Professora, se o corpo sabe tanto, por que a gente não sabe também?

Tenho o costume de dizer aos meus alunos que o nosso corpo é muito inteligente. É uma maneira de falar sobre como ele realiza tantas funções e responde ao que acontece dentro e fora de nós. Ao ouvir isso, um aluno entendeu que o corpo sabe muito e me perguntou:

“Professora, se o corpo sabe tanto, por que a gente não sabe também?”

Quando dizemos que o corpo é “inteligente” ou que “sabe” cicatrizar uma ferida e ajustar a temperatura, usamos uma maneira de falar. As células não pensam nem entendem o que estão fazendo. Elas respondem a sinais químicos e físicos.

Se ficamos muito quentes, por exemplo, o organismo pode produzir suor, que ajuda a resfriar o corpo quando evapora. Quando nos machucamos, diferentes células participam do fechamento e do reparo da ferida. Esses processos acontecem sem precisarmos conhecer ou comandar cada etapa.

Muitos ajustes ajudam a manter nossas condições internas em faixas adequadas à vida. Esse equilíbrio dinâmico recebe o nome de homeostase. Isso não significa que o corpo sabe tudo ou que nunca falha, mas que possui mecanismos para regular seu funcionamento.

Já saber explicar o que acontece depende de aprender, prestar atenção e formar memórias. Por isso, nosso corpo pode realizar uma função mesmo quando ainda não estudamos como ela funciona.

Você não precisa saber explicar a digestão para digerir um alimento. Mas pode aprender como ela acontece.

E foi exatamente isso que essa pergunta nos convidou a fazer: investigar algo que acontece dentro de nós todos os dias.

Profa. Fran Narnib Lorenzon
Biopsicoeduca

Fontes: National Cancer Institute, verbete “Homeostasis”; National Institute of Neurological Disorders and Stroke, “Brain Basics: Know Your Brain”.

Deixe um comentário