que seus ensinamentos transformem nossos pensamentos, nossas escolhas e a forma como tratamos as pessoas.

Jesus nos mostra um caminho de amor, humildade e obediência ao Pai. Quando sentimos vontade de devolver uma ofensa, somos chamados a responder com mansidão. Quando o orgulho nos impede de reconhecer um erro, seu exemplo nos ensina a pedir perdão. Quando esperamos reconhecimento, Ele nos lembra do valor de servir.

Essas escolhas aparecem nas situações mais comuns: em uma conversa difícil, na convivência familiar, no trabalho e diante de alguém que pensa diferente de nós. É nesses momentos que a fé ganha expressão em nossas atitudes.

Agir com amor exige sabedoria. A mansidão pode acompanhar uma palavra firme, e o perdão não dispensa limites necessários. Podemos defender o que é justo sem humilhar, discordar sem ferir e reconhecer nossos erros sem procurar desculpas.

Nem sempre conseguimos fazer isso de imediato. Há dias em que o cansaço, a frustração e a mágoa pesam sobre nossas reações. Podemos apresentar tudo isso a Deus e pedir que o Espírito Santo nos ajude a responder com mais consciência, domínio próprio e amor.

Ter a mente de Cristo é um aprendizado diário. A cada escolha, temos a oportunidade de permitir que aquilo em que cremos transforme aquilo que fazemos.

Aplicação

Hoje, diante de uma situação que provoque irritação ou impaciência, faça uma pausa antes de responder. Ore e reflita: minha atitude expressa amor, verdade e respeito? Talvez o próximo passo seja ouvir com atenção, pedir perdão, oferecer ajuda ou estabelecer um limite com serenidade.

Oração

Senhor Jesus, renova minha mente e ensina-me a viver o que aprendo em tua Palavra. Ajuda-me a reconhecer quando o orgulho, a pressa ou a mágoa conduzem minhas atitudes. Que o teu Espírito me dê sabedoria para falar, humildade para ouvir e coragem para fazer o que é certo. Que meus pensamentos e minhas ações expressem o teu amor nas situações de cada dia. Em nome de Jesus, amém.

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Quando o coração cansa, Deus sustenta

Versículo

“A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração e a minha porção para sempre.”

Salmo 73:26

Existem momentos em que o cansaço ultrapassa o corpo e alcança o coração. Não é apenas falta de sono ou excesso de tarefas. É aquela sensação de desgaste que aparece quando acumulamos preocupações, responsabilidades, frustrações, esperas e situações que parecem não se resolver. Continuamos cumprindo nossos compromissos, conversando com as pessoas e fazendo o que precisa ser feito, mas interiormente percebemos que já não temos a mesma força.

A Bíblia não esconde esse tipo de experiência. Homens e mulheres usados por Deus também chegaram a momentos de profundo esgotamento. Elias, por exemplo, havia acabado de viver uma das maiores demonstrações do poder de Deus no monte Carmelo. Pouco depois, porém, ameaçado por Jezabel, fugiu para o deserto, sentou-se debaixo de uma árvore e desejou morrer. O mesmo profeta que havia enfrentado centenas de profetas de Baal chegou a um ponto em que já não conseguia enxergar esperança para o dia seguinte.

É interessante perceber como Deus tratou Elias naquele momento. Antes de lhe dar uma nova missão ou fazer uma longa repreensão, Deus cuidou de suas necessidades mais imediatas. Elias dormiu, recebeu alimento, descansou e somente depois retomou sua caminhada. O episódio de 1 Reis 19 nos lembra que o cansaço não transforma uma pessoa fiel em alguém sem fé. Às vezes, simplesmente significa que o corpo e a mente chegaram a um limite e precisam ser cuidados.

Davi também conheceu dias de profunda angústia. Em muitos salmos, ele não aparece como um homem invencível, mas como alguém que chora, teme, questiona e pede socorro. Ainda assim, no meio da aflição, ele constantemente volta o olhar para Deus. Essa talvez seja uma das grandes lições dos salmos: fé não significa ausência de fraqueza. Fé é aprender a levar a fraqueza para o lugar certo.

O próprio Salmo 73 reconhece essa realidade quando diz que a carne e o coração podem desfalecer. O versículo não nega a possibilidade de chegarmos ao limite. Pelo contrário, ele parte desse reconhecimento. A esperança aparece justamente na segunda parte: “Deus é a fortaleza do meu coração”. Quando aquilo que depende de nós começa a falhar, descobrimos que nossa sustentação não precisa vir apenas da nossa própria capacidade.

Jesus também viveu momentos de profunda angústia. No Getsêmani, pouco antes da crucificação, Ele disse aos discípulos que sua alma estava profundamente triste. Ali não vemos indiferença diante do sofrimento. Vemos entrega. Jesus ora, expressa sua angústia e se submete à vontade do Pai. Esse episódio nos ensina que até nos momentos mais difíceis podemos falar com Deus com sinceridade, sem esconder aquilo que sentimos.

Por isso, reconhecer que o coração está cansado não é sinal de fraqueza espiritual. Pode ser justamente o começo de uma relação mais verdadeira com Deus. Há momentos em que precisamos parar de tentar parecer fortes e admitir que estamos sobrecarregados. Deus não precisa de uma versão organizada de nós mesmos para nos ouvir. Podemos chegar diante dele cansados, confusos e até sem saber exatamente como expressar o que estamos sentindo.

Talvez hoje você esteja tentando sustentar muitas coisas ao mesmo tempo. Uma preocupação familiar, uma decisão difícil, um problema financeiro, uma espera longa, uma responsabilidade profissional ou simplesmente o peso acumulado de muitos dias difíceis. O convite deste salmo é lembrar que sua força não precisa ser infinita. Quando o coração desfalecer, Deus continua sendo fortaleza.

Aplicação

Pense por alguns minutos no que mais tem consumido suas forças ultimamente. Talvez você tenha tentado resolver tudo sozinha, controlar situações que não dependem apenas de você ou continuar funcionando normalmente mesmo estando exausta. Apresente isso a Deus com sinceridade.

Também observe o exemplo de Elias. Talvez, além de oração, você precise de descanso, alimentação adequada, silêncio, ajuda de alguém ou simplesmente reconhecer que não consegue fazer tudo ao mesmo tempo. Cuidar dos próprios limites não é falta de espiritualidade. Em muitos momentos, é uma forma de sabedoria.

Oração

Senhor, Tu conheces aquilo que tem cansado meu coração e sabes quantas vezes tento continuar mesmo quando minhas forças já estão diminuindo. Ajuda-me a reconhecer meus limites sem culpa e a não carregar sozinha aquilo que posso entregar a Ti.

Assim como sustentaste Elias no deserto, fortalece-me nos dias em que eu me sentir esgotada. Assim como Davi encontrou em Ti refúgio em meio às aflições, ensina-me a buscar Tua presença quando meu coração estiver inquieto. E como Jesus no Getsêmani, dá-me liberdade para falar contigo com sinceridade, confiando que Tu conheces aquilo que eu nem sempre consigo explicar.

Sê a fortaleza do meu coração. Dá-me sabedoria para descansar quando for necessário, coragem para continuar quando chegar a hora de seguir e discernimento para compreender aquilo que precisa permanecer em minhas mãos e aquilo que preciso entregar às Tuas.

Amém.

Biopsicoeduca

Trabalhando com sossego

“Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto: que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão.”

2 Tessalonicenses 3:10-12

Paulo escreve palavras firmes aos cristãos de Tessalônica. Havia pessoas na comunidade que haviam deixado suas responsabilidades de lado e estavam vivendo às custas dos outros, ocupando o tempo com coisas que não lhes diziam respeito.

O texto fala de quem não quer trabalhar, e não de quem está impedido de trabalhar por doença, desemprego, idade ou outras circunstâncias. A Bíblia também ensina sobre cuidado, misericórdia e auxílio aos necessitados. Aqui, porém, o ensino é sobre responsabilidade.

Trabalhar não significa apenas ter um emprego. Há trabalhos que não aparecem em uma folha de pagamento: cuidar da casa, estudar, criar os filhos, cuidar de alguém, organizar a própria vida, cumprir compromissos e servir onde somos necessários.

Paulo ainda acrescenta algo importante: “trabalhando com sossego”. Não é apenas fazer alguma coisa, mas aprender a cuidar daquilo que nos cabe sem viver envolvidos na vida alheia, em discussões inúteis ou em ocupações que nos afastam das nossas próprias responsabilidades.

A fé cristã não nos ensina a viver de braços cruzados esperando que Deus faça aquilo que está ao nosso alcance. Oramos, confiamos em Deus e, ao mesmo tempo, trabalhamos, estudamos, organizamos, perseveramos e fazemos com responsabilidade aquilo que foi colocado em nossas mãos.

Aplicação

Hoje, vale fazer uma pergunta simples: há alguma responsabilidade que tenho deixado para depois esperando que outra pessoa resolva por mim?

Talvez seja uma tarefa, um estudo, uma decisão, um compromisso ou algo que precisa ser organizado. Faça a sua parte com tranquilidade, sem comparação e sem precisar cuidar daquilo que pertence aos outros.

Deus também pode ser honrado na maneira como cumprimos as pequenas responsabilidades de cada dia.

Oração

Senhor, ensina-me a ser responsável com aquilo que colocaste em minhas mãos. Dá-me disposição para trabalhar, sabedoria para organizar minhas tarefas e perseverança para não abandonar aquilo que preciso fazer. Livra-me da preguiça, da distração e da preocupação excessiva com a vida dos outros. Que eu aprenda a trabalhar com sossego, gratidão e dignidade, confiando em Ti e fazendo fielmente a minha parte. Amém.

Professora, se o corpo sabe tanto, por que a gente não sabe também?

Tenho o costume de dizer aos meus alunos que o nosso corpo é muito inteligente. É uma maneira de falar sobre como ele realiza tantas funções e responde ao que acontece dentro e fora de nós. Ao ouvir isso, um aluno entendeu que o corpo sabe muito e me perguntou:

“Professora, se o corpo sabe tanto, por que a gente não sabe também?”

Quando dizemos que o corpo é “inteligente” ou que “sabe” cicatrizar uma ferida e ajustar a temperatura, usamos uma maneira de falar. As células não pensam nem entendem o que estão fazendo. Elas respondem a sinais químicos e físicos.

Se ficamos muito quentes, por exemplo, o organismo pode produzir suor, que ajuda a resfriar o corpo quando evapora. Quando nos machucamos, diferentes células participam do fechamento e do reparo da ferida. Esses processos acontecem sem precisarmos conhecer ou comandar cada etapa.

Muitos ajustes ajudam a manter nossas condições internas em faixas adequadas à vida. Esse equilíbrio dinâmico recebe o nome de homeostase. Isso não significa que o corpo sabe tudo ou que nunca falha, mas que possui mecanismos para regular seu funcionamento.

Já saber explicar o que acontece depende de aprender, prestar atenção e formar memórias. Por isso, nosso corpo pode realizar uma função mesmo quando ainda não estudamos como ela funciona.

Você não precisa saber explicar a digestão para digerir um alimento. Mas pode aprender como ela acontece.

E foi exatamente isso que essa pergunta nos convidou a fazer: investigar algo que acontece dentro de nós todos os dias.

Profa. Fran Narnib Lorenzon
Biopsicoeduca

Fontes: National Cancer Institute, verbete “Homeostasis”; National Institute of Neurological Disorders and Stroke, “Brain Basics: Know Your Brain”.

Não se entregue ao medo

Versículo

“Então o SENHOR disse a Abrão: ‘Deixa a sua terra, os seus parentes e a casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrar.’”

Gênesis 12:1

Abrão recebeu de Deus uma orientação que exigia coragem. Ele deveria deixar aquilo que conhecia, afastar-se de sua terra e seguir em direção a um lugar que ainda lhe seria mostrado.

Deus não entregou a Abrão todos os detalhes do caminho. Primeiro veio o chamado. Depois, passo a passo, viria a direção.

É justamente nesses momentos que o medo costuma aparecer. Temos medo de sair do conhecido, de começar algo novo, de tomar uma decisão e até de confiar quando ainda não conseguimos enxergar o que acontecerá adiante.

O medo, por si só, não significa falta de fé. O problema começa quando permitimos que ele decida por nós.

Abrão poderia ter permanecido onde estava porque ali havia segurança, referências e familiaridade. Mas escolheu confiar na voz de Deus e seguir.

Talvez você também esteja diante de algo que exige coragem. Uma mudança, uma decisão, um novo começo ou uma situação em que ainda não consegue enxergar todo o caminho.

Você não precisa saber tudo o que acontecerá para dar o próximo passo. Precisa apenas discernir a direção de Deus e não permitir que o medo seja maior do que a confiança nEle.

Aplicação

Pergunte a si mesma: existe alguma decisão que tenho adiado somente por medo? Apresente esse medo a Deus e peça sabedoria para distinguir prudência de paralisia. Nem sempre Deus mostrará todo o percurso de uma vez, mas Ele pode mostrar o próximo passo.

Oração

Senhor, existem situações que me causam medo porque eu não sei o que acontecerá adiante. Ajuda-me a não permitir que o medo controle minhas decisões. Dá-me sabedoria para reconhecer a Tua direção e coragem para caminhar quando Tu me chamares. Ensina-me a confiar em Ti mesmo quando eu ainda não consigo enxergar todo o caminho. Amém.

E quando Deus não responde como eu esperava?

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor.”

Isaías 55:8

Texto

Há momentos em que oramos com muita sinceridade, apresentamos a Deus aquilo que desejamos e esperamos que a resposta venha exatamente da maneira que imaginamos.

Mas nem sempre acontece assim.

Às vezes a porta que queríamos que se abrisse permanece fechada. A resposta demora. Um plano muda. Uma oportunidade não acontece. Algo que parecia tão certo simplesmente toma outro rumo.

E é justamente nesses momentos que confiar em Deus se torna mais difícil.

É fácil dizer que confiamos quando tudo acontece como esperávamos. O desafio é continuar confiando quando não entendemos o caminho.

Isaías nos lembra que os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos e que os caminhos dEle não são os nossos caminhos. Isso não significa que nossos desejos não importem. Significa que nossa visão é limitada.

Nós enxergamos o que está diante de nós. Deus enxerga o caminho inteiro.

Pode ser que uma resposta diferente daquela que esperávamos esteja nos protegendo de algo que ainda não conseguimos perceber. Pode ser que o tempo ainda não seja o certo. Pode ser que Deus esteja nos conduzindo para uma direção que sequer havíamos considerado.

Nem toda resposta diferente é ausência de resposta.

Às vezes, o “não” também é uma resposta. O “espere” também é uma resposta. E uma mudança de direção também pode ser uma forma de cuidado.

Isso não quer dizer que não possamos ficar tristes ou frustrados. Podemos falar com Deus sobre nossa decepção. Podemos perguntar, chorar e dizer que não entendemos.

Confiar não é fingir que não doeu.

Confiar é continuar caminhando com Deus mesmo quando ainda não sabemos por que as coisas aconteceram daquela maneira.

Talvez hoje você esteja vivendo exatamente isso. Você pediu uma coisa e recebeu outra. Esperou uma porta aberta e encontrou um caminho diferente.

Ainda assim, Deus continua presente.

Você pode não entender a resposta agora, mas pode continuar confiando em quem respondeu.

Aplicação

Pense em algo que não aconteceu como você esperava.

Em vez de perguntar apenas: “Por que não aconteceu do meu jeito?”, experimente orar:

“Senhor, mostra-me o que preciso compreender neste caminho.”

Nem sempre teremos todas as respostas imediatamente. Mas podemos escolher continuar caminhando com Deus enquanto esperamos compreender.

Oração

Senhor, nem sempre é fácil aceitar quando as coisas acontecem de maneira diferente daquela que eu esperava. Tu conheces meus planos, minhas expectativas e também minhas decepções. Ajuda-me a confiar em Ti mesmo quando não compreendo o caminho. Dá-me sabedoria para perceber Tua direção e serenidade para aceitar aquilo que não posso mudar. Ensina-me a confiar não apenas nas respostas que desejo, mas em Ti. Amém.

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Qual é o desejo do teu coração? Deus quer ouvir

Versículo

“Confiai nele, ó povo, em todos os tempos; derramai perante ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio.”

Salmo 62:8

Devocional

Qual é o desejo que você guarda no coração?

Talvez seja algo que você pede a Deus há muito tempo. Um sonho, uma resposta, uma mudança, uma oportunidade, a restauração de alguma situação ou simplesmente a direção certa para uma decisão importante.

Às vezes falamos com Deus sobre nossas necessidades, nossos problemas e nossos medos, mas temos dificuldade de falar sobre aquilo que realmente desejamos. Talvez porque pareça pequeno demais. Talvez porque pareça impossível. Ou porque temos medo de criar expectativas e depois nos decepcionar.

Mas a Bíblia nos convida a derramar o coração diante de Deus.

Isso significa chegar diante dele sem discursos prontos, sem esconder aquilo que sentimos e sem precisar fingir que não desejamos aquilo que, na verdade, desejamos muito.

Deus já conhece o nosso coração, mas ainda assim deseja relacionamento. Ele quer nos ouvir.

Podemos dizer: “Senhor, é isso que eu gostaria que acontecesse.” Podemos contar nossos planos, nossas esperanças e até aquilo que temos receio de admitir para outras pessoas.

Apresentar um desejo a Deus não significa exigir que Ele faça exatamente como queremos. Significa confiar o desejo a quem enxerga aquilo que nós ainda não conseguimos enxergar.

Algumas vezes Deus realizará aquilo que pedimos. Em outras, mudará o caminho. E também haverá momentos em que, enquanto oramos, perceberemos que Ele está transformando o próprio desejo do nosso coração.

Por isso, não tenha medo de conversar com Deus sobre aquilo que você sonha.

Qual é o desejo do teu coração hoje?

Conte a Ele.

Deus quer ouvir.

Aplicação

Reserve alguns minutos hoje e fale com Deus especificamente sobre um desejo que você tem guardado. Diga o que espera, por que isso é importante para você e entregue também o resultado nas mãos dele.

Oração

Senhor, Tu conheces o meu coração e sabes até aquilo que tenho dificuldade de colocar em palavras. Hoje quero falar contigo sobre os meus desejos, sonhos e expectativas. Ensina-me a confiar em Ti enquanto espero. Se aquilo que desejo estiver de acordo com a Tua vontade, abre os caminhos. Se precisar ser diferente, dá-me entendimento para aceitar Tua direção. Acima de tudo, transforma o meu coração para que eu continue confiando em Ti, independentemente da resposta. Amém.

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