Curiosidades sobre o Corpo Humano

Curiosidade 2: O refluxo pode deixar a voz rouca mesmo sem causar azia

Curiosidade 2: O refluxo pode deixar a voz rouca mesmo sem causar azia

Quando pensamos em refluxo, geralmente imaginamos uma queimação no peito ou um gosto amargo na boca. Porém, em algumas pessoas, o conteúdo do estômago consegue subir pelo esôfago e alcançar a garganta e a laringe, região onde estão localizadas as pregas vocais.

Essa condição é conhecida como refluxo laringofaríngeo e pode provocar rouquidão mesmo quando a pessoa não sente azia.

Como o refluxo altera a voz?

O estômago possui mecanismos naturais de proteção contra a acidez. A garganta e a laringe, entretanto, são muito mais sensíveis. Quando o conteúdo gástrico alcança essas regiões, pode irritar e inflamar os tecidos próximos às pregas vocais.

Com a irritação, as pregas vocais podem ficar inchadas e não vibrar adequadamente durante a fala. A voz, então, pode ficar rouca, fraca, cansada ou mais grave.

A rouquidão relacionada ao refluxo costuma ser mais perceptível pela manhã, pois os episódios podem acontecer durante a noite, especialmente quando a pessoa se deita pouco tempo depois de comer.

Outros sinais que podem aparecer

Além da alteração na voz, o refluxo laringofaríngeo pode estar associado a:

  • necessidade constante de limpar a garganta;
  • tosse seca persistente;
  • sensação de algo parado ou de “bolo” na garganta;
  • pigarro frequente;
  • irritação ou ardência na garganta;
  • dificuldade ou desconforto para engolir;
  • excesso de secreção;
  • gosto amargo na boca;
  • voz cansada depois de falar.

Nem todas as pessoas apresentam todos esses sintomas. Algumas sentem apenas rouquidão e pigarro, sem a conhecida queimação no peito.

Um ciclo que prejudica ainda mais a voz

A irritação causada pelo refluxo pode provocar vontade de pigarrear. Embora pareça aliviar momentaneamente, o pigarro faz as pregas vocais se chocarem com força, aumentando a irritação.

Forma-se, então, um ciclo: o refluxo irrita a laringe, a pessoa pigarreia e o atrito provoca ainda mais desconforto e alteração vocal. Tomar pequenos goles de água ou engolir a saliva pode ser menos agressivo para a voz.

O que pode ajudar?

Alguns cuidados podem reduzir os episódios de refluxo:

  • evitar deitar-se logo depois das refeições;
  • fazer refeições menores, principalmente à noite;
  • observar quais alimentos pioram os sintomas;
  • reduzir o consumo de bebidas alcoólicas;
  • não fumar;
  • manter uma boa hidratação;
  • evitar roupas muito apertadas na região abdominal;
  • cuidar da voz e não forçá-la enquanto estiver rouca.

Não existe uma lista de alimentos desencadeadores que seja igual para todas as pessoas. Por isso, observar a própria reação e registrar os sintomas pode ajudar a identificar padrões.

Medicamentos para refluxo não devem ser usados continuamente sem orientação profissional. A rouquidão também pode ter outras causas, como infecções, alergias, esforço vocal, nódulos, pólipos, alterações neurológicas e lesões na laringe.

Quando procurar atendimento?

É importante consultar um médico, preferencialmente um otorrinolaringologista, quando a rouquidão durar mais de quatro semanas ou surgir acompanhada de:

  • dificuldade para respirar ou engolir;
  • dor persistente;
  • sangue na saliva ou na tosse;
  • caroço no pescoço;
  • perda de peso sem explicação;
  • histórico de tabagismo;
  • perda completa ou piora progressiva da voz.

A avaliação das pregas vocais é fundamental para descobrir a verdadeira causa da alteração. Nem toda rouquidão é refluxo, mas o refluxo pode, sim, manifestar-se primeiro pela voz.

Profa. Fran N. Lorenzon
Biopsicoeduca

Referências

National Institute on Deafness and Other Communication Disorders — Hoarseness

National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases — Acid Reflux and GERD

American Academy of Otolaryngology — Clinical Practice Guideline: Hoarseness

National Institute on Deafness and Other Communication Disorders — Taking Care of Your Voice

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